VÍDEO: vereador ex-BBB usa peruca e batom ao criticar PL da misoginia
Adrilles Jorge fez protesto na Câmara de SP e questionou definição do projeto aprovado no Senado
O vereador Adrilles Jorge (União) usou peruca e passou batom durante sessão na Câmara Municipal de São Paulo para criticar o projeto de lei que inclui a misoginia como crime de preconceito. A proposta foi aprovada por unanimidade pelo Senado na terça-feira (24) e segue agora para análise da Câmara dos Deputados. Durante a manifestação, o parlamentar afirmou que a medida pode gerar interpretações amplas sobre o que caracteriza misoginia e utilizou a encenação como forma de protesto.
O texto aprovado altera a Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo, para incluir a misoginia — definida como conduta que expressa ódio ou aversão às mulheres — entre os crimes de preconceito ou discriminação. Atualmente, esse tipo de conduta é enquadrado como injúria ou difamação, com penas mais leves. Com a mudança, a punição pode variar de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
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Vereador critica possível ampliação da interpretação
Ao comentar a proposta, Adrilles afirmou que a nova legislação poderia gerar insegurança jurídica e impacto nas relações sociais. Segundo ele, a lei não delimita com precisão alguns conceitos. “Essa lei apenas criminaliza homens. Essa lei vai fazer com que homens se afastem de mulheres”, afirmou durante discurso na tribuna.
A proposta é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e teve relatoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Durante a votação, a relatora destacou o aumento de casos de violência contra mulheres no país. Segundo dados citados pela parlamentar, o Brasil registrou 6.904 vítimas de tentativas e casos consumados de feminicídio em 2025, conforme levantamento do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Entenda os principais pontos do projeto
O texto aprovado prevê mudanças na legislação e amplia a caracterização de crimes relacionados à discriminação:
- Tipifica a injúria por misoginia, quando há ofensa à dignidade da mulher
- Inclui a misoginia entre crimes de preconceito e discriminação
- Amplia a punição para condutas que induzam ou incentivem discriminação
- Exige manifestação externa da conduta para caracterização do crime
- Prevê pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa
O projeto também ajusta o Código Penal para evitar sobreposição de crimes e mantém regras específicas para casos de violência doméstica.
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