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Ibama autoriza abate de pirarucu em regiões fora da Amazônia para conter espécie invasora

De acordo com o órgão, o pirarucu passa a ser considerado uma espécie exótica invasora quando localizado em outras bacias hidrográficas

O Liberal

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou, a partir desta quinta-feira (19), a captura e o abate de pirarucus encontrados fora de seu habitat natural, a bacia Amazônica. A medida foi oficializada por meio de instrução normativa publicada no Diário Oficial da União (DOU) e tem como objetivo conter a disseminação da espécie em diferentes regiões do país.

De acordo com o órgão, o pirarucu passa a ser considerado uma espécie exótica invasora quando localizado em outras bacias hidrográficas. Nesses ambientes, o peixe pode provocar desequilíbrios ecológicos, como a predação de espécies nativas, alterações na cadeia alimentar e redução da biodiversidade, sobretudo pela ausência de predadores naturais.

A normativa permite que pescadores profissionais e amadores capturem e abatam qualquer exemplar encontrado, sem limite de quantidade ou tamanho mínimo. O Ibama também determina que os peixes não podem ser devolvidos à água após a captura, sendo obrigatório o abate. A autorização terá validade de três anos.

A medida se aplica a diversas regiões hidrográficas brasileiras, incluindo as bacias do Paraná, São Francisco, Parnaíba, Uruguai e Paraguai, além de áreas do Atlântico Nordeste, Leste, Sudeste e Sul. Também estão incluídas a porção superior da bacia do rio Madeira e áreas a montante da barragem de Santo Antônio, em Rondônia.

No Lago Paranoá, em Brasília, onde a presença de pirarucus foi confirmada, autoridades ambientais apontam que a introdução da espécie ocorreu de forma irregular, possivelmente por soltura intencional ou acidentes envolvendo estruturas privadas, como aquários e tanques artificiais.

A Subsecretaria de Pesca e Aquicultura da Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF) alerta que o lago, por ser um ambiente artificial urbano, possui características ecológicas distintas das várzeas amazônicas. Nesse contexto, a presença do pirarucu representa risco ao equilíbrio ambiental local.

Apesar de estudos anteriores indicarem baixa probabilidade de reprodução da espécie fora de seu habitat natural, o Ibama optou por adotar uma medida preventiva. A expectativa é evitar a consolidação da espécie invasora e proteger os ecossistemas e a fauna nativa das regiões afetadas.