Morre sambista Meio-Dia da Imperatriz, único paraense tricampeão da Sapucaí
O artista passava por tratamento médico desde 2024
O sambista paraense Orlandino Barbosa, conhecido como Meio-Dia da Imperatriz, morreu nesta segunda-feira (16), em Macapá, no Amapá, aos 55 anos. Ele estava no internado Hospital Universitário (HU) - UNIFAP.
O artista enfrentava um momento delicado de saúde desde 2024, após sofrer com a perda de movimentos e sequelas decorrentes de um AVC isquêmico. Meio Dia realizava tratamento médico constante, que incluía fisioterapia, fonoaudiologia e uso de medicamentos.
Em janeiro de 2024, Meio-Dia participou do projeto Sons do Pará, da TV Liberal, ao lançar a música “Minha Belém”, com o Grupo Eco Samba, para celebrar o aniversário da capital paraense. Na ocasião, ele aproveitou para falar do seu amor pela cidade: “Eu agradeço a Deus por nascer nessa terra chamada Pará e ser paraense raiz, de gostar do Ver-o-Peso, do Re-Pa, do Círio de Nazaré e de todas essas delícias da nossa culinária. Eu agradeço todos os dias.”
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Jorge Luiz de Azevedo, conhecido como Jorginho do Cavaco, acompanhou Meio Dia em Macapá durante todo o tratamento médico. De acordo com ele, o primeiro Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorreu em Belém; em seguida, ele foi para Macapá, onde ficou até o óbito.
“Em 28 de dezembro de 2025, ele sofreu o quarto AVC e, desde então, se internou e não saiu mais do hospital”, explica o amigo.
Meio Dia e Jorginho são amigos há anos, desde o início das suas carreiras artísticas: "Somos amigos de uma vida, desde o final da década de 80; sou paraense e sambista. Ao longo dos anos, tomamos caminhos diferentes quando ele foi para o Rio de Janeiro, em 1999, e eu vim para Macapá, em 2001. Passamos por vários grupos de samba em Belém, como Cabanagem, Roda Viva e Clube do Samba, entre outros. Depois seguimos em carreira solo, ele à frente do Grupo Sovaco de Cobra e eu com passagem pelos grupos Razão de Ser e Zambelê em Belém.”
Meio-Dia da Imperatriz é reconhecido como o único paraense sambista tricampeão na Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro, nos anos de 1999, 2000 e 2001. O artista é conhecido nacionalmente é uma das grandes vozes que encantam no carnaval e que consegue colocar toda a carga cultural, colorida e alegre dessa época nas suas interpretações.
A escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná emitiu uma nota de pesar no seu perfil no Instagram: "O G.R.B.J. Rancho Não Posso Me Amofiná manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do querido Meio-Dia da Imperatriz. Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares, amigos e toda a comunidade do samba, desejando força e conforto para enfrentar essa perda irreparável. Sua trajetória, alegria e contribuição permanecerão vivas na memória de todos que tiveram o privilégio de compartilhar de sua presença. Que sua lembrança siga iluminando nossos caminhos. Com respeito e saudade, G.R.B.J. Rancho Não Posso Me Amofiná."
O sambista Fábio Moreno destacou a importância de Meio Dia para o samba paraense e nacional, além de falar sobre a amizade que tinha com ele.
"Hoje o samba paraense perde uma das suas referências, para não dizer a maior referência que nós tivemos por anos na Marquês de Sapucaí. Meu querido amigo e irmão, Meio Dia da Imperatriz, nos deixou na manhã desta segunda-feira de Carnaval. Um ser sensacional e um baita de um profissional; ele me apadrinhou no Carnaval de Macapá, um dos maiores do Brasil, no ano de 2015, e sempre fomos muito parceiros de palcos e avenidas. Particularmente, estou muito triste. Hoje, dentro da programação do CarnaBelém, irei puxar o bloco que irá reunir mais de 400 ritmistas de várias escolas de samba de Belém na Aldeia Cabana, e farei a homenagem para ele", diz.
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