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Conheça hábitos culturais que tornam Belém tão única

Os costumes dos belenenses atravessam gerações e unem pessoas que compartilham hábitos que já são heranças culturais

O Liberal

A cultura de um povo e as particularidades de cada região são as principais referências para diferenciar uma nação e torná-la única. Os hábitos que cada pessoa reproduz, junto a um grupo, são potências para o fomento de história e heranças culturais. Festas populares, alimentação e comportamentos moldam diariamente Belém, Metrópole da Amazônia, que completa 406 anos de fundação, cercada de diferentes ritmos e tradições.

Para isso, uma condição básica para se ter uma cidade viável em relação aos hábitos e costumes de seus cidadãos é mantê-la pública, ou seja, preservar espaços onde as sociabilidades (encontros, reuniões, celebrações) sejam seguros, gratuitos e disponíveis para toda sua população, afirma o antropólogo Edgar Chagas. 

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"Falo isso em relação ao que, infelizmente, é cada vez mais uma constatação: a cidade vem cercando espaços públicos de lazer com a colocação de grades, com o discurso da segurança. Assim colabora com processos de segregação socioespacial, reduzindo as possibilidades de aproximação e produção de cotidianos nesses espaços. Entre outros exemplos, basta ver os campinhos de futebol, praticamente extintos e, em seu lugar, as arenas privadas passaram a tomar conta de uma prática esportiva antes, pública", explicar o docente.

Os prejuízos históricos que uma perda de hábito cultural pode trazer para a sociedade são inúmeros. O professor acrescenta que a perda de elementos que constituem a maneira de ser e que se equivale àquilo que denominamos de identidades podem ser sentidos por uma sociedade quando precisa falar de si, ou seja, dizer quem ela é. "Na medida em que as coisas do cotidiano vão se tornando aspectos de uma memória social ou individual, passam a usar o recurso das narrativas para se falar de como fomos. É claro que a cultura é dinâmica e as coisas se transformam, mas não necessariamente precisam deixar de existir e, se isso acontece, morre um pedaço dos que somos", enfatiza.

 

Nossos hábitos

Um hábito cultural é capaz de atravessar milhares de anos, unir pessoas e trazer memórias afetivas para uma sociedade, como dançar brega (e tecnobrega). É praticamente uma condição, do “ser” paraense. O movimento cultural que vem desde os anos 1960, constitui uma das fontes da criatividade sonora e rítmica do estado e é, sobretudo, um ato de resistência frente às ingerências de uma cultura cada vez mais semelhante. Outro exemplo é o tomar tacacá no calor, ou seja, aquela tradição de tomar o prato típico às 16h. "Não se pode definir a origem dessa prática de tomar tacacá nesse horário, mas como se sabe, sendo uma iguaria da culinária paraenses de origem indígena".

"É prática que vem desde tempos imemoriais e que caracteriza a paisagem urbana de Belém todo santo dia no final das suas tardes e sempre com altas temperaturas", opina Edgar Chagas.

Para ele, outro hábito que é a cara do belenense é a marcação de compromissos para antes ou depois da chuva da tarde. Também temos o costume típico que ultrapassa fronteiras geográficas, que é torcer pelos dois maiores times do estado: Paysandu e Remo.  A tradição que remonta 100 anos e que desperta paixões, mas também uma infinidade de tirações de sarro que fazem parte das rodas de conversas em feiras, mercados, portas de casas e até no transporte público da cidade. Essa prática resume bem a maneira pela qual o belemense costuma se tratar em sentidos e afetos, mas também em rixas que mantém aceso o fogo dessa bela tradição.

As mangueiras dão um dos muitos títulos de Belém e um dos alimentos gratuitos da cidade: as mangas (Fábio Costa / Arquivo O Liberal)

Culinária que une

O que falar do tomar café com pupunha na porta de casa no final da tarde? A prática que ainda pode ser vista em vários bairros residenciais, é, sem sombra de dúvidas, uma das marcas da paisagem urbana da cidade. O professor Ribamar Barroso, há 10 anos leciona na Casa da Linguagem, prédio histórico localizado na Avenida Nazaré e no entorno da Praça da República.

Ele conta que é um privilégio fazer parte da instituição e que já coleciona alguns hábitos que foram se construindo com o tempo. "Quando começa a ventar forte, aviso aos seguranças para me avisarem caso caia uma manga. Toda tarde uma senhora vende pupunhas em frente ao prédio e já é um hábito dos funcionários de juntar dinheiro para comprar e preparar café", conta. A leitura, referência do espaço, também é lembrada pelo professor e enfatiza o quão hipnotizante pode ser o prédio, que guarda a história de Belém em cada parte. 

"A nossa cultura é constituída de hábitos, memórias e elas só prevalecem se forem lembradas! As pessoas, independente do contexto que vivemos, não podem esquecer de rir, abraçar e de agradecer. Comer manga com farinha, tomar açaí na cuia e dormir na rede são memórias que a gente traz de nossos avós, pais, passam por nós e que muitas vezes nossos filhos não têm esse registro de maneira afetiva. Continuar com esses pequenos costumes também é resistência", finaliza o professor.

(Karoline Caldeira, estagiária sob a supervisão de Victor Furtado, coordenador do Núcleo de Atualidades)

Belém Pra Ver e Sentir
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