Startup paraense lança dispositivo criado para uso educacional em escolas
Smartdevice desenvolvido em Belém será usado inicialmente por cerca de 150 mil alunos de 45 escolas; primeira remessa, com 5 mil aparelhos, deve chegar ao Pará no fim de setembro
A startup paraense Inteceleri Tecnologia para Educação lançou oficialmente, neste domingo (6), o Smartdevice Educacional Inteceleri, dispositivo móvel desenvolvido especificamente para uso pedagógico. A apresentação ocorreu durante o encerramento da 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar, em Belém.
Desenvolvido no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, com apoio do Laboratório de Inteligência Assistida e Sistemas Inteligentes (LISS), da Universidade Federal do Pará (UFPA), o aparelho foi criado a partir da proposta de adaptar a tecnologia dos smartphones para o ambiente escolar.
Segundo o CEO da Inteceleri, Walter Junior, a ideia surgiu diante do debate sobre o uso de celulares por crianças e adolescentes nas escolas. A empresa já utilizava smartphones convencionais em laboratórios levados para salas de aula, mas identificou que os aparelhos tinham recursos que não eram necessários para as atividades pedagógicas.
“É claro que é muito importante ter o equilíbrio do uso da tecnologia, mas também pensar em não usar a tecnologia é um problema. A gente precisa encontrar um ambiente seguro para deixar essas crianças dentro desse ambiente”, explicou.
Como funciona o Smartdevice?
Diferentemente de um smartphone convencional, o dispositivo foi projetado para funcionar como um ambiente controlado de aprendizagem. A proposta é disponibilizar ferramentas educacionais e restringir funcionalidades que não tenham relação com o uso pedagógico.
O aparelho reúne conteúdos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), trilhas adaptativas de aprendizagem e aplicativos educacionais. Também estão entre os recursos inteligência artificial (IA), realidade aumentada e realidade virtual.
A inteligência artificial pode ser utilizada tanto para acompanhar o desempenho dos estudantes quanto dentro das próprias atividades. Um dos exemplos apresentados pela empresa é o reconhecimento de formas geométricas por meio de câmera e IA.
Com recursos de realidade aumentada, o estudante poderá apontar o aparelho ou equipamentos compatíveis para objetos do cotidiano e identificar elementos geométricos presentes neles. Um microfone, por exemplo, pode ser reconhecido como um objeto com formato cilíndrico.
O dispositivo também incorpora ferramentas de inteligência artificial disponibilizadas por meio da parceria da empresa com o Google, segundo Walter Junior. A proposta é permitir que os estudantes utilizem essas tecnologias em atividades de aprendizagem e desenvolvimento de projetos.
Tecnologia também poderá funcionar sem internet
Outro recurso apresentado pela Inteceleri é a possibilidade de utilizar parte das ferramentas e conteúdos mesmo sem conexão com a internet. A funcionalidade foi pensada especialmente para escolas públicas e comunidades que enfrentam dificuldades de conectividade.
A empresa afirma que o projeto também foi desenvolvido com foco em segurança digital e proteção de crianças e adolescentes. Sistemas de monitoramento e controle fazem parte da estrutura da plataforma, com o objetivo de criar um ambiente mais restrito para o público infantil e adolescente.
Custo deve ser menor que o de smartphones convencionais
A personalização do aparelho também busca reduzir o custo em relação aos smartphones tradicionais. De acordo com Walter Junior, a estimativa atual é que o dispositivo custe entre 30% e 40% menos do que um smartphone básico convencional.
"Considerando um aparelho de aproximadamente R$ 1 mil, o Smartdevice deverá chegar a um custo estimado entre R$ 700 e R$ 800", diz o CEO. O valor, no entanto, ainda pode sofrer alterações até a comercialização em escala.
Primeiros 5 mil aparelhos chegam no fim de setembro
Walter revelou que a primeira remessa do Smartdevice Educacional deve chegar ao Brasil no fim de setembro. Serão 5 mil unidades produzidas na China a partir da personalização desenvolvida pela empresa para o projeto.
"Os aparelhos serão utilizados inicialmente em uma etapa de validação e hoje cerca de 45 escolas já fazem parte da iniciativa, alcançando aproximadamente 150 mil estudantes até o fim do ano", disse Walter.
Segundo ele, a maior parte das escolas envolvidas pertence às redes municipais de ensino de 23 municípios. Também participam unidades das redes estaduais do Pará e do Amapá.
Neste primeiro momento, o dispositivo ainda não estará disponível para venda ao público em geral. A expectativa da empresa é lançar uma versão comercial no início de 2027, coincidindo com o período de volta às aulas.
A proposta, segundo a startup, é ampliar o acesso de estudantes da rede pública a ferramentas digitais sem reproduzir necessariamente o modelo de uso de um celular convencional, criando um equipamento voltado especificamente para atividades educacionais.
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