Artistas paraenses reverenciam Maria de Nazaré
Devoção à Virgem Maria está intimamente ligada à carreira artística dos filhos da terra
Pedidos, agradecimentos e testemunhos de fé fazem parte da vida dos paraenses que são devotos de Nossa Senhora de Nazaré. Com os artistas da terra não é diferente. Dira Paes, Manoel Cordeiro, Juliana Sinimbú e Adilson Alcântara partilham histórias e memórias que guardam do Círio e da relação com a Virgem exclusivamente para a edição especial de O LIBERAL.
Uma história marcante da atriz Dira Paes com o Círio de Nazaré tem relação com o nascimento do primeiro filho, Inácio. Ela fez uma promessa de que se caso tudo ocorresse bem no parto, o marido iria acompanhar todo o trajeto da romaria, desde a Igreja da Sé até a Basílica Santuário. Tudo deu certo e ele cumpriu.
De família católica, Dira teve contato com a devoção nazarena ainda na infância. Os estudos no Colégio Marista reforçaram a presença mariana em sua vida. Hoje, mesmo morando fora do Pará, ela, sempre que pode, vem a Belém acompanhar o Círio. Na hora do trabalho, a atriz também inclui a Virgem em suas preces. “Eu sempre procuro estar concentrada e emanando forças para que eu desempenhe bem o meu trabalho e sem dúvida, no meio dessas preces, Nossa Senhora de Nazaré está incluída”, conta.
O cantor, compositor e humorista Adilson Alcântara, natural de Vigia, começou a participar do Círio ainda criança, na cidade natal. Foi lá também que teve o primeiro contato com Nossa Senhora de Nazaré. Em Belém, veio pela primeira vez quando tinha por volta de 12 anos, e, junto com toda a família, vivenciou a emoção de ver de perto a procissão.
Ele recorda o exemplo de fé e coragem da irmã, já falecida, que mesmo com a saúde debilitada, acompanhava a romaria na corda. Adilson também lembra que, ainda na adolescência, durante a festividade, viu uma apresentação de Pinduca na Praça Santuário, e ali, pediu para que Nossa Senhora de Nazaré abençoasse sua carreira. “Eu disse 'Meu Deus, quem sabe um dia não serei eu nesse mesmo lugar, nesse palco?'. E, depois de 15 anos, no dia dos fogos do encerramento da festa, ocorreu um show de Adilson Alcântara e Lucinnha Bastos”, lembra ele.“Foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira”, afirma.
Para a cantora e compositora Juliana Sinimbú um momento marcante foi a primeira vez que cantou para a santa. Ela lembra que achava que iria ser fácil, no entanto, foi tomada pela emoção. Em meio às lágrimas, fez uma prece silenciosa de agradecimento à Virgem e conseguiu forças para completar a homenagem. “Eu falei 'Nossa Senhora de Nazaré, me desculpe, mas eu estou lhe dando todo o amor que eu consigo dar para agradecer a vida que tenho, o meio em que vivo, as pessoas que me cercam, a minha família, a essa oportunidade que eu tenho, a saúde...'. E parece que foi aquele pensamento que eu emanei ali, a minha voz voltou e cantei.”.
A artista tem uma relação muito forte com Nossa Senhora de Nazaré e, consequentemente, com o Círio. Mesmo não sendo católica, ela tem a Virgem como símbolo de proteção e sempre busca estar em Belém para vivenciar, ao lado da família e dos amigos, a festividade.
Nascido em Ponta de Pedras, no Marajó, e criado em Macapá, o músico Manoel Cordeiro recorda das vezes que vinha a Belém, acompanhava parte do percurso da romaria no meio do povo. Para ele, está ali, nas ruas, seguindo Maria, é algo que tem muita força. “É engraçado, parece que as coisas vão se adequando, você fica ali, naquela confusão toda e depois você arruma um espaço e pronto, quando vê tá caminhando”, conta.
Ele veio a Belém pela primeira vez aos 18 anos. Nesse mesmo período começou a ter contato com o Círio de Nazaré. Católico e devoto da santa, ele vê Maria expressa em cada mulher da região. “Eu vejo a Maria de Nazaré como uma mulher da gente. Aquela mulher guerreira, batalhadora, que corre atrás”, diz ele.
HOMENAGENS
Em Belém ou fora da capital, os artistas também fazem homenagens a Santa. Manoel Cordeiro atualmente mora em São Paulo, e leva consigo a devoção. Para celebrar o Círio ele realiza, há três anos, um show especial que conta com a participação de artistas paraenses e de outros locais da região Norte. Juntos, eles cantam músicas com a temática nazarena além de repertórios próprios. Há ainda espaço para a culinária típica do Pará, como maniçoba, pato no tucupi e tacacá.
Adilson Alcântara promove algumas apresentações durante o período da festividade. Neste ano, ele também está com o show “Humor à Primeira Espiada - Temporada do Círio”, junto com Epaminondas Gustavo, caboclo interpretado pelo juiz Cláudio Rendeiro.
Já Juliana Sinimbú, há pelo menos dez anos, canta durante a passagem da berlinda para homenagear Nossa Senhora de Nazaré.
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