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Álbum ‘Bem Musical’, da Clepsidra, chega às plataformas digitais após mais de 20 anos

Disco de 2004 reúne experimentações eletrônicas e eletroacústicas e inaugura trajetória estética do grupo

O Liberal

O álbum Bem Musical, do grupo Clepsidra, será relançado nas plataformas digitais no dia 11 de abril de 2026. A nova versão chega mais de duas décadas após sua primeira edição em CD, lançada em 2004. Produzido originalmente de forma artesanal pelo selo Na Music, o disco agora é disponibilizado no ambiente digital pelo selo Labidad Produções, com apoio do Guamundo Home Studio.

Para o músico e compositor Renato Torres, o trabalho é um marco na trajetória estética do projeto. "Bem Musical representa nossa primeira manifestação estética e sonora baseada nas experimentações eletrônicas e eletroacústicas", afirma. Ele também destaca que o álbum encerra um ciclo inicial de pesquisa do grupo nesse campo, articulando a combinação entre instrumentos acústicos e recursos digitais.

Produção com identidade dual

O disco foi gravado em duas etapas distintas. Essa característica, segundo o artista, evidencia a própria identidade do projeto. "Isso evidencia toda a atmosfera dual do projeto, que transita entre o novo e o velho em justaposição", diz Torres.

A primeira fase ocorreu no estúdio analógico Edgar Proença, da Funtelpa, com a gravação das bases instrumentais. A segunda etapa foi realizada no AM Studio, onde foram registrados sopros, violoncelos e vozes. A mixagem final, considerada determinante pelo músico para o resultado do álbum, também foi realizada neste estúdio.

Expansão do repertório e novas participações

Inicialmente com cinco faixas, o trabalho ganhou posteriormente mais dois fonogramas: "Samba na Poeira" e "Água Ladainha". Essa adição ampliou o repertório do álbum e incorporou novas participações.

Ao longo das sete canções, o disco apresenta uma síntese das experimentações do grupo. Elas estão ancoradas na canção popular brasileira. Renato Torres conclui que "No fim das contas, Bem Musical se mostra tão somente um punhado de canções que guardam sua força em detrimento de sua indumentária ‘pós-moderna’".

As gravações das novas faixas contaram com a colaboração de diversos músicos:

  • Em "Samba na Poeira": Arthur Alves (violoncelo, arranjo de cello, violino, viola, clarinete e clarone), Marcos Puff (clarinete e clarone), Ronaldo Sarmanho (violino) e Fernanda Uchoa (viola).
  • Em "Água Ladainha", faixa produzida por Marco André no estúdio APCE como parte da coletânea "Enciclopédia da Música": Daniel Delatuche (trompete) e Trio Manarí (Márcio Jardim, Nazaco Gomes e Kleber Benigno).

A trajetória musical de Renato Torres

O cantor e compositor Renato Torres desenvolve uma trajetória marcada pela investigação de linguagens híbridas. Ele articula a canção popular, poesia, experimentação sonora e recursos tecnológicos. Multi-instrumentista, poeta, ator, cantor e arranjador, Torres transita entre diferentes formações e projetos.

O eixo central de sua pesquisa é a música eletrônica e eletroacústica. Frequentemente, essa pesquisa é associada a referências da cultura amazônica e da música brasileira. Sua produção se caracteriza pelo diálogo entre tradição e contemporaneidade, tanto nas composições quanto na elaboração estética dos trabalhos.

A contribuição de Maurício Panzera

Maurício Panzera atua como contrabaixista e arranjador. Sua participação na concepção musical do grupo é decisiva. Panzera se destaca pela construção de bases harmônicas e rítmicas que sustentam as experimentações propostas. Ele contribui para a integração entre os elementos acústicos e digitais presentes nas obras.

Ao longo de sua trajetória, Panzera tem colaborado em diferentes formações e projetos. Ele consolidou um percurso voltado à pesquisa sonora e ao desenvolvimento de arranjos que dialogam com múltiplas vertentes da música contemporânea.