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Bloco Rabo do Peru celebra o brega nesta edição e marca a despedida do Carnaval em Icoaraci

A concentração começou às 11h, na travessa Soledade, entre Manoel Barata e Padre Júlio Maria

Gabriel Pires e Ayla Ferreira*

O bloco Rabo do Peru ganhou as ruas de Icoaraci, distrito de Belém, nesta quarta-feira (18), marcando um dos últimos grito de carnaval na capital paraense. A concentração começou às 11h, na travessa Soledade, entre Manoel Barata e Padre Júlio Maria. Ao meio-dia, os foliões foram recebidos com a tradicional “Sopa do Peru”. Neste ano, o Rabo do Peru desfila com o tema “Belém, Capital Mundial do Brega”, mantendo a proposta de celebrar as raízes culturais e encerrar a folia nas ruas de Icoaraci. 

O bloco iniciou o trajeto por volta das 15h. O cortejo segui pela travessa Soledade, dobra na rua 15 de Agosto (4ª Rua) e avançou até a esquina com a rua Lopo de Castro, onde permanece até as 19h, totalizando cerca de cinco horas de festa.


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O presidente do Bloco Rabo do Peru, Marcos Moraes, conhecido como Marquinho do Peru, explica que este é o 31º ano do bloco com o tema “Belém, Capital Mundial do Brega”, escolhido por considerarem que a cidade merece esse título e por representarem aspectos culturais do povo paraense. Ele acrescentou que a definição do tema foi inspirada na nomeação de Belém como Capital Mundial do Brega durante a 123ª reunião do Conselho Executivo da ONU Turismo.

"A escolha do tema deste ano foi inspirada em quando o quando o ministro do Turismo. Celso Sabino nomeou Belém como a Capital Mundial do Brega. A gente merece isso em relevar essas coisas que acontecem para onde o povo paraense. E celebrando isso, o Rabo do Peru é do povo, pelo povo e para o povo", frisa Marcos.

A expectativa era de que cerca de 350 a 400 mil pessoas participasssem do bloco nesta quarta (18). E outra marca da folia é que, todos os anos, o Peru é caracterizado de uma forma diferente. “Esse ano foi a estilização de brega, porque o brega é da quebrada. O brega é muito feliz, e felicidade não tem cor, não tem nada. É do coração que vive em harmonia plena”, diz o presidente.

Foliões inovam nas fantasias

À medida que o Rabo do Peru avançava, foi possível ver fantasias criativas por todo o trajeto, desde jovens até adultos e idosos que se juntavam à festa. Muitas famílias também aproveitaram o encerramento do Carnaval para acompanhar o desfile ao longo das ruas. A segurança foi reforçada pela Polícia Militar, que acompanhou o trajeto do bloco. Um pequeno paredão com DJ também ajudou a animar os foliões.

A dona de casa Rosilene Borges, de 57 anos, já frequenta o bloco Rabo do Peru há mais de 20 anos. Todos os anos, ela faz questão de investir em uma fantasia diferente, e este ano optou por representar a personagem Smurfette, uma das protagonistas da história em quadrinhos Os Smurfs. “De alguns anos para cá eu comecei a mandar ‘inventar’ as minhas fantasias. Ano passado eu estava da esposa do Homer [personagens da série animada Os Simpsons]”, conta Rosilene.

Para a criação da fantasia, Rosilene conta com o apoio da vizinha Helena, responsável por costurar a vestimenta. O traje é resultado da colaboração de diferentes pessoas. A peruca, por exemplo, foi comprada pelo marido da dona de casa. “Cada um ajuda um pouco, é um mutirão”, diz. Este ano, o preparo da fantasia de Smurfette levou em torno de uma semana, já que Rosilene optou por comprar a peruca antes mesmo do início dos dias de festa.

Para ela, o Carnaval é um dia para se divertir e sair da rotina em casa. “Venho para cá me divertir, junto com a minha irmã, que todo ano vem comigo. Gosto do Rabo do Peru porque é mais animado, e como eu moro aqui em Icoaraci mesmo, para mim é melhor”, afirma Rosilene.

Já a costureira Sandra Souza, de 67 anos, escolheu aproveitar o bloco vestida de diabinha. “Achei bonitinha”, disse, em meio à risos. Moradora de Icoaraci, ela frequenta o Rabo do Peru há cinco anos, pois vê como um momento de diversão. “Eu não bebo, mas gosto de brincar. Para mim é uma diversão, vim com a minha cunhada e o meu cunhado”, relata Sandra.

Até mesmo O Máskara, personagem de filmes e histórias em quadrinhos, foi visto no meio da multidão. O vigilante Ronaldo Oliveira, de 54 anos, escolheu representar o personagem porque queria trazer um conceito que não é muito visto para a folia. “A gente quase não vê [essa fantasia] no Carnaval de Icoaraci, então quis fazer uma coisa diferente”, relata.

(Com colaboraçaõ de Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades)