Avenida Marechal Hermes recebe jardim de chuva para reter e infiltrar água da chuva, em Belém
Estrutura de mais de 500 metros transforma área impermeável em espaço verde e amplia a capacidade de drenagem urbana
A avenida Marechal Hermes, em frente à praça Waldemar Henrique, está recebendo um jardim de chuva com mais de 500 metros de extensão, projetado para contribuir com a retenção e a infiltração da água da chuva. Considerado o maior em construção em Belém, o espaço está na etapa de paisagismo, com o plantio de espécies ornamentais e arbóreas.
A intervenção é realizada pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), e integra o programa Belém Mais Verde, que reúne ações de arborização e ampliação das áreas verdes da cidade, com a meta de plantar 1 milhão de mudas na capital.
Antes ocupado por uma área pavimentada e impermeável, o canteiro central passou por escavação, regularização do solo, instalação de sistema de drenagem, assentamento de meio-fio e lançamento de terra vegetal. A estrutura também contará com poços de retenção e infiltração, que auxiliam no armazenamento e na absorção da água pelo solo.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Juliana Nobre, explica que a intervenção reúne benefícios para a drenagem urbana, o meio ambiente e a qualidade de vida da população. Segundo ela, o jardim amplia a permeabilidade do solo e contribui para a adaptação da cidade aos impactos das mudanças climáticas. “O Jardim de Chuva da Marechal Hermes é o maior jardim de chuva que está sendo construído em Belém. Ele tem mais de 500 metros e também vai contar com poços de retenção ou poços de infiltração, que vão contribuir para tornar aquela área mais permeável e melhorar a infiltração da água da chuva”, disse.
A secretária também destacou que a escolha das espécies contribui para ampliar a área verde e melhorar as condições ambientais da região. “Utilizamos espécies paisagísticas e arbóreas, aumentando a área verde daquele local e trazendo uma biodiversidade melhor para aquela região. Além de contribuir para o controle dos alagamentos e melhorar a permeabilidade do solo, o jardim vai ajudar na melhoria do microclima, trazendo mais conforto térmico e embelezando a cidade”, destacou.
Juliana Nobre ressaltou ainda que a iniciativa faz parte de uma estratégia de adaptação de Belém às mudanças climáticas, utilizando a natureza como aliada no planejamento urbano. “Estamos trabalhando para que essas áreas tenham mais capacidade de absorver a água e, ao mesmo tempo, sejam espaços verdes, com biodiversidade e qualidade paisagística. É uma solução que contribui para o controle da parte alagável, melhora a infiltração e a permeabilidade e traz mais biodiversidade para o local, ajudando Belém a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas”, pontuou.
Área impermeável dá lugar a espaço verde
O agrônomo e paisagista da Semma Junior Melo explica que uma das principais mudanças realizadas na avenida Marechal Hermes foi a retirada do pavimento existente para permitir que o solo voltasse a desempenhar sua função de absorção. “Nós estamos aqui no canteiro central da Marechal Hermes, onde quebramos esse pavimento. Era um lugar que tinha uma área impermeável e nós permeabilizamos, transformando esse espaço em uma área com capacidade de reter e absorver a água da chuva”, explicou.
Junior Melo também detalhou que o sistema de drenagem foi instalado antes do plantio para garantir o funcionamento do jardim e ampliar a capacidade de armazenamento da água. “Fizemos o sistema de drenagem antes de iniciar o plantio, com todas as camadas necessárias para que a gente possa acumular o máximo possível de água sem causar alagamento. As plantas que estamos usando são produzidas na Granja Modelo. São espécies ornamentais e também arbóreas, algumas produzem flores e outras têm apenas folhagens, mas a ideia é diversificar e trazer um jardim cheio de espécies e muitas cores”, acrescentou.
A etapa de paisagismo começou na terça-feira (25) e deve ser concluída até 4 de setembro. Entre as espécies utilizadas estão petúnias selvagens (Ruellia), inhame (Colocasia esculenta), tajá (Caladium bicolor), helicônia-papagaio (Heliconia psittacorum), cana-da-índia (Canna indica) e grama-amendoim (Arachis repens).
Natureza como parte da drenagem urbana
Os jardins de chuva são uma das chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e estão relacionados ao conceito de cidade-esponja, que busca ampliar a capacidade dos espaços urbanos de absorver, armazenar e liberar a água das chuvas de forma gradual.
A proposta é transformar áreas impermeabilizadas em espaços verdes multifuncionais, utilizando estruturas de drenagem associadas à vegetação. Dessa forma, parte da água deixa de escoar rapidamente pelas ruas e pode ser retida e infiltrada no solo.
Entre os resultados esperados estão a redução do escoamento superficial, a melhoria da qualidade da água, a recarga do lençol freático, a criação de áreas verdes, o conforto térmico e o estímulo à biodiversidade.
Outros jardins de chuva em Belém
O Jardim de Chuva da avenida Marechal Hermes faz parte de um conjunto de intervenções planejadas pela Prefeitura de Belém. O projeto já conta com ações realizadas na rua dos Mundurucus, onde o plantio foi concluído e resta a instalação da placa oficial para a finalização, além dos jardins implantados nas áreas do Canal do Una e do Canal do Jacaré, por meio do Urbanismo Tático.
No Horto Municipal de Belém, a implantação começou em junho e foi finalizada em julho deste ano. Também estão previstos novos jardins em pontos como a travessa Rui Barbosa, na esquina com a avenida Gentil Bittencourt, próximo ao Centur; a rua Quintino Bocaiuva, nas proximidades da Semma; e um ponto no bairro da Terra Firme. Outros locais ainda poderão ser incluídos no projeto.
Transformação percebida por quem passa
A mudança no canteiro central da avenida Marechal Hermes já chama a atenção de quem circula pela região. O empresário Eric Barros, 24 anos, que mora em Marabá e trabalha com tapeçaria automotiva, aprovou a iniciativa e destacou a transformação visual provocada pela intervenção. “É uma iniciativa muito boa porque muda completamente o aspecto do lugar. Além de deixar a avenida mais bonita, é uma ação que traz mais verde para a cidade e pode ajudar no período de chuvas”, disse.
O gesseiro Daniel Monteiro, 36 anos, morador do Tapanã, também avaliou positivamente a implantação do jardim e ressaltou a importância de ampliar os espaços verdes na capital. “A gente precisa de mais espaços verdes em Belém. É muito bom ver uma área que era pavimentada sendo transformada em um jardim. Quando as plantas crescerem, acredito que vai ficar ainda mais bonito e agradável para quem passa por aqui”, destacou.
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