A Casa do Pão de Santo Antônio Capuchinhos completa, no dia 27 de setembro, 25 anos de atividades em Belém. Construída em 2001, a instituição celebra, nesta terça-feira (22), o Jubileu de Prata com missa de ação de graças e homenagens àqueles que são parte da história de solidariedade. A festa contou com a presença do Frei Luís Giudice e da antoniana Celina Jacob, que participaram da fundação.
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Frei Raphael Hatylla, atual presidente da Casa do Pão, destaca que as atividades acontecem graças às antonianas, aos voluntários e aos demais mantenedores. Atualmente, a instituição acolhe cerca de 160 idosos semanalmente e possui 250 cadastrados. De terça a quinta-feira, os assistidos recebem refeições e, a cada dois meses, há distribuição de cerca de 200 cestas básicas.
“Essas cestas nascem do coração das pessoas. Elas vêm, deixam aqui na paróquia, entregam a nós e, depois, nós distribuímos às pessoas, aos paroquianos”, explica. Para além do alimento, a Casa do Pão também oferece suporte social, médico, odontológico, pedagógico e atividades diversas, além de evangelização. Entre orações e oficinas criativas — como pintura e crochÊ —, a instituição também conta com apoio de faculdades, que oferecem atendimentos de fisioterapia e enfermagem.
Ao longo dos 25 anos, a principal mudança na Casa do Pão foi a acolhida: “Os frades viram que, quando a gente ia distribuir sopa, às vezes era no sol e às vezes era na chuva. Então, houve essa necessidade de ter um local específico para ter um acolhimento melhor. Os frades, junto com as antonianas, ao longo do tempo, foram trabalhando para que isso se realizasse.”
Missão de vida
Frei Raphael explica que presidir e participar do projeto é uma parte de quem ele é — sentimento partilhado pelos demais capuchinhos. Ao falar de pobreza, o frei explica que a abordagem não é ideológica ou política, e, sim, focada no olhar a quem precisa de cuidado.
“Não é só a questão do alimento material em si, mas é o estar junto com eles, o conversar com eles, tentar amenizar as dores e os sofrimentos, tentar estar perto. Dentro da sociedade onde nós estamos hoje, percebemos que parece que o idoso já não presta mais, parece que não tem mais valor. Aqui a gente tenta suprir essa necessidade”, destaca.

O presidente da Casa do Pão também ressalta que fazer os idosos sorrirem, transformando uma pequena parte do dia e fazendo-os esquecer do sofrimento carregado todos os dias, é a missão dos capuchinhos. “Faz parte da nossa caminhada enquanto religiosos”, diz.
Para os próximos anos, a expectativa de frei Raphael é que os matenedores continuem apoiando o trabalho, sempre com coração aberto para cuidar do próximo. O presidente acredita que, graças ao voluntariado, a Casa do Pão permanecerá em funcionamento para sempre, com honestidade e carinho.
“Em um país onde a gente vê tanta pobreza, tanta situação, quando a gente vê pessoas de mãos abertas que chegam aqui e vê que o que eles dão está colocado na mesa, eles sentem que, verdadeiramente, estão seguros do que estão dando para os capuchinhos. Eu tenho a plena certeza que, daqui para frente, essa Casa do Pão vai ser muito mais conhecida e muito mais pessoas vão ajudar”, aponta.
Marcados na história
Entre os homenageados no Jubileu de Prata da Casa do Pão Capuchinhos, está a antoniana Celina Jacob, de 99 anos. Ao final da missa, o 100º aniversário da voluntária foi honrado com parabéns cantado em uníssono. O dia oficial da festa é 10 de outubro, data em que ocorre a Trasladação do Círio de Nossa Senhora de Nazaré 2026.

Mãe de oito filhos, sendo quatro mulheres e quatro homens, Celina costumava distribuir sopa com as amigas às terças-feiras. A celebração de 25 anos da iniciativa a deixou alegre. “Eu sinto muito prazer em estar junto com eles, tudo junto. Um prazer enorme”, conta.
Frei Luís Giudice também foi homenageado na celebração. Italiano, ele veio ao Brasil em 1973 e primeiro ficou no Rio de Janeiro. Em seguida, em 1981, mudou-se para o Pará e, poucos anos depois, conduziu a ampliação e reforma da sede da Casa do Pão Capuchinhos, localizada na avenida Conselheiro Furtado.
“No ano de 2001, frei Apolônio, grande amigo dos pobres do mundo inteiro, veio transferido para cá e viu o espetáculo triste que os pobres almoçavam. Eles comiam a sopa em pé ou sentados na calçada. Isso é indigno, os pobres devem ser bem servidos e bem ajudados”, lembra.
Insatisfeito com o cenário, frei Apolônio preparou o projeto e financiou, enquanto frei Luís acompanhou a construção. “A casa tinha um grupo de mais de 25 pessoas, pedreiros e ajudantes. Em seis, setes meses nasceu”, relata.

