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Veja como foram as homenagens no Dia de Sebastião em Belém

A celebração, que teve início no dia 12 de janeiro, é marcada por uma programação especial, com missas, novenas e atividades culturais ao longo do dia

Fernando Assunção (Especial para O Liberal)

O Dia de São Sebastião, celebrado nesta terça-feira (20), reuniu centenas de fiéis na paróquia dedicada ao santo, no bairro da Sacramenta, em Belém. A celebração, que teve início no dia 12 de janeiro, é marcada por uma programação especial, com missas, novenas e atividades culturais que envolveram a comunidade. Entre os devotos presentes, destacaram-se testemunhos da intercessão de São Sebastião na superação de desafios pessoais e familiares.

Uma das histórias compartilhadas na paróquia é a de Regina Gama, dona de casa. Ela e sua família, que retornaram ao Pará em 2018 após viverem no Maranhão, encontram em São Sebastião não apenas um intercessor, mas também um pilar de apoio espiritual em um momento delicado, quando um de seus filhos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), parou de falar. Foi com a fé no Santo Mártir e com as terapias adequadas que ele voltou a se comunicar.

“Quando chegamos aqui, um dos nossos filhos, que é portador de autismo, parou de falar. E foi através da intercessão de São Sebastião que, depois de um ano e oito meses, ele voltou a falar”, contou, emocionada.

Regina lembrou da acolhida que sua família recebeu na paróquia, onde encontrou suporte espiritual, amor e solidariedade dos paroquianos. Agradecida pela graça recebida, ela atualmente coordena um dos grupos da paróquia e incentiva outras pessoas a se unirem à devoção. “São Sebastião é um grande intercessor. Ele é a prova viva da perseverança e da missão de servir sempre. Ser grato em tudo, todos os dias, faz parte da nossa missão cristã”, disse Regina.

Outro testemunho comovente é o da vendedora Rosileide Pimentel, que compartilhou uma história de fé e esperança. A tradição da família, natural de Soure, no Marajó, de realizar a levantação do mastro de São Sebastião, foi trazida para Belém. Em uma promessa feita ao santo, Rosileide pediu pela cura de seu tio, que estava em uma cadeira de rodas. “Pedi a São Sebastião que intercedesse pela cura do meu tio e, graças a Deus, ele voltou a andar”, afirmou. O gesto de fé deu origem à continuidade da tradição na família, que já dura dez anos em Belém.

No bairro de Fátima, onde a família mora, são erguidos três mastros - dos homens, das mulheres e das crianças - no dia 17, após a procissão pelas ruas do bairro. Nesta segunda-feira, foi oferecido um café à comunidade, com doação de camisas. Às 12h, será distribuído o almoço e, às 16h, ocorrerá a derrubada do mastro.

A história do aposentado Armando Gonçalves, de 80 anos, também emociona. Pai de Rosileide, ele conta como, ainda criança, sua família, em Soure, se dedicava ao culto de São Sebastião. “Quando comecei a me entender como gente, ainda criança, essa festa já existia. Meu pai matava boi, tinha o mastro. Quando meu pai faleceu, minha mãe continuou com a tradição. Depois que ela faleceu, minha filha fez uma promessa e trouxe a festa para cá”, relembra.

Com o coração cheio de gratidão, ele conta como a devoção de sua família ao santo é uma herança que transcende gerações. “São Sebastião representa muita coisa, representa família. Por sinal, se meu pai fosse vivo, estaria de aniversário hoje. Eu agradeço a Deus por estar vivo e poder contar isso aqui para o senhor”, disse, emocionado.

Programação especial do dia 20 de janeiro

A festividade dedicada a São Sebastião, na Paróquia da Sacramenta, teve início no dia 12 de janeiro, com novenas e missas diárias às 18h e 19h. Nesta terça-feira (20), o grande dia de São Sebastião, as celebrações ganharam proporções ainda maiores, com a presença de fiéis de toda a cidade. Ao todo, os nove dias de programação reuniram cerca de 10 mil pessoas, segundo estimativas da Pastoral da Comunicação (Pascom).

Com o tema “São Sebastião, exemplo de humildade e serviço”, a programação começou cedo, com a missa das 7h, presidida pelo monsenhor Agostinho Cruz, vigário-geral da Arquidiocese de Belém, que ressaltou a importância de São Sebastião como exemplo de coragem, perseverança e fé. Segundo a tradição, São Sebastião nasceu no século III em Narbonne (cidade que hoje fica na França). Ele entrou para o exército e se tornou primeiro capitão da guarda do Império Romano. Professava o cristianismo aos presos e aos companheiros de exército - o que era proibido. Denunciado por um colega do exército, foi preso e condenado à morte por flechadas, mas sobreviveu à execução. Recuperado dos ferimentos, São Sebastião voltou a pregar o cristianismo e a converter militares e nobres, até ser capturado e morto por espancamento.

“Quando a Igreja Católica celebra um santo, ela propõe um modelo de vida cristã para os homens de todos os tempos. São Sebastião é dos primeiros séculos, mas continua atual, pois é um testemunho de perseverança e de fé inabalável. A opção radical por Cristