Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Bolsonaro recupera parte de aprovação, apesar de números da covid-19; Pará executa agenda positiva

Rodolfo Marques

Em pesquisas recentes divulgadas pelo XP/Ipespe e por outros institutos, a aprovação do presidente Jair Bolsonaro apresentou incremento de 2 a 4 percentuais, indicando 28 a 33% de acordo com as diferentes bases de dados. Os números atuais são bem superiores aos de maio, quando o Brasil enfrentava um de seus piores momentos no contexto da pandemia da covid-19, além da repercussão da saída do governo por parte dos ministros Luiz Henrique Mandetta e Sérgio Moro – ainda em abril –, e no contexto de declarações e ações desastrosas do próprio presidente da República.

É possível identificar dois fatores para essa recuperação imagética junto à opinião pública por parte do presidente Bolsonaro. Um deles é a questão da ampliação do auxilio emergencial no valor de R$ 600. O pagamento, viabilizado a partir da mobilização do Congresso Nacional, foi estendido por mais dois meses – totalizando 5 parcelas – e vem ampliando o apoio das populações mais carentes – inclusive no Norte e no Nordeste, onde Bolsonaro tem mais popularidade. A possibilidade do lançamento de um programa chamado “Renda Brasil”, em substituição ao Bolsa-Família, insere-se em um mesmo campo estratégico do Planalto no atendimento às parcelas pobres da população.

O outro ponto que pode ter colaborado para essa melhora na popularidade de Bolsonaro é o recuo em algumas posições públicas, principalmente em relação à pandemia. O presidente vem evitando declarações polêmicas neste mês de julho e isso evita que se crie uma pauta negativa e mais crítica em relação a ele. E o chefe do executivo estadual continua na sua estratégia discursiva de transferir para governadores e prefeitos a responsabilidade pelos números desastrosos da covid-19, no Brasil. Há uma falsa premissa de que o “pior já passou” em relação à pandemia, embora os dados gerais indiquem exatamente o contrário. O Brasil chegou, em 24 de julho de 2020, a aproximadamente 2 milhões e 300 mil casos e a cerca de 85.000 mortos.

No contexto regional, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB-PA), permanece com a busca pela manutenção de uma agenda positiva de retomada, ainda no contexto do enfrentamento da covid-19. O governo vem intensificando os projetos e as execuções de obras públicas, como asfaltamentos de vias públicas em alguns municípios, a viabilização da construção da Casa da Cultura de Salinópolis, a reforma do estádio Olímpico do Pará e a realização de reuniões setoriais para o incentivo à geração de empregos e renda. Helder detém boa popularidade em todo o estado e parte desse prestígio será testado nas eleições de novembro de 2020, em que que hipotecará apoio a vários candidatos nos 144 municípios do Pará

Dessa forma, o cenário que se desenha aponta um presidente com mais suporte popular – embora as investigações sobre o “Caso Queiroz” e a respeito das Fake News disseminadas pelos filhos de Bolsonaro possam prejudicar o governo. A instabilidade política em que o país ainda vive é derivada das ações do próprio governo – ou da falta delas. Ainda assim, Bolsonaro tem conseguido manter um apoio relativamente significativo da população do país.

Observemos como serão os próximos movimentos políticos – e se estes alterarão o cenário ora verificado.

Rodolfo Marques
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