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Angélica relembra colapso que a fez parar de cantar: 'Não é luxo ter um tempo para respirar'

Angélica relembrou o primeiro episódio de crise de pânico e o que aprendeu ao longo do tempo

Estadão Conteúdo

Angélica tem 52 anos e quatro décadas como pessoa pública. Desde que venceu o concurso Criança mais bonita do Brasil, no programa Buzina do Chacrinha, quando tinha apenas 4 anos, teve de lidar com a exposição. Ainda aos 20, sentiu seu corpo colapsar, o que a levou a entender a importância da saúde mental em um tempo no qual o tema não era debatido, como contou durante participação no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, nesta sexta-feira, 15.

"Você acha que seu valor está no que você está produzindo, e você aprende isso desde cedo. A primeira vez que meu corpo parou eu tinha 20 anos. Tive crise de pânico, fazia muito shows, viajava muito. Faltava ar, faltava tanto que eu parei de cantar por isso. Na época, foi diagnosticado como cansaço", contou. "Deixei de fazer muitas coisas por causa da saúde mental. Não é luxo, isso que as pessoas têm de entender. Não é luxo ter um tempo para pausar, para respirar. Isso é o básico, é questão de higiene."

Fundadora da Mina Bem-Estar, plataforma digital de conteúdo voltado à qualidade de vida das mulheres, e embaixadora da Wellhub, a apresentadora se aproximou da yoga, da meditação e práticas de autoconhecimento ao longo dos anos. Mesmo antes de se aprofundar nesses assuntos, contudo, se introduziu ao autocuidado de forma natural.

"Desde muito nova, eu sempre tive essa curiosidade pelo holístico, por essa coisa de interiorizar. Eu fazia shows pelo Brasil inteiro, viajava. Eu ia para o quarto do hotel e queria ficar sozinha, queria silenciar. Isso tudo intuitivamente, sem saber que eu estava meditando ou me reenergizando. Isso me ajudou a ter saúde mental para seguir a minha história", afirmou.

Ter tempo com os próprios pensamentos é indispensável para Angélica, especialmente frente os principais desafios da vida. "Os momentos de grande decisão da vida são solitários. É questão de essência, o que você quer para você. Mas não pode ficar no etéreo, precisamos de exemplos práticos."

Apesar do repertório que adquiriu lidando com questões de saúde mental desde cedo, a comunicadora não escapou de um novo colapso, em contexto diferente, muitos anos depois da primeira vez que seu 'corpo parou'. Em 2015, sofreu um acidente aéreo com a família, e só foi sentir os efeitos psicológicos um ano depois.

"Antes de a gente morrer tem o silêncio, a gente ouviu esse silêncio. A boca seca até hoje quando eu lembro", recordou. "Passei a ter crises de pânico. Mas, primeiro, tinha de organizar tudo, ver se meus filhos estavam bem. Só quando eu vi que eles estavam bem, meu corpo relaxou e eu caí. Descobri que, se eu não estivesse bem, quem iria estar em casa? Quando eu comecei a melhorar, fazendo meu trabalho de respiração, a casa toda ficava mais calma. A gente acaba sendo esse ponto de energia boa."

Ao finalizar a conversa com Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos, Angélica mandou uma mensagem ao público presente, formado em grande maioria por mulheres. "Não percam a essência. A saúde passa por isso também. Quando você começa a tentar caber no espaço que o outro quer que você caiba, você vai adoecer. É acreditar que você pode."

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música, filosofia e outras.