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Aliados do governo pedem mudança no mote 6x1 dizendo que ninguém entende a ideia

Estadão Conteúdo

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem que o governo aponte para o futuro e encontre outra forma de se referir ao projeto de lei que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho com um de descanso. Nos bastidores, o argumento usado é o de que ninguém entende o que é fim da escala 6x1, como a proposta foi batizada.

A pressão para traduzir esse mote chegou até o gabinete do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, no Palácio do Planalto.

Um interlocutor do presidente disse recentemente a Sidônio que, em vez de toda hora falar em 6x1?, o governo deveria ser mais direto e vender esperança, destacando que o projeto é para permitir aos trabalhadores descansar dois dias por semana.

Uma das mensagens do governo nas redes sociais já traz o seguinte recado: Repouso semanal. Dois dias livres! O projeto institui 48 horas semanais de descanso, ou seja, no mínimo dois repousos remunerados de 24 horas a cada semana.

Sidônio avisou que haverá novas peças nas mídias digitais explicando, de maneira mais didática, o que representa acabar com a 6x1?. Lula quer ver o tema aprovado rápido no Congresso para transformá-lo em bandeira de sua campanha à reeleição.

A orientação do titular da Secretaria de Comunicação Social é para que Lula - motor do conteúdo dessa proposta -, sempre encaixe o assunto em seus discursos. Além disso, ministros e aliados precisam ressaltar que o governo atua para diminuir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e dobrar o período de descanso remunerado, sem redução de salários.

Nos pronunciamentos e entrevistas, todos devem dar exemplos do que os empregados podem fazer com mais um dia de folga para que eles também pressionem o Congresso a votar o projeto.

Em tom de brincadeira, um aliado do presidente sugeriu que, para atrair católicos e, sobretudo, evangélicos, petistas falem até que os trabalhadores terão mais tempo para assistir à missa ou ao culto.

No Congresso, porém, o nome do projeto é o que menos importa. Neste ano eleitoral, tanto Lula quanto parlamentares reivindicam sua paternidade, enquanto a maioria dos empresários é contra.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou a deputados e senadores, no último dia 14, um documento contrário à redução da jornada. A entidade argumenta que, se a medida for aprovada, terá não apenas impacto inflacionário como também nos empregos formais.

Embora Lula tenha acertado os ponteiros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), horas antes de enviar o projeto em regime de urgência, o deputado já avisou que não abrirá mão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto, em tramitação na Casa.

É uma prerrogativa do governo encaminhar um projeto de lei com urgência. Nós respeitamos, mas que o governo também entenda e respeite que o presidente da Câmara é quem diz como as matérias tramitarão na Casa, afirmou Motta.

Para o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), é evidente que adversários de Lula querem ganhar tempo para não dar a bandeira de campanha a Lula. O governo tentou a conciliação, mas deveria ter enviado antes esse projeto em regime de urgência, disse Uczai.

Agora, o Palácio do Planalto trava uma luta contra o relógio para aprovar a proposta até o fim de junho. Não sem motivo: no segundo semestre, o Congresso entra numa espécie de recesso branco para a campanha e fica às moscas.

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Reclamação sobre 6x1 chegou ao ministro da Secretaria de Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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