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FEBRABAN TECH 2025

Exclusivo: Febraban prepara regra comum de mensuração de carbono para COP 30, revela diretor

Durante o Febraban Tech 2025, federação anunciou que levará à conferência da ONU em Belém proposta inovadora de padronização das emissões no sistema financeiro.

Jéssica Nascimento, direto de São Paulo

15 de junho de 2025 às 07:15

Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban.

Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban. ( Foto: Foto: Jéssica Nascimento )

No maior evento de tecnologia e inovação do setor financeiro, o Febraban Tech 2025, realizado esta semana em São Paulo, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou uma iniciativa inédita que será levada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), marcada para novembro em Belém. Trata-se da criação de uma regra comum para mensurar as emissões de carbono dos bancos, que promete estabelecer um novo padrão no sistema financeiro brasileiro — e que pode ganhar destaque no cenário internacional.

O anúncio foi feito por Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban, durante uma entrevista exclusiva ao Grupo Liberal no evento. “Estamos preparando uma proposta para apresentar na COP 30. É uma contribuição que parte da nossa taxonomia verde e visa padronizar como os bancos medem suas emissões de carbono”, revelou. “Não se trata apenas de apresentar algo no evento. É parte de um processo contínuo que já estamos desenvolvendo com os bancos”, explicou.

Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban, durante entrevista ao Grupo Liberal.
Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban, durante entrevista ao Grupo Liberal. (Foto: Jéssica Nascimento)

Setor financeiro como protagonista climático

O setor bancário brasileiro já vem se posicionando de forma estratégica frente aos riscos climáticos e ambientais. Desde 2015, a Febraban desenvolveu uma taxonomia verde própria — uma régua comum que classifica e mede o crédito destinado à economia verde. Essa ferramenta permitiu aos bancos identificar e monitorar quanto de suas carteiras está exposto a riscos climáticos ou vinculado a atividades sustentáveis.

“Essa não é uma agenda nova para nós”, destacou Oliva. “Há mais de uma década os bancos tratam o risco climático como risco financeiro. Tragédias como a do Rio Grande do Sul mostram que eventos extremos impactam diretamente os negócios e a economia.”

Além da taxonomia, a Febraban tem mantido um sistema robusto de autorregulação socioambiental, criado em 2014 e atualizado recentemente para incorporar boas práticas internacionais. A nova versão dessa regra entrou em vigor neste ano, reforçando compromissos com a transparência, a mitigação de riscos e a transição energética.

Amazônia como prioridade

Uma das ações mais impactantes no campo ambiental foi o protocolo lançado em 2024, voltado especificamente para o bioma amazônico. A medida determina que os bancos só concedam crédito a frigoríficos e fornecedores de carne que comprovem, com base em sistemas de rastreabilidade, que o gado não provém de áreas com desmatamento ilegal.

“Esse protocolo é essencial porque a maior fonte de emissões do Brasil ainda é o desmatamento, especialmente ilegal, ligado à pecuária. Nossa meta é que, até o final deste ano, todos os clientes dos bancos estejam em conformidade com essas exigências”, afirmou Oliva.

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Educação financeira com tecnologia e IA

A transformação tecnológica também tem sido fundamental no trabalho da Febraban. Além das ações voltadas ao clima, o evento destacou iniciativas de inclusão e educação financeira. Uma das mais aguardadas é o lançamento de uma inteligência artificial voltada à orientação de consumidores endividados.

A IA será integrada à plataforma digital gratuita “Meu Bolso em Dia”, em parceria com o Banco Central e, agora, com a Amazon, que desenvolverá um chat interativo. O sistema permitirá que qualquer cidadão receba orientações personalizadas sobre finanças, com base em diagnósticos individuais de saúde financeira.

“Estamos criando mecanismos digitais de grande escala porque o Brasil é um país continental. Essa IA ajudará desde consumidores comuns até comunidades inteiras a entenderem como sair das dívidas e melhorar sua vida financeira”, explicou Oliva.

COP 30: um marco para o futuro

A CO P30, que será sediada pela primeira vez na região amazônica, é vista como uma oportunidade histórica para o Brasil mostrar liderança em soluções climáticas. O setor financeiro, representado pela Febraban, promete ter protagonismo.

Com a proposta de uma padronização nacional da mensuração de emissões e ações concretas de transição energética, os bancos se posicionam como vetores de mudança — indo além de seu papel tradicional de financiadores.

“O evento da COP vem e passa, mas essa agenda é contínua. Nosso trabalho com os bancos é permanente. Estamos falando de uma jornada de longo prazo”, concluiu Amaury Oliva.

Sobre o Febraban Tech

Realizado anualmente, o Febraban Tech é o principal ponto de encontro entre lideranças do setor financeiro, tecnologia, varejo e sustentabilidade. Em 2025, o evento reforçou seu papel como catalisador de soluções para os grandes desafios da economia digital e climática.