Escola de Aplicação da UFPA vai abrigar 2,7 mil indígenas durante a COP 30
"Somos os maiores guardiões da floresta e da biodiversidade”, disse a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara; pela manhã, ela visitou a escola da UFPA

A Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará, em Belém, deverá receber aproximadamente 2.700 indígenas que vão participar da COP 30, que será realizada na capital entre os dias e 10 e 21 de novembro deste ano. A informação foi dada, nesta sexta-feira (29), pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, à Redação Integrada de O Liberal. Pela manhã, e acompanhada de uma equipe técnica, ela visitou a Escola de Aplicação da UFPA, localizada na avenida Perimetral, onde, explicou, será instalada a Aldeia COP.
Trata-se de um espaço de referência com identidade indígena para receber os povos originários durante a COP 30. O ministério trabalha com um número limite de 3 mil indígenas naquela escola da Universidade. Com bastante espaço físico, a escola conta com salas de aula climatizadas, refeitório, quadra de esportes e área verde. Segundo Sonia Guajajara, a Aldeia COP será muito mais do que um local de alojamento. O espaço foi idealizado para abrigar cerca de 2.700 indígenas de todo o Brasil e também de outros países, funcionando como centro de convivência, articulação política e cultural. “Aqui é para ser um espaço de alojamento. Mas, para além disso, também de ter esse espaço de convivência, de encontros, de debate e organizar essa participação indígena em todo o evento”, disse.
A ministra explicou que um processo preparatório foi conduzido em todos os estados do Brasil, com debates sobre os temas da COP e definição das delegações indígenas. “Aqui nós teremos indígenas de todo o Brasil, de todos os estados brasileiros. Nós fizemos um processo preparatório em todos os estados, foi informado o que é a COP, quais os temas, o que se discute aqui, e também a definição do quantitativo de pessoas por estado”, afirmou. Representantes indígenas internacionais também deverão se integrar à Aldeia COP.
Sobre a estrutura, Sonia Guajajara informou que esse processo está sendo articulado com a vice-reitoria, pró-reitorias e diretorias da UFPA. “A ideia é que aqui a gente tenha os espaços do alojamento, com estruturas provisórias, a tenda de debate, praça de alimentação, espaços para apresentação cultural, de forma que aqui seja um grande evento que estará aberto para a visitação da sociedade e dos convidados que estarão aqui de fora. E a gente poder apresentar essa diversidade de cultura, de povos que têm no Brasil”, explicou.
A agenda da ministra em Belém inclui ainda visitas às demais estruturas da COP 30, como os pavilhões oficiais. “Teremos um pavilhão na Zona Azul, teremos o pavilhão do Círculo dos Povos na Zona Verde. Então a gente vai visitar também esses espaços e já ir nos familiarizando onde que a gente vai estar com a presença mais frequente durante todo o evento”, disse.
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A previsão é que cerca de 3 mil indígenas participem diretamente da COP 30, embora esse número possa crescer, especialmente com a chegada de povos originários do próprio Pará. “Sempre há uma imprevisibilidade que pode chegar a outros indígenas, principalmente aqui do Pará, os que estão mais próximos devem se organizar para vir, então a gente está também contando com esses imprevistos”, observou.
A ministra ressaltou que a Aldeia COP estará conectada à programação da Zona Verde, Zona Azul e à Cúpula dos Povos. “A agenda que a gente vai construir aqui estará conectada com a agenda que vai acontecer na Zona Verde e também com os debates na Zona Azul. O movimento indígena está com uma programação na Cúpula dos Povos, onde haverá uma grande presença de muitos movimentos sociais, e a gente vai conectar a Aldeia COP com todos esses espaços”, afirmou.
Sonia Guajajara também mencionou o protagonismo indígena nos debates climáticos internacionais. “Durante o período preparatório, nós trouxemos os temas que serão debatidos, criamos posicionamentos, discutimos a nossa contribuição para o plano clima, para o plano de adaptação, para o plano de mitigação. E agora a gente vai fazer nossos debates, de forma que essa voz seja ouvida em todos esses espaços”, disse.
