Petista Jaques Wagner pediu vaga no Banco Master para o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega
Ex-ministro recebeu R$ 1 milhão mensais para auxiliar na venda do banco, enquanto líderes petistas mantinham articulações com a cúpula da instituição
O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega após um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo apuração da coluna com integrantes da instituição financeira, a remuneração oferecida ao ex-ministro era de R$ 1 milhão por mês. A informação foi revelada pela jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles.
A contratação veio à tona no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante evento em Maceió (AL) nesta sexta-feira (23), fez duros ataques ao Master. Sem citar o banco diretamente, Lula acusou o proprietário, Daniel Vorcaro, de aplicar um “golpe de mais de R$ 40 bilhões”. O presidente afirmou ainda que “falta vergonha na cara” a quem defende o banqueiro. As declarações contrastam com a relação próxima que o Master manteve, até recentemente, com integrantes do núcleo petista.
Mantega só conseguiu a vaga na instituição após a intervenção de Jaques Wagner. Ele passou a atuar para o banco depois de o governo Lula desistir de indicá-lo ao Conselho de Administração da Vale. Embora privatizada, a mineradora segue sob influência política por causa das concessões públicas e dos investimentos de fundos de pensão de estatais. À época, representantes do mercado reagiram contra a indicação, alegando tentativa de interferência do governo na companhia.
A aproximação entre Lula e Mantega tem raízes na lealdade demonstrada pelo ex-ministro durante a Lava Jato - em contraste com nomes como Antonio Palocci, que fez delação premiada e envolveu Lula em supostos recebimentos de propina.
No Master, a função de Mantega era atuar nos bastidores para facilitar a venda da instituição de Vorcaro ao Banco de Brasília (BRB). Ele prestou consultoria até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master, em novembro de 2025. Os valores pagos ao ex-ministro podem ter alcançado pelo menos R$ 11 milhões.
A relação de Wagner dentro do banco era ainda mais estreita com Augusto Lima, sócio de Vorcaro e ex-CEO do Master, baiano e amigo do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). Costa, que estava no palanque do evento em que Lula criticou o banco, também figura no círculo político próximo ao ex-ministro.
Visitas ao Planalto
Enquanto trabalhava para o Master, Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto, sempre recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. As agendas oficiais registram encontros nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro de 2024, todos no 3º andar do Planalto.
Os compromissos aparecem descritos apenas como “encaminhamento de pauta”, sem detalhamento, e identificam Mantega como “ex-ministro da Fazenda”, sem citar sua ligação com o Master. Os registros foram reunidos a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo.
O colunista Lauro Jardim informou, em agosto de 2025, que Mantega conseguiu articular uma reunião entre Lula e Daniel Vorcaro em 2024. O encontro, no entanto, não consta nas agendas públicas.
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