CARLOS FERREIRA

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro. | ferreiraliberal@yahoo.com.br

Parazão, cumprir a lei é o caminho

Carlos Ferreira
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Já se vão dez meses de novela jurídica, desde que o Paragominas acusou ilegalidade de Hatos no Bragantino e Guga no Águia. O processo já suspendeu o campeonato de 2022 por duas semanas e agora adia o início do campeonato de 2023, sem desfecho. Desta vez não cabe solução alternativa. O caminho é cumprir a lei.

A decisão a ser tomada pelo Pleno do STJD, provavelmente na outra quinta-feira, 02/02, vai manter o Bragantino e Águia ou substituí-los por Paragominas e Amazônia. Depois, só restariam instâncias na Justiça Comum. O fato é que o nosso futebol está pagando o preço da irresponsabilidade dos que insistem em "empurrar com a barriga" as questões mais embaraçosas. Nessa, o TJD foi mais Teatro do que Tribunal.

Vício de origem

Tanto da 1a como na 2a divisão, ano a ano, o Campeonato Paraense está tomado por sucessivos imbroglios jurídicos. Por quê? Pelo vício de origem: despreparo da maioria dos clubes do interior nas questões burocráticas. "Farejadores" detectam as irregularidades e vendem a informação aos interessados mais desesperados.

Mais cedo ou mais tarde, com esses ou aqueles clubes, o Parazão 2023 vai começar. Na hora da decisão de rebaixamento vai surgir uma nova denúncia e outra novela virá. A FPF já foi alertada algumas vezes por esta coluna, com a recomendação de treinamento para os responsáveis pela área burocrática do futebol nos clubes. Se isso não eliminaria, seguramente minimizaria as irregularidades. Mas a FPF preferiu a omissão, mesmo nessa nova gestão que parece determinada a colocar o trem nos trilhos.

BAIXINHAS

* Basta observar os casos jurídicos tão recorrentes nos nossos campeonatos para entender o cenário. Os mais frequentes são de atletas que jogaram sem cumprir punição por cartões amarelos, por cartão vermelho ou suspensão do TJD, como Hatos (Bragantino) e Guga (Águia).

* Cabe aos clubes checar suspensão pendente dos seus novos atletas. Mas o TJD, que não dispõe de um sistema capaz de agilizar as informações, também não atende as demandas com a rapidez necessária. O serviço é arcaico!

* O governo do estado investe R$ 8,3 milhões num campeonato que é muito prejudicado pela omissão de uns e pela impotência de outros. Remo e Paysandu, os clubes que mais investem, também têm sua cota de omissão quando não exigem as medidas preventivas.

* Como a coluna mostrou na semana passada, o Campeonato Paraense consumiu cerca de R$ 83 milhões em verbas públicas nos últimos 16 anos, e nem assim é tratado com a devida seriedade. O patrocinador também precisa ser mais exigente.

* A novela atual, protagonizada por Hatos e Guga, é produto de desconhecimento ou de irresponsabilidade do Itupiranga, que não repassou aos seus ex-atletas a notificação de que seriam julgados pelo TJD. Os dois foram expulsos jogando pelo Itupiranga na 2a divisão de 2021.

* Isso teria acontecido se o Itupiranga e demais clubes tivessem recebido  capacitação? A FPF sempre foi omissa nessa questão e tem que ser cobrada pelo cáos. No grande faz de conta do Parazão, quem paga não exige, quem executa não previne, nem todos os participantes têm compromisso. 

Carlos Ferreira
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