Assim como frei Raphael Hatylla, frei Luís Giudice fala que o serviço pestado na Casa do Pão é parte da vida que leva, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo. Frei Luís aponta que, na Bíblia, Jesus orientou a ajudar os pobres e que, no Antigo Testamento, Deus falava sobre o apoio aos necessitados como um ato de justiça.
“Se você tem e o outro não tem, você tem que dar, porque ele é filho de Deus tanto quanto você. Os pobres são os queridos de Deus. Ajudar os pobres é um dever, não digo social, mas cristão. Se você não ajuda o pobre, você pode dizer que o seu cristianismo é muito fraco, é uma carência de muita coisa”, fala.
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Perpetuando bondade
Há mais de 20 anos, a antoniana Célia Calandrini, de 83 anos, dedica-se ao voluntariado. Na celebração de 25 anos da Casa do Pão Capuchinhos, ela sente-se emocionada por ser parte dessa história de bondade, solidariedade e compaixão. A preparação para a festa foi feita com antecedência e organização, segundo Célia.

“Nós temos muitas voluntárias trabalhando aqui. Então, o empenho foi muito grande. Nós atendemos mais de 100 pessoas aqui, fora aquelas que estão em casa. Todo dia elas têm almoço, café da manhã, amor, serviço médico, alfabetização e, também, projetos de faculdade de enfermagem e fisioterapia”, explica.
Célia diz que é comum os voluntários acreditarem que estão doando trabalho à Casa do Pão, mas, na verdade, eles estão recebendo: “A gente aprende mais com elas e elas se sentem bem com a gente. A gente é que ganha. É iusso que faz a gente não perder o foco de vir para cá. A gente larga muita coisa em casa, larga tudo e não falha aqui.”
A antoniana espera que, nos próximos anos, os colaboradores continuem com as doações, que são o sustento da instituição. Célia reforça que não há ajuda governamental e que, para o funcionamento continuar, é necessário que recebam ajuda.
Uma das assistidas pela Casa do Pão Capuchinhos é Terezinha Dias, de 92 anos. A idosa recebe suporte há 10 anos, desde que uma amiga a convidou para participar das atividades. Ao chegar na instituição, ela foi recebida por dona Beth, uma antoniana que foi voluntária no local.

“Me sinto muito feliz aqui. Quando eu não venho, fico muito triste. Não largo a Casa do Pão porque a Casa do Pão é a minha distração, é meio que a minha casa”, fala. Entre as diversas atividades, a preferida de Terezinha é conversar com as amigas e as colaboradoras.
“A lembrança que eu gosto mais é da dona Beth. Gostava muito dela, ela era muito minha amiga. Eu me sinto muito feliz de estar aqui”, conclui.
História construída com muitas mãos
A iniciativa de distribuição de alimento iniciou em 1953, com ação de frades capuchinhos e damas antonianas. Entre os nomes que atuaram na époica está Flaviana Castelo Branco, Nadir Cebolão e Marilda Nunes. O grupo começou com doação de sopa e pão em uma barraca ao lado da igreja, que foi chamada de “barraca da sopa”.
Ao logo de 47 anos, o atendimento aos necessitados ocorreu sem um ponto fixo e em meio a diferentes adversidades climáticas — desde o sol quente à chuva forte. Em 1990, as obras de ampliação e reforma da sede começaram a ser organizadas. Anos depois, no dia 27 de setembro de 2001, a Casa do Pão de Santo Antônio Capuchinhos foi oficialmente inaugurada.
Para celebrar os 25 anos, a fachada da instituição foi revitalizada e recebeu pintura em grafite com desenhos de Santo Antônio e símbolos que representam a iniciativa, além da identidade visual comemorativa. Uma pequena capela também foi entregue e o espaço, com fachada para a rua, abriga a imagem de Santo Antônio — visível a todos que passam. Além disso, uma placa homenageando freis e antonianas que serviram na Casa do Pão passou a integrar a decoração do local.
