MENU

BUSCA

Eleições 2022: Haverá a prática do 'voto útil'?

Rodolfo Marques

Com a proximidade das eleições 2022, em especial o pleito presidencial, emerge a discussão sobre o chamado “voto útil”. Mas o que seria essa categoria de voto em um contexto eleitoral?

Por definição, o voto útil – ou estratégico – ocorre quando é feita a escolha por um candidato que não é, necessariamente, a primeira opção daquele eleitor, em um contexto específico. Candidatos que se posicionam mais à frente das pesquisas começam a trabalhar pelo voto útil para viabilizar suas vitórias, enquanto quem não está tão cotado busca deter a “sangria” de perda de votos na reta final das eleições.

Nas eleições presidenciais de 2022, com um favoritismo destacado para o ex-presidente Lula (PT), seguido pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PL),  a busca pelos votos de indecisos – já poucos – e, principalmente, pelos de Ciro Gomes (cerca de 8%) e de Simone Tebet (cerca de 5%) tende a ser mais recorrente. Um cenário mais claro e previsível das escolhas eleitorais fortalece tal movimento.

No modelo da democracia representativa, com as escolhas periódicas feitas pelos eleitores para a definição dos cargos executivos e legislativos, a briga é intensa pela preferência de cada um. Nos pleitos majoritários – como os de presidente da República e os de governadores –, isso se torna ainda mais evidente.

Será, então, que o voto estratégico ou útil se fará presente de forma decisiva no primeiro turno das eleições presidenciais? É possível que aconteça, embora os cinco últimos pleitos presidenciais (2002, 2006, 2010, 2014 e 2018) tenham sido resolvidos apenas no segundo turno – e todos eles, pelo menos com um candidato representando o Partido dos Trabalhadores, favorito em 2022.

Segundo o último levantamento do DataFolha, divulgado em 15 de setembro, Lula teria 48% dos votos válidos – no limite da margem de erro para vencer, possivelmente, no próprio dia 02 de outubro. Embora sejam números baixos nessa altura do pleito, os cerca de 13% de eleitores que estão com Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) demonstram uma certa solidez.

Parte dos eleitores do pedetista e da emedebista pode dar ao petista a vitória sem a necessidade de um segundo turno, que tenderia a um maior acirramento. Ou, por outro lado, mantendo suas escolhas originais, esses eleitores podem conceder a Lula e a Jair Bolsonaro o desafio e a oportunidade para disputarem uma “segunda volta” e, assim, aprofundar debates e aumentar os esforços para convencer a maioria.

Veremos, na noite do primeiro turno das eleições, qual perspectiva prevaleceu.

Rodolfo Marques