MENU

BUSCA

Batucada Misteriosa transforma rodas de carimbó em álbum de estreia

“Até Quase Morrer” reúne composições autorais e marca nova fase do grupo paraense

O Liberal

O grupo paraense Batucada Misteriosa lança nesta quinta-feira, 30, seu álbum de estreia, intitulado “Até Quase Morrer”, disponível nas principais plataformas de streaming. Formado em 2016 em Belém, o coletivo apresenta um repertório autoral de carimbó.

O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Contou também com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará (Secult), Governo do Pará e Ministério da Cultura.

Estrutura e Origem Musical

Com 12 faixas, o disco é estruturado em dois momentos distintos. Na primeira parte, predominam composições ancoradas na sonoridade tradicional do carimbó. Elas são especialmente influenciadas pelas práticas culturais de Icoaraci.

Já na segunda parte, o grupo mantém a base rítmica do gênero. No entanto, incorpora referências do rock, da tropicália, do manguebeat e da psicodelia. Isso constrói uma identidade que articula tradição e experimentação.

O coletivo foi formado em 2016 a partir de rodas de carimbó. Essas rodas eram realizadas nos distritos de Icoaraci e na ilha de Cotijuba, ambos em Belém. O repertório autoral reflete a vivência e o aprendizado junto a mestres da tradição ao longo de uma década de atuação.

Primeiro Registro em Estúdio

Apesar de já executar suas músicas em apresentações ao vivo, esta é a primeira vez que o grupo registra suas composições em estúdio. As faixas são assinadas por Ariel Silva, Yuri Moreno e Melk Moraes, este último ex-integrante da banda.

Os fonogramas já circulam entre o público que acompanha a trajetória da Batucada Misteriosa. Segundo o grupo, todos são inéditos. Incluindo uma nova versão de “Chico Mendes”, que recebeu arranjos adicionais, nova mixagem e masterização.

Detalhes da Produção e Participações

As gravações ocorreram no estúdio Mundé Records, localizado no Espaço Coisas de Negro, em Icoaraci. A mixagem ficou a cargo de Félix Robatto, do Pupuña Estúdio.

A masterização foi realizada por Fernando Sanches, do Estúdio El Rocha. A produção musical é assinada pelo próprio grupo, com direção musical de Matheus Leão.

O álbum conta ainda com participações especiais. Iris da Selva contribuiu nos backing vocals e violão. Já o Mestre Nego Ray participou com instrumentos de percussão, enriquecendo a sonoridade do trabalho.

Concepção e Inspiração Amazônica

A concepção do álbum está diretamente ligada aos territórios de origem do grupo. Icoaraci e Cotijuba não apenas inspiram o repertório, como também constituem espaços fundamentais de criação e convivência para os artistas.

Elementos do cotidiano amazônico permeiam as composições e a identidade visual do projeto. A travessia de barco entre os dois locais, pescadores, praias e rodas de carimbó são refletidos na obra.

A capa do disco, inclusive, faz referência ao bilhete de passagem entre esses territórios. Ela simboliza o fluxo constante e a conexão entre a cidade, o rio e a ilha.

O título “Até Quase Morrer” surgiu de uma expressão recorrente entre os integrantes. A frase alude à intensidade das apresentações, marcadas por longas rodas de carimbó.

O nome também remete ao processo de produção do álbum. Iniciado em 2024, o trabalho foi concluído após um período de maturação. Isso garantiu que as condições necessárias para sua realização fossem reunidas.

Reafirmação da Cultura Popular

Mais do que um registro fonográfico, o trabalho sintetiza a experiência coletiva do grupo. Ele reafirma a importância das rodas de carimbó como espaços de criação, transmissão de saberes e continuidade da cultura popular amazônica.

O projeto integra as ações contempladas pela PNAB. Ele também conta com apoio institucional do Governo do Pará e do Governo Federal, reforçando seu alcance e relevância cultural.