Na manhã desta segunda-feira (20), trabalhadores da empresa Monte Cristo voltaram a paralisar as atividades em Belém. Eles dizem que o protesto é contra os constantes atrasos no pagamento de direitos trabalhistas, com pendências de abril, maio e junho. Os funcionários também cobram o pagamento de dois meses de vale-alimentação em atraso. A manifestação continua nesta terça-feira (21/7).
VEJA MAIS
Outro problema grave apontado pelos trabalhadores é o pagamento das férias. Segundo os protestantes, há anos a empresa vem adotando a prática de permitir que os funcionários saiam e retornem do período de descanso sem receber o valor devido dentro do prazo legal. No total, cerca de 100 funcionários são afetados pelos atrasos, entre eles motoristas, cobradores, lavadores, mecânicos e colaboradores do departamento pessoal.

O Sindicato dos Rodoviários de Belém (Sintrebel) informa que acompanha a ação e continua cobrando da empresa uma solução imediata para garantir o pagamento dos salários, benefícios e demais direitos da categoria. “A última paralisação que aconteceu em menos de três meses, durou 11 dias. Nessa paralisação, houve uma mediação da Justiça do Trabalho, onde houve um acordo que [a Monte Cristo] deveria pagar o pagamento do mês de abril parcelado. Então, houve um descumprimento por parte da empresa”, diz Everton Paixão, vice-presidente do Sintrebel.
Everton ressalta que, atualmente, a Monte Cristo possui menos de 20 ônibus circulando na cidade — anteriormente, a frota era de mais de 70 veículos. “Eu sei que é difícil para o usuário de transporte não ter o seu ônibus lá, mas é ruim para esse trabalhador que não tem salário, que não recebe há três meses. A situação aqui é difícil e o sindicato vem dando todo o apoio para esses trabalhadores”, fala.

O motorista Edenilson Silva está há 20 anos na Monte Cristo e participou de todas as paralisações dos funcionários. O último salário recebido por ele foi em abril, porém nem todos estão na mesma situação. Edenilson afirma que está na sede da empresa desde às 4h30 e, junto a colegas, se recusa a trabalhar com o pagamento atrasado.
“Essa, essa paralisação começou com os funcionários mesmo, os trabalhadores que não quiseram e cruzaram os braços mesmo, não quiseram trabalhar. Hoje, todo mundo chegou aqui e ninguém vai entrar. Vamos ficar aqui na frente”, comenta o motorista. Edenilson ressalta que, além dos atrasos de meses anteriores, o pagamento de julho já está perto de vencer.

O diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Luciano Barros, lembra que as cobranças dos trabalhadores está desde o começo de 2026 e que, até o momento, a empresa não cumpriu a obrigação definida. De acordo com Luciano, em sete meses já ocorreram cerca de cinco paralisações. No último episódio, em abril, houve promessa de quitação de todos os débitos.
“A gente pede desculpa, primeiramente, para a população, que é a mais afetada. Mas quem é o funcionário que trabalha sem o seu dinheiro, né? E a expectativa deles de levar alimento para sua casa, eles não têm. Alguns ainda têm carro, moto e fazem aplicativo, essas coisas”, comenta Luciano. Durante a manhã desta segunda-feira, por volta das 10h, aproximadamente 30 funcionários estavam em frente à Monte Cristo e aguardavam um posicionamento oficial.

Segundo Luciano Barros, até o começo da tarde de segunda (20/7), as linhas Sacramenta – Humaitá, Sacramenta – Bernardo Couto e Alcindo Cacela - Domingos Marreiros seguiam inoperantes. Apenas seguiam operando as linhas CDP/Providência, Pedreira - Nazaré, Sacramenta - São Brás, Alcindo Cacela (da antiga empresa Canadá, que se unificou com a Monte Cristo) e Pedreira Lomas A (micro), ainda conforme Luciano.
Em nota enviada à Redação Integrada de O Liberal, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) informou que “a situação enfrentada pela empresa decorre das dificuldades financeiras da operadora, reflexo do desequilíbrio econômico que afeta o sistema de transporte coletivo”. “Há anos, a operação convive com uma tarifa pública inferior ao custo real do serviço, enquanto os custos com combustível, manutenção, peças, salários e encargos seguem em constante crescimento. Soma-se a esse cenário a redução do número de passageiros pagantes e a insuficiência de fontes de financiamento para garantir a sustentabilidade do sistema. O Setransbel informa que a empresa mantém diálogo com os trabalhadores e com a entidade sindical da categoria, buscando a regularização das pendências e a preservação da continuidade da operação”, declara.
A equipe de reportagem também entrou em contato com a empresa Monte Cristo e a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), solicitando informações acerca do caso. Até o momento da publicação deste material, não houve resposta.
Matéria em atualização.
