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Arte Pará desperta interesse em artista paraense aos 83 anos

Japão tem toda uma trajetória nas artes e pretende expor trabalho na mostra promovida pelo Grupo Liberal

Eduardo Rocha

Um exemplo de que o artista não tem idade para criar, e daí ser necessário um espaço para que ele possa expor seus trabalhos, é dado por José Manoel dos Santos Silva, mais conhecido como Japão. Aos 83 anos de idade, esse pintor e escultor, nascido em Marapanim, no nordeste do Estado do Pará, pretende se inscrever no Arte Pará 2026. 

Essa mostra é promovida pelo Grupo Liberal, sob a coordenação pela Fundação Romulo Maiorana (FRM) e tem curadoria da artista visual Keyla Sobral. A realização do projeto é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Phebo e da Vale. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até 31 de julho. Confira o edital aqui.

"Eu nasci pintando", declara bem-humorado o artista descendente do povo indígena Inca que habitava a região de Marapanim. Japão adora o que faz. "Em Marapanim, eu tinha um padrinho, de nome Teófilo, conhecido como Teté, que era pintor e escultor, e eu morava perto da casa dele. Então, quando ele estava lá criando as obras, eu ficava observando como se fazia. Quando voltava para casa, eu desenhava em papel de embrulho mesmo", conta. Ele conta que, aos 7 anos de idade, quando começou a pintar, utilizava a chamada tabatinga, ou seja, argila, que retirava de cacimbas na cidade.

Aos 8 anos de idade, sempre interessado em aprender o processo artístico, Japão acabou pintando seu primeiro letreiro de embarcação, no barco "Miss Marapanim' na cidade natal dele. "Quando eu tinha 9 anos, um pintor português, Macedo, foi morar em Marapanim. Eu aprendi as técnicas de pintura com ele. Eu trabalhei com ele por três anos". Japão utiliza, atualmente, a técnica de acrílico sobre tela.

Do jeito que começou, Japão nunca mais parou de criar seus quadros e esculturas. Os temas abordados nos trabalhos dele são muitos: paisagens históricas, retratos de pessoas, santos, imagens de animais, edificações, temas abstratos e por aí vai. São pinturas, painéis e esculturas até em árvore.

Em 1977, esse artista foi morar na Cidade de Luziânia, no Estado de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, "em busca de uma vida melhor". Era casado e já tinha três dos dez filhos dele. Foi nesse novo local que ele se notabilizou com obras de rara beleza. Japão praticamente pintou a cidade inteira, inclusive, um painel no estádio de futebol. Ele confeccionou 360 painéis de muro em Luziânia.

Japão teve duas obras divulgadas em bilhetes da Loteria Federal: "A dia e o Cara Branca" em 1990, e uma pintura sobre Brasília (DF), em 1996, referente aos 36 anos da capital brasileira. Outro momento importante da trajetória desse artista foi quando teve uma tela reproduzida na capa de uma edição do catálogo da Listel - Região Geoeconômica de Brasília, de 1989/1990. Ele já participou de diversas exposições.

Em 2014, Japão regressou a Belém. Passou por um problema gravíssimo de saúde e prometeu à Nossa Senhora de Nazaré pintar e doar um quadro por ocasião do Círio, como gratidão por ter superado a doença. Tem cumprido a promessa.

"Eu quero participar do Arte Pará porque é um evento de grande projeção do Pará, um evento que projeta o artista. Vai ser a minha primeira vez", destaca Japão, que já atuou com desenho publicitário em Belém. "Eu nasci com defeito em uma das vistas, mas, como nada que Deus faz é em vão, Ele me deu mãos para pintar e dar alegria aos outros e a mim", finaliza o artista.

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