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Marina Silva fala sobre o esforço de pautar o tema dos combustíveis fósseis durante a COP 30

Discussões na COP 30 evidenciam, segundo a ministra, que desenvolvimento e proteção ambiental podem avançar juntos

Thaline Silva*

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta sexta-feira (28), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, que a demarcação de terras indígenas é “necessária, legítima e uma questão de justiça”. A fala ocorreu ao comentar medidas do governo federal, incluindo territórios homologados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o debate sobre grandes obras de infraestrutura discutidas durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30).

Ao ser questionada sobre o impacto dessas demarcações e o calendário de lançamento de ferrovias — entre elas a Ferrogrão —, Marina destacou que a pauta indígena está diretamente ligada à garantia de direitos básicos. “Sempre que você fala em terras indígenas eu lembro dos Guarani Kaiowá, que apresentam um dos maiores índices de suicídio do mundo porque foram subtraídos de suas terras, vivem à beira de estradas e enfrentam violência avassaladora, inclusive assassinato de lideranças. Quem tem princípios éticos e respeito à dignidade humana sabe que essas pessoas têm direito aos seus territórios”, afirmou.

A ministra disse ainda que o governo Lula tem conduzido o processo de demarcação de maneira “criteriosa”, reforçando que se trata de uma reparação histórica.

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COP 30 e agenda climática

Ao tratar das negociações climáticas da COP 30, Marina ressaltou o esforço do Brasil para incluir no debate temas considerados estratégicos. “Em relação à COP 30, foi um esforço muito grande para a conferência colocar o tema dos combustíveis fósseis no debate e o tema do desmatamento”, afirmou. Segundo ela, o posicionamento brasileiro foi fundamental para reforçar que “é perfeitamente possível você ter desenvolvimento econômico sem precisar destruir as bases naturais do seu próprio desenvolvimento”.

A ministra citou dados recentes do governo para exemplificar esse equilíbrio. “O maior exemplo disso é o Brasil: o desmatamento está caindo 50% nesses três anos de governo Lula, e o agronegócio cresceu 17%. Ou seja, criminalidade ambiental não tem relação com desenvolvimento”, declarou.

Para Marina, o avanço tecnológico, a ampliação de práticas sustentáveis e o fortalecimento das políticas ambientais mostram que o país pode aumentar sua produção sem comprometer seus biomas.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

 

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