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Verão amazônico exige cuidados extras com os pets durante passeios e rotina em casa

Os cuidados incluem mudanças na rotina de passeios, reforço na oferta de água e atenção ao ambiente onde os animais permanecem ao longo do dia

Gabriel Pires e Fabiana Batista

Com a chegada do verão amazônico e o aumento das temperaturas em Belém, tutores de animais de estimação têm adotado medidas para minimizar os efeitos do calor sobre os pets. Os cuidados incluem mudanças na rotina de passeios, reforço na oferta de água e atenção ao ambiente onde os animais permanecem ao longo do dia, com o objetivo de prevenir desidratação e outros problemas relacionados às altas temperaturas.

De acordo com o médico veterinário Vitor Seabra, o clima quente e úmido da região amazônica aumenta significativamente os riscos para os animais. Entre os problemas mais comuns estão a desidratação, hipertermia (elevação excessiva da temperatura corporal), insolação e agravamento de doenças cardíacas e respiratórias. Cães braquicefálicos, como Shih Tzu, Pug e Bulldog, além de idosos, obesos e animais com doenças pré-existentes, estão entre os mais vulneráveis.

Em meio ao período mais quente, a professora Lígia Xavier, de 44 anos, conta que adota estratégias para amenizar os impactos do calor em suas pets, Charlotte, de 6 anos, e Ameli, de 5 meses. Segundo ela, apesar das altas temperaturas, os passeios com as cachorrinhas continuam, mas com os cuidados necessários para evitar riscos à saúde.

“Escolho horários em que o sol não esteja muito quente ou locais mais arborizados, para que os passeios sejam mais refrescantes. Também tenho alguns cuidados em casa. Por exemplo, por conta da raça delas, shih-tzu, que, via de regra, possui pelagem longa, nunca deixo os pelos crescerem demais. Opto por uma tosa chamada bebê, que é mais curtinha”, comenta a professora.

A recomendação coincide com a orientação do veterinário. Segundo Vitor Seabra, os passeios devem ser realizados antes das 8 horas da manhã ou após as 17 horas, quando o solo está menos aquecido. Ele alerta que o asfalto e as calçadas podem atingir temperaturas elevadas e provocar queimaduras nas patas dos animais. Uma forma simples de verificar as condições é testar a superfície com a palma da mão. “Se estiver quente demais para você, também estará para o pet”, orienta.

Além dos cuidados com a parte física, a alimentação e a hidratação também não ficam de fora da rotina de Lígia. “Na hora de passear, sempre tenho um kit de passeio, sempre a garrafinha de água. Toda hora a gente reidratando e procuro também, sobretudo nessa época do ano, fornecer alguns alimentos que tenham mais água, como melãozinho, maçã, melancia e água de coco, para ajudar mais nessa hidratação. E eu comprei uma fonte de água”, detalha a tutora.

Bem-estar

Para a professora, é essencial manter o bem-estar dos pets para evitar qualquer tipo de transtorno e também como demonstração de afeto com as companheiras. “Foi a veterinária que disse que é uma boa estratégia, porque os pets tendem a se interessar mais em beber água quando ela não está parada. Então, a fontezinha acaba incentivando eles a tomarem mais água”, acrescenta.

Segundo Vitor Seabra, a hidratação merece atenção especial durante o verão amazônico. O veterinário recomenda disponibilizar água fresca em diferentes pontos da casa e estimular o consumo, principalmente entre os gatos, que costumam ingerir menos água. Fontes são consideradas uma alternativa eficiente para incentivar a hidratação. Em alguns casos, alimentos úmidos, como sachês e patês, também podem contribuir para aumentar a ingestão hídrica.

A biomédica Karina Carvalho, de 27 anos, tutora de Kalel, de 7 anos, afirma que tem percebido as temperaturas mais elevadas nos últimos dias. Segundo ela, o cão tem acesso tanto à área externa quanto à área interna da residência, o que permite que ele escolha onde prefere ficar ao longo do dia.

“Também tenho a preocupação com a hidratação e sempre deixo água à vontade. Eu tenho outro cachorro além dele dentro de casa, então sempre mantenho esse cuidado para que nunca falte água. Em questão de passeio, como eu disse, evitar nesses horários de sol muito quente. No máximo, até umas 9 horas por aí já está voltando, que é quando o sol já está mais forte”, afirma Karina.

Comportamento

Com o calor, Karina relata ainda algumas mudanças no comportamento dos pets. “Eles têm bebido bastante água ultimamente. E tem também a questão dos lugares onde gostam de ficar. Eles preferem a lajota, porque é mais geladinha. É interessante observar esses comportamentos deles. Quanto aos passeios, não é sempre que venho com eles à praça. De vez em quando, sim. Pelo menos uma vez por mês passeio com ele por aqui, mas ele passa a maior parte do tempo dentro de casa”, completa.

O veterinário explica que os tutores devem ficar atentos aos sinais de desidratação e insolação. Entre os sintomas iniciais estão ofegação intensa e persistente, salivação excessiva, apatia, fraqueza, gengivas secas ou muito avermelhadas, aumento dos batimentos cardíacos e falta de apetite. Em casos mais graves, o animal pode apresentar vômitos, diarreia, desorientação, dificuldade para se manter em pé, convulsões e até perda de consciência.

Seabra ressalta que a insolação é uma emergência veterinária e exige atendimento imediato. Segundo ele, os erros mais comuns cometidos pelos tutores incluem passear nos horários mais quentes do dia, deixar o animal em ambientes sem ventilação adequada, manter o pet dentro de veículos fechados, estimular atividades físicas intensas sob forte calor e ignorar os primeiros sinais de exaustão.

“A prevenção continua sendo a melhor forma de proteger a saúde dos animais durante o verão amazônico. Ao perceber qualquer sinal de insolação ou desidratação, o tutor deve procurar atendimento veterinário o mais rápido possível”, orienta o especialista.