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Incêndio próximo ao canal Água Cristal assusta moradores na Marambaia, em Belém

O fogo avançou pela vegetação e pelo lixo acumulado às margens do canal

O Liberal
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Um incêndio registrado às margens do canal Água Cristal, no bairro da Marambaia, em Belém, assustou moradores na noite de quarta-feira (2). O fogo se espalhou rapidamente pela vegetação e lixo acumulado no local, chegando próximo às residências da área, além de ter provocado muita fumaça.

O morador Hugo Barata, bombeiro civil e técnico em segurança do trabalho, estava chegando do trabalho quando percebeu a fumaça e foi verificar o que estava acontecendo. Segundo ele, em entrevista na manhã desta quinta-feira (3), no instante em que os moradores chegaram ao canal, o que inicialmente parecia ser um princípio de incêndio já havia tomado proporções maiores.

“Por volta de quase 21h, os vizinhos notaram a presença de muita fumaça ali pelo canal Água Cristal. Fomos verificar a situação e, quando chegamos lá, o princípio de incêndio já tinha virado um incêndio", relatou Hugo.

De acordo com o morador, a fumaça chegou às casas localizadas do outro lado do canal. “As outras casas já estavam tomadas pela fumaça. Tinha crianças, idosos passando mal, muita fumaça mesmo, e o fogo estava aumentando. Então, rapidamente, afastamos as pessoas e orientamos cada uma delas a ligar para o Corpo de Bombeiros Militar. Quanto mais ligações, mais rápido eles viriam”, contou.

Ação efetiva

Enquanto aguardava a chegada dos bombeiros, Hugo decidiu tentar impedir que as chamas avançassem. Ele chegou a procurar uma fonte de água no local, mas não conseguiu encontrar uma forma segura de utilizá-la. O morador também avaliou a possibilidade de descer até o canal, mas desistiu por considerar que a ação poderia colocar outras pessoas em risco.

“Procurei por alguma torneira ou cano no local, só que a gente não teve muito êxito. Pensei em ir com alguma pessoa da população descer ali pelo canal, mas é meio perigoso. A nossa segurança vem em primeiro lugar”, explicou.

Ao observar que havia areia, terra, seixos e telhas próximos ao ponto onde o fogo avançava, Hugo pegou uma pá e começou a jogar o material sobre as chamas para tentar abafá-las.

“Vi que tinha muito lixo, muito entulho, mas também tinha areia, seixo, terra e telha. Então peguei uma pá e comecei a jogar aquela areia em cima do fogo para fazer o abafamento. Comecei a jogar telha também, e isso foi resolvendo bastante a situação”, detalhou.

Segundo Hugo, as chamas já chegavam perto das árvores e poderiam alcançar a fiação elétrica existente na área. A ação dos moradores ajudou a reduzir a intensidade do incêndio até a chegada do Corpo de Bombeiros.

“O fogo já estava quase com dois metros, alcançando as árvores, e podia pegar na fiação elétrica. Conseguimos amenizar bastante até chegar o Corpo de Bombeiros Militar, que fez o resfriamento com a mangueira”, disse.

Quando a equipe chegou ao local, os bombeiros assumiram o combate e conseguiram apagar completamente as chamas. Não há informações oficiais sobre feridos ou sobre danos às residências próximas. De acordo com Hugo, todos ficaram bem.

Descarte irregular

Além do risco provocado pelo fogo, o episódio expôs o problema do descarte irregular de materiais às margens do canal. Caroços de açaí, madeira, plástico e outros tipos de resíduos estavam acumulados na área e serviram como combustível para as chamas.

"De vez em quando, o pessoal da manutenção e da limpeza vem, capina e retira o lixo. Mas, infelizmente, a população precisa de uma reeducação e uma educação, principalmente ambiental”, contou.

Hugo chamou atenção para os riscos desse tipo de descarte e também orientou que moradores mantenham distância em casos de incêndio. “É um alerta importante para a população não fazer descarte irregular de lixo e entulho. Além de ser crime ambiental, isso pode causar danos ao meio ambiente e à saúde humana”, afirmou.

“Quando acontecer esse tipo de situação, as pessoas não devem ficar muito perto, porque podem inalar fumaça. Isso pode ter graves consequências, inclusive lesão por inalação”, completou.

Posicionamento oficial

A Redação Integrada de O Liberal solicitou nota acerca do ocorrido ao Corpo de Bombeiros Militar (CBM), à Secretaria Municipal de Zeladoria Conservação Urbana de Belém (Sezel) e à Concessionária Belém Limpa. Até o momento, apenas a última citada retornou. A equipe de reportagem segue no aguardando dos demais órgãos.

A Concessionária Belém Limpa informou que o local onde as chamas iniciaram é “considerado um ponto de descarte irregular de resíduos domiciliares e entulhos”, além de que uma equipe foi deslocada ao endereço para “avaliar as condições da área e confirmar com equipe do Corpo de Bombeiros se ainda há focos de incêndio ativos”. A empresa reforçou que as denúncias sobre a ação indevida devem ser feitas à Guarda Municipal de Belém (GMB), pelo número 153, de forma anônima e gratuita.

"A coleta de resíduos domiciliares na área ocorre às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 18h. A limpeza será realizada assim que houver condições seguras para a remoção do material resultante do incêndio. A empresa disponibiliza ainda o serviço de coleta programada de entulho para volumes de até 1 metro cúbico. A solicitação pode ser feita pelo Canal de Atendimento ao Cidadão, pelo número (91) 98405-3100, com prazo de até 72 horas para o recolhimento”, destacou.

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Belém
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