CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

O.J.C. MORAIS

OCÉLIO DE JESÚS C. MORAIS

PhD em Direitos Humanos e Democracia pelo IGC da Faculdade de Direito Coimbra; Doutor em Direito Social (PUC/SP) e Mestre em Direito Constitucional (UFPA); Idealizador-fundador e 1º presidente da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social (Cad. 01); Acadêmico perpétuo da Academia Paraense de Letras (Cad. 08), da Academia Paraense de Letras Jurídicas (Cad. 18) e da Academia Paranaense de Jornalismo (Cad. 29) e escritor amazônida. Contato com o escritor pelo Instagram: @oceliojcmorais.escritor

O coração humano precisa se apaixonar pela ética

Océlio de Morais

Ela sempre me intrigou. E provavelmente também já intrigou aquele que a leu e  a  internalizou com intensidade reflexiva. 

Como alguém aprisionado aos desafios inóspitos do deserto  – o deserto de sua própria ignorância, sem rumo e perdido –, sempre me inquietou porque entendia que ela passava a ideia de omissão ou conivência com as injustiças.

Refiro-me à metáfora da régua ou da medida  certa equivalente, pronunciada por Jesus Cristo naquele memorável Sermão da Montanha, no conjunto  de ensinamentos éticos e espirituais, que Mateus (7:1-2) narrou assim para a posteridade: 

  • "Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
  • Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.”

Muitos, ali, podem ter entendido errado, lá no pé da montanha.  E podem ter ficado intrigados e inseguros.   E talvez muitos tenham pensado mais ou menos assim, quando testemunhas de uma injustiça: é melhor fingir que não vi nada errado e ficar com a boca fechada, pois se eu julgar o erro do próximo, também serei julgado da mesma forma e com a mesma medida. 

A metáfora é, de fato, intrigante. Ainda nos dias de hoje é  muito possível que  muitos ainda pensem da mesma forma.

A  metáfora não foi uma ameaça. Não foi um convite implícito à conveniência ou à omissão diante das injustiças. Antes, é um profundo desafio colocar todos (indistintamente) diante do tribunal ético da própria consciência,  como uma espécie controladora das próprias ações antiéticas e das precipitadas (e injustas) opiniões e condenações morais contra terceiros.

A metáfora destinada ao coração. Não  ao coração duro (resistente à verdade) e pesado (insensibilidade moral) do Faraó. Foi o recado direto ao coração sensível, honesto e aberto à superação das hipocrisias estruturais de então – a coragem  destinada a restabelecer a verdade libertadora no mundo inteiro.

A mensagem ética foi realçada  no mesmo contexto sequencial, quando o mais nobre filósofo das metáforas e parábolas éticas-espirituais usou a metáfora do “cisco no olho”, para se referir às hipocrisias humanas reveladas nas aparências e nos falsos julgamentos morais: Ela foi assim captada e transmitida  por Mateus (7:3-25):

  • "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
  • Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando há uma viga no seu?
  • Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”. 

Jesus, lá do elevadíssimo patamar ético e de sua maravilhosa espiritualidade, percebeu  a hipocrisia dos costumes religiosos e sociais de seu tempo, durante aqueles intensos três anos de pregação pública, antes de sua crucificação. 

A crucificação é patrocinada pela conspiração política e religiosa  coligada  pelos  governantes romanos e  pela forte influência de grupos como os fariseus e doutores da lei. 

Hoje já compreendo, que as duas metáforas   são  inerentes às fissuras vícios éticas e morais, que podem levar a qualquer um para o fundo do abismo escuro da própria consciência.

A moral dessas  metáforas não é a omissão diante das coisas erradas, nem a conivência com  as injustiças.  A moral que fica para a história da humanidade, – assim penso –,  é a necessidade de cada um, todos os dias,  não esquecer de tirar  o cisco do próprio olho. 

Por outro sentido: que cada um  faça uma autorreflexão sincera para eliminar os próprios vícios e, então, pelo exemplo de vida, seja um paradigma fraternal ao próximo que ainda está aprisionado  às aparências dos vícios. 

Numa síntese: para retirar o “cisco ou a trave  do olho” – tarefa duríssima porque o apego à matéria é muito forte –  a  chave é essa: o coração humano precisa se apaixonar  pela ética  honesta e pela espiritualidade,  para afastar a hipocrisia social e a hipocrisia espiritual.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Océlio de Morais
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM OCÉLIO DE MORAIS