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Dia Delas: mulheres empreendem e conquistam autonomia financeira

Ações focadas no empreendedorismo feminino fortalecem cadeias produtivas locais e contribuem para a diversificação econômica regional.

O Liberal

Iniciativas de empreendedorismo feminino na zona rural do sudeste do Pará consolidam-se como um caminho para a autonomia financeira e a transformação social. Os projetos, desenvolvidos com parcerias, impulsionam vocações econômicas e valorizam o trabalho de mulheres na região de Carajás.

Essas ações contam com o apoio da iniciativa privada. Empresas como a Vale e sua subsidiária Metais Básicos (VBM) preveem investimentos em mais de 60 projetos comunitários no sudeste do Pará para este ano. Entre eles, destacam-se ações focadas no empreendedorismo feminino, que fortalecem cadeias produtivas locais e contribuem para a diversificação econômica regional.

Uma das conquistas recentes é a implantação do primeiro Sistema Agroflorestal (SAF) com pimenta em Carajás, no município de Parauapebas. A iniciativa é da Dinam, startup liderada por duas irmãs, em parceria com uma produtora da Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé Gelado e com o apoio da Vale, Sempror, Emater e Crea.

Produção Sustentável de Pimenta em Carajás

O SAF une geração de renda à proteção ambiental, utilizando o plantio conjunto de espécies agrícolas e florestais. Thaynara Vasconcelos, empreendedora, destaca a visão: “Com essa entrega do SAF à produtora, o objetivo é termos uma produção dos grãos de pimenta-do-reino sustentável para comercialização na nossa linha de condimentos junto com a conservação da floresta e a geração de renda para agricultores familiares na Amazônia”.

Outro avanço significativo é a assinatura de contrato da Cooperativa das Produtoras Rurais (COOPFER) de Canaã dos Carajás com a GRSA. A GRSA é responsável pelos restaurantes da unidade de mineração Carajás Serra Sul (S11D), operada pela Vale.

A COOPFER, surgida do projeto Ovos da Vila, começou em 2024 com 13 mulheres e hoje reúne 54 associadas. A cooperativa já fornece ovos caipiras para supermercados e a merenda escolar do município.

Alyne Gomes, presidente da COOPFER, ressalta o impacto do projeto: “O empreendedorismo feminino trouxe autonomia financeira, resgate de autoestima, a união das famílias e das mulheres. Hoje vejo mulheres que ficavam ali nos bastidores, sem terem uma atividade própria, sem acreditarem em si e que agora confiam no seu potencial, têm seu empreendimento”.

Fomento ao Cooperativismo e à Geração de Renda

Os exemplos de sucesso no cooperativismo se multiplicam na região. A Cooperativa de Trabalhadores da Confecção (Confecooper), composta por 21 mulheres das comunidades Paulo Fonteles e Vila Sanção em Parauapebas, produz uniformes escolares e empresariais, jalecos, coletes e brindes personalizados.

Cleonice Moura, presidente da cooperativa, afirma a importância do trabalho: “O empreendedorismo para nós é importante como fonte de renda. Antes ficávamos paradas dentro de casa, sem saber o que fazer. Hoje estamos melhorando aos poucos e já temos sorriso no rosto das pessoas”. Além dessas vilas, outras 11 comunidades contam com ateliês liderados por mulheres e apoiados pela Vale e VBM.

Na APA do Gelado, em Parauapebas, a Cooperativa Filhas da Terra também fortalece o empreendedorismo feminino. O grupo, com 21 mulheres, fabrica biscoitos, bolos, doces, geleias, hortaliças hidropônicas e artesanato em crochê. Quatro produtos já possuem o Selo de Inspeção da Secretaria Municipal de Produção (Sempror).

Reginalva Fialho, presidente da cooperativa, conclui sobre o sucesso: “O nosso sonho era adquirir liberdade e autonomia financeira e hoje temos plena convicção de que com o empreendedorismo e o cooperativismo, conseguimos conquistar grandes oportunidades. Tudo feito em união é mais simples e mais prazeroso”.

Eloiso Araújo, Diretor de Territórios Norte da Vale, destaca que estas experiências inspiram e reforçam o empreendedorismo feminino como força estratégica para o desenvolvimento social. Ele acrescenta: “Quando investimos no diálogo com as comunidades e em parcerias alinhadas às políticas públicas, conseguimos construir juntos caminhos que valorizam outras vocações locais. O empreendedorismo feminino é uma dessas forças, capaz de transformar realidades e impulsionar o desenvolvimento sustentável. E ao celebrar o Dia da Mulher, esses projetos mostram a força do protagonismo feminino para um novo futuro na economia local”.