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COP 30

Taxistas de Belém se preparam para aumento da demanda durante COP 30

Profissionais do transporte de passageiros aguardam influxo de visitantes e destacam preparação com cursos de capacitação e aumento da frota.

Eva Pires e Jéssica Nascimento

29 de outubro de 2025 às 08:30

Taxista de Belém.

Taxista de Belém. ( Foto: Foto: Thiago Gomes )

Faltando menos de duas semanas para o início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em Belém de 10 a 21 de novembro, taxistas da capital paraense se preparam para o grande aumento na demanda. Com a chegada de representantes internacionais e turistas, motoristas estão se adaptando para garantir o melhor atendimento, incluindo capacitação para lidar com turistas e uma frota ampliada.

A expectativa para o aumento da movimentação na cidade é uma constante entre os taxistas. Lotar Nelson, com 15 anos de experiência, destaca que, apesar da cidade já estar se preparando para a conferência, a demanda de passageiros aumentou significativamente nos últimos dias. "Já peguei sete passageiros que vieram para a COP e outros que estão fazendo levantamentos para montarem seus formulários", conta.

Porém, o que mais chama atenção são as capacitações oferecidas para os motoristas. Alguns taxistas, como Valter Vieira, participaram de treinamentos específicos, que abordaram temas como o atendimento a turistas e o uso de inglês básico.  "Fizemos uma prova pelo celular. Estamos aguardando a liberação do certificado", explica Vieira. 

Valter Vieira.
Valter Vieira. (Foto: Thiago Gomes)

Para ele, esses cursos são essenciais para garantir que os visitantes tenham uma experiência satisfatória. "Acredito que a gente está preparado para receber as pessoas, mas é importante estar bem treinado para não perder oportunidades", afirma.

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Aumento da frota e adaptação ao novo cenário

Com o aumento da demanda por táxis, muitos motoristas, como Nelson, estão ampliando a frota de veículos para atender tanto os participantes da COP 30 quanto os moradores da cidade. 

Lotar Nelson.
Lotar Nelson. (Foto: Thiago Gomes)

"A demanda vai ser alta, não só para os delegados da COP, mas também para quem usa táxi no dia a dia", diz ele, que já começa a observar mais turistas circulando pela cidade.

Além disso, uma das preocupações dos motoristas é a questão dos preços. No entanto, segundo Valter, não há previsão de reajuste nos preços durante o evento. 

"Já houve um aumento de R$ 0,46 no mês passado, mas, por enquanto, não haverá novos reajustes", afirma.

A medida traz tranquilidade para os taxistas, que temem o impacto de possíveis aumentos em um período de alta demanda.

Expectativa positiva para o evento

Ambos os taxistas demonstram otimismo em relação à capacidade de Belém em receber grandes eventos como a COP 30. A cidade, que já é um ponto turístico importante na região Norte, agora se prepara para dar uma visibilidade internacional ainda maior. 

Para Nelson, o evento internacional será uma oportunidade de mostrar a hospitalidade e a estrutura de Belém para o mundo.

"Eu acredito que a cidade está preparada, e nós também estamos. Vamos fazer o nosso melhor para que todos se sintam bem-vindos", disse.

Apesar dos desafios, o sentimento entre os taxistas é de confiança. A capital paraense já conta com um sistema de transporte adaptado, e a inclusão de treinamentos específicos só reforça a ideia de que o evento será uma vitrine para a cidade e para os profissionais locais.

Transfer deve reduzir parte da procura direita por táxi

O secretário do Sindicato dos Taxistas de Belém, Adilson Roldão, afirmou que a categoria está otimista com a chegada da COP 30 e acredita em um aumento significativo na demanda por corridas durante o evento. “A nossa expectativa é bastante positiva em relação ao aumento da demanda por corridas de táxi durante a COP 30”, disse. Segundo ele, mesmo diante da “concorrência desleal de cerca de 12 mil carros de aplicativos não legalizados”, os 3 mil taxistas regulamentados de Belém seguem cumprindo todas as normas e exigências legais para atuar na cidade.

Roldão destacou que cerca de 60% dos visitantes devem chegar com o serviço de transfer incluído nos pacotes de viagem, o que pode reduzir parte da procura direta pelos táxis. Ainda assim, acredita que haverá crescimento expressivo nos deslocamentos internos, principalmente entre hotéis, pontos turísticos, centros de eventos e áreas comerciais. “A categoria está preparada para atender com qualidade, segurança e profissionalismo, reforçando o papel essencial dos taxistas na mobilidade urbana e na recepção dos visitantes”, afirmou.

O secretário explicou que o Sindicato não promoveu treinamentos específicos por falta de recursos financeiros, mas apresentou diversas propostas ao poder público, por meio da Secretaria de Governo de Belém (Segbel), sem retorno até o momento, segundo ele. Entre as sugestões enviadas estão cursos de idiomas (inglês, espanhol e noções de Libras), capacitações sobre gestão do táxi como negócio, história e identidade de Belém, além da produção de guias turísticos e materiais de apoio para os profissionais.

De acordo com Roldão, o Detran chegou a realizar três reuniões com representantes da categoria, apresentando a proposta de um cadastro para cursos de idiomas, padronização visual dos veículos e emissão de crachás, mas o projeto não avançou. “A listagem dos interessados foi entregue, mas a iniciativa não teve continuidade”, lamentou.

Mesmo diante das dificuldades, o secretário disse que os taxistas seguem determinados a oferecer o melhor serviço possível. “Nos sentimos frustrados, mas continuamos confiantes, contando com a experiência de cada profissional e até com o apoio de ferramentas como o Google Tradutor para atender bem o público durante a COP 30”, concluiu.

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