Cultura do açaí chega à 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro das Multivozes em Belém
Lançamento será às 19h30 desta quinta (3) no Estande da Ioepa, com a presença dos autores
Se um visitante da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém, verificar algo semelhante a uma bandeira vermelha indicativa de um ponto de venda do açaí, não deve se espantar. É que esse fruto está presente em tudo o que se relaciona à vida dos paraenses e não poderia nunca ficar de fora da programação da Feira. Assim, às 19h30 desta quinta-feira (3), no Estande da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), será lançado o livro “A Cultura do Açaí”, que traz aos leitores um painel sobre justamente o que significa esse fruto, a Euterpe oleracea, para quem nasce e/ou vive no Pará.
“A Cultura do Açaí” é contada em livro pelos autores: Giovanni Blanco Sarquis, arquiteto-urbanista, mestre e doutor em Arquitetura, especialista em Conservação do Patrimônio Cultural Edificado, Paisagismo Tropical e História Social da Arquitetura, e atua como arquiteto-urbanista do Iphan desde 2006; Rubens Ferreira, bibliotecário, mestre e doutor em Ciência da Informação; atuou como pesquisador do Iphan e, desde 2009, é professor adjunto da Faculdade de Turismo da UFPA; e Augusto Henrique Neto, designer gráfico, ex-editor da Regional Norte da revista Veja e ex-diretor técnico da Imprensa Oficial do Estado.
Giovanni Sarquis explica que a elaboração desse livro se dá pelo fato de que se trata “de um fruto primaz na cultura alimentar local, com a capacidade de reprodução natural no bioma amazônico, e também cultivável, a partir de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, em solos de terra firme”.
“E, na cadeia produtiva, alimenta e gera renda para ribeirinhos, barqueiros, comerciantes em pontos de venda pela cidade, com a possibilidade de aproveitamento do caroço (tijolos, sapatos, papel, massa para pão...), segundo novas tecnologias e pesquisas acadêmicas, para além do adubo”, acrescenta.
Os leitores encontram no livro aspectos curiosos sobre a cultura do fruto, como ressalta Giovanni. ”A estrutura da publicação foi planejada pelos organizadores principais (Giovanni e Rubens) para permitir uma fácil compreensão do tema pelo leitor. A narrativa se inicia com o mito indígena, percorre aspectos biológicos da palmeira de açaí e de sua formação no território amazônico; abordando a cadeia produtiva, os períodos de safra e entressafra do fruto e sua comercialização. Neste ponto, é abordada a importância da Feira do Açaí em Belém, como entreposto histórico de comercialização do produto na cidade”.
Giovanni Sarquis prossegue: “É mencionado o processo de higienização do fruto, conforme as normas sanitárias legais, visando à sua adequada comercialização. A importância do fruto na cultura alimentar, entrelaçada com a vida e economia de comunidades ribeirinhas e comunidades citadinas, destacando seu potencial nutritivo e seu potencial energético. E, na contemporaneidade, outros desdobramentos são abordados quanto ao reaproveitamento do caroço e à possibilidade de os açaizeiros serem cultivados como instrumento de qualidade ambiental”.
Os autores apresentam, então, um panorama da cadeia produtiva, a fim de facilitar a compreensão das etapas do processo produtivo e de comercialização nos pontos de venda pela cidade. É interessante isso porque, por exemplo, o Estado do Pará responde por quase 90% da produção brasileira, com pouco mais de 1,5 tonelada de açaí para consumo, como destaca o pesquisador.
Existe uma curiosidade acerca da possibilidade de a palmeira do açaí ser aproveitada na urbanização de cidades. Giovanni Sarquis destaca que esse assunto é discutido em “A Cultura do Açaí”, com destaque para “a utilização do açaizeiro como elemento de um paisagismo urbano capaz de drenar as águas pluviais, considerando que a palmeira de açaí apresenta grande capacidade de absorção de água para seu crescimento, ao mesmo tempo que o solo urbano, admitindo a ampliação de áreas verdes, contribui para sua capacidade drenante e melhora a temperatura ambiente”.
O açaí é um ingrediente contumaz da alimentação do paraense, e, como pontua Giovanni Sarquis, a entressafra continua afetando a regularidade do consumo, determinando, inclusive, o valor do litro do produto. “De todo modo, são necessárias políticas públicas de controle desse valor, de estímulo à produção em outros tipos de solo e que um açaí de qualidade seja preservado para o consumo local frente à produção exportada”. Então, mostra-se válido e interessante ao público de idades diversas conhecer um pouco sobre o tema da cultura do açaí, disponível no livro dos três autores. Até porque se trata de um produto que representa a identidade alimentar paraense e, por conseguinte, contribui na formação da cultura da sociedade”.
Serviço:
Lançamento do livro ‘A Cultura do Açaí’
Em 3 de setembro de 2026, às 19h30
no Estande da Ioepa, na 29ª Feira
Pan-Amazônica do Livro, no Hangar -
Centro de Convenções & Feiras da
Amazônia, na Av. Dr. Freitas, s/n,
Marco, Belém (PA)
Palavras-chave