A cara de Belém, Pinduca exalta cidade que o adotou e anuncia biografia
Para Pinduca, a Belém é a melhor cidade para morar no Brasil
Aurino Quirino Gonçalves, internacionalmente conhecido como Pinduca, completará 89 anos em 4 de junho, no mesmo ano em que Belém celebra seus 410 anos de fundação oficial. Em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, o ícone da música paraense revelou detalhes sobre sua relação com a capital e o lançamento de sua biografia, prevista ainda para 2026.
A obra, que ainda não tem data exata de lançamento, está programada para ser publicada em 2026, segundo o artista. Intitulada "Pinduca - O Som da Cor, o Sim da Cor", conforme informações do site da editora Paka-Tatu, a biografia promete contar diversas histórias da vida e carreira do cantor.
A chegada a Belém e o livro
Nascido no município de Igarapé-Miri, Pinduca chegou a Belém aos 17 anos. Ele recorda a experiência de sua chegada como a de um "caboclinho de Igarapé-Miri", sem conhecer a cidade, mas ávido por suas novidades.
Sobre a biografia, o cantor adiantou: "Para melhorar a nossa conversa, quero adiantar a você que será lançado o livro do Pinduca, de autoria de Zé Paulo Vieira da Costa, em que todas essas histórias".
Pinduca e a valorização do carimbó
A relação de Pinduca com Belém vai além de sua biografia, sendo parte fundamental da formação da música contemporânea da Amazônia. O artista sempre manteve um olhar atento para a cultura local, valorizando "o que é da terra".
"O meu trabalho com a música de Belém, com a música do Pará, me deu muitas coisas, como o título de Comendador da Cultura do Pará", afirmou Pinduca. Ele também enfatizou a importância de valorizar o carimbó: "vamos valorizar o nosso carimbó. Respeitando o brega, o tecnobrega, outros gêneros musicais que o paraense gosta, mas não esqueçam que o carimbó é a música e a dança folclórica do Estado do Pará."
O artista se considera, humildemente, o maior representante do ritmo. "Marapanim é o lugar onde é conservado o melhor carimbó de raiz do Pará, então foi de lá que eu trouxe o carimbó para espalhar para o mundo todo", disse.
Entre seus sucessos que marcaram gerações, destacam-se:
- Sinhá Pureza
- Carimbó do Macaco
- Marcha do Vestibular
Belém: Inspiração e Gastronomia
Próximo ao aniversário de Belém, Pinduca exalta a cultura e a beleza da capital, afirmando que sua obra está intrinsecamente ligada à cidade. "Belém é uma cidade inspiradora, bonitinha. Podem até me chamar de egoísta, mas eu acho que é uma das melhores cidades para se viver no Brasil", elogiou.
Ele destaca também a natureza da capital: "Está mais arborizada e bonita como nunca." Além disso, celebrou a culinária local: "E nós temos muita fartura de alimentação. O meu prato preferido é o pirarucu frito com açaí. A nossa variedade de ingredientes é muito grande. Essa é uma das cidades maravilhosas do Brasil", conclui.
Inovação musical e reconhecimento internacional
Nascido em 4 de junho de 1937, Pinduca inovou na interpretação do carimbó. Ele introduziu instrumentos elétricos e bateria tanto em gravações de estúdio quanto em apresentações ao vivo, modernizando o ritmo.
Em 2017, o artista foi indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Raízes Brasileiras, com o disco "No Embalo do Pinduca", o que consolidou seu reconhecimento internacional.
Obra de Pinduca reconhecida como Patrimônio Cultural
A obra de Pinduca foi oficialmente reconhecida em 2025 como Patrimônio Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Pará. Esta sanção veio por meio de lei assinada pelo governador Helder Barbalho, após aprovação unânime dos integrantes da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).
O projeto de lei que culminou nesse reconhecimento foi o de nº 507/2023, de autoria do deputado Wescley Tomaz (Avante).
Palavras-chave