Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público (Poder Judiciário do Pará)

Tensão na agenda política de Jair Bolsonaro e implosão no PSL

A semana conturbada em Brasília

Rodolfo Marques

A semana iniciada em 13 de outubro talvez tenha a marca da de maior tensão política dentro da gestão de Jair Bolsonaro (PSL). O presidente da República entrou em conflito aberto com seu partido e com algumas de suas principais lideranças no Congresso Nacional. Essa briga, iniciada nas últimas semanas, tem como principais aspectos a denúncia sobre supostas candidaturas-laranja do partido, em 2018; o controle do PSL e do fundo partidário superior a 100 milhões de reais neste ano; e a real liderança de dois filhos do presidente dentro da agremiação partidária – o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o “01”, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o “02”. Dessa forma, o PSL se “partiu”, com uma ala favorável ao grupo de Jair Bolsonaro e outra ala vinculada ao presidente nacional da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE).

A Câmara dos Deputados registrou momentos que lembravam as disputas por votos em grêmios estudantis. Houve, por exemplos, listas de assinaturas para destituir e também para manter o Delegado Waldir como líder do PSL na Casa. Um dos articuladores para a saída de Waldir de sua função de liderança foi o próprio Jair Bolsonaro. De forma reativa, o delegado chamou de “traições” e “vagabundagem” as atitudes do presidente da República. Áudios vazados por ambos os grupos tornaram o cenário ainda mais complicado. Esse tipo de declaração é extremamente preocupante pelo contexto e pela necessidade de avanços democráticos no Brasil.

Nessa mesma querela, a deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP) perdeu o cargo de líder do governo no Congresso Nacional também por articulação do grupo político ligado ao presidente da República. Embora continue apoiando o presidente da República, Hasselman chegou a comentar que Bolsonaro tem “inteligência emocional de menos 20”, mostrando que os destemperos e a falta de preparo do chefe do Poder Executivo vêm sendo muito prejudiciais ao país.

E, para movimentar ainda mais o cenário atual, Jair Bolsonaro teria desistido, momentaneamente, de indicar o seu filho Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington. Tal decisão é motivada para buscar maior apoio dentro do Parlamento, com a presença do filho, e porque se entende que Eduardo não teria o número de votos suficientes no Senado para a viabilização de seu nome a tão importante cargo diplomático. É mais uma prova da perda progressiva de apoio político que vem caracterizando a gestão de Bolsonaro.

Ainda no contexto político-jurídico, foi colocado em pauta no Supremo Tribunal Federal o tema da mudança de regra para prisão após condenações em segunda instância. O resultado final pode beneficiar o ex-presidente Lula, que cumpre pena em Curitiba desde abril de 2018, após condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em segunda instância, em janeiro do mesmo ano.

No âmbito do estado do Pará, o governador Helder Barbalho teve o desafio de participar, como debatedor, de programação na Universidade de Princeton (Estados Unidos), entre os dias 17 e 18 de outubro, tendo como tema “Salto da Amazônia: visão de longo prazo para proteger a Amazônia para o Brasil e o planeta”. A Conferência foi organizada pela Brazil LAB de Princeton e a participação do governador paraense no evento confirmou seu papel de protagonismo na interlocução a respeito da questão amazônica. O evento reuniu cientistas brasileiros, gestores públicos e líderes ambientais, entre outros.

Assim, enquanto que no nível estadual Helder Barbalho vem conseguindo manter suas bases políticas solidificadas, a despeito da insatisfação de algumas categorias profissionais, no contexto nacional, a postura beligerante de Jair Bolsonaro vem “contribuindo” para a sua falta de articulação política, os dissensos e intolerâncias no país e a fragilização das instituições. O desprezo pela política e pelas articulações partidárias vem sendo uma marca extremamente negativa na gestão de Jair Bolsonaro. Em 2018, ele prometeu uma “nova política” e gerou expectativas em seus eleitores.

A economia está estagnada, os programas sociais encontram-se travados e setores essenciais como a educação e a saúde públicas se mantêm em crise.  Além de parecer tão igual aos que ele tanto criticava, Bolsonaro vem perdendo espaço entre seus próprios seguidores e junto à população em geral, em especial pela sensação de paralisia administrativa que é denotada em seu governo. O Brasil merece mais!

Rodolfo Marques
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