A ministra citou a iniciativa Kuntari Katu, um processo de formação de lideranças indígenas para negociações internacionais de meio ambiente, que já tiveram participaram em eventos no exterior. “Agora eles também estarão com essa participação dentro da sala de negociações, falando diretamente com os nossos diplomatas”, afirmou. Sonia Guajajara deixou uma mensagem à população paraense diante da realização da COP 30 em Belém: “Esse evento não pode ser somente um grande evento global. Tem que ser um evento que deixe legado, que tenha as decisões necessárias e reais para que a gente possa ter as condições estruturais para fazer o enfrentamento real a essa crise climática. E os povos indígenas estão preparados para sermos protagonistas nesse debate, porque, afinal de contas, nós somos os maiores guardiões da floresta e da biodiversidade”.
Reitor da UFPA diz que Escola de Aplicação será espaço estratégico
Reitor da UFPA, o professor Gilmar Pereira disse que a Escola de Aplicação será um espaço estratégico, com uso exclusivo de suas instalações e áreas verdes para a programação organizada pelo Ministério dos Povos Indígenas entre 6 e 21 de novembro. Uma comissão conjunta do Ministério dos Povos Indígenas e da UFPA trabalha para dar andamento às adaptações necessárias para a acolhida, afirmou.
“Poder mais uma vez receber a ministra e sua equipe, na UFPA, e hoje pela primeira vez na Escola de Aplicação da UFPA, reforça uma parceria fundamental para garantir a participação qualificada dos povos indígenas na COP 30. Hoje, não pude participar presencialmente do encontro em virtude de uma missão institucional fora do Estado, mas a Prefeitura do Campus as Pró-Reitorias de Extensão, Planejamento e Administração, além da vice-reitora, se fizeram presentes para dar seguimento a uma articulação iniciada em março deste quando a ministra esteve no meu gabinete fazendo a proposta desta parceria”, disse.
O reitor Gilmar afirmou ainda que, para a UFPA, é motivo de muito orgulho contribuir para uma agenda que reconhece o protagonismo do saber ancestral como caminho indispensável no enfrentamento à crise climática. “A COP será um momento histórico para reafirmar que as soluções passam pela escuta e valorização das vozes que protegem a Amazônia há milênios”, disse.
Vice-reitora da UFPA acompanhou visita da ministra
A vice-reitora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Loiane Prado Verbicaro, também acompanhou a visita da ministra, juntamente com o diretor da Escola, professor Edilson dos Passos Neri Junior. “Hoje nós recebemos a ministra e sua equipe na Escola de Aplicação dentro da Universidade Federal do Pará. É o momento de conhecer mais detalhadamente os nossos espaços, a nossa estrutura. E, a partir de agora, a elaboração de um plano de trabalho mais concreto, a partir de um planejamento também mais concreto, para que isso aconteça a tempo de receber todos os grupos indígenas aqui na nossa escola de educação”, afirmou.
Segundo a vice-reitora, praticamente todos os espaços da escola estão disponíveis para a realização das atividades previstas. “Nós temos todos os espaços da escola disponíveis, com exceção de algumas poucas salas da educação infantil. Mas a escola como um todo, tanto na área de lazer quanto nas salas de aula, está disponibilizada para receber os indígenas”, explicou.
A professora Loiane também ressaltou o engajamento da universidade no processo de preparação para a COP. “A UFPA tem trabalhado intensamente. Nós estamos já vivendo a COP ao longo desse ano inteiro, tanto com ações de debate, de discussão, mas também de planejamento para que a gente construa um legado muito significativo para a COE. É uma interação com as várias instituições, tanto de ensino, quanto governamentais, para avançar nesse debate que é tão importante para o desenvolvimento da nossa Amazônia”, concluiu. A Escola de Aplicação da UFPA é uma escola pública responsável pela oferta de educação infantil, ensino fundamental de nove anos, ensino médio e educação de jovens e adultos.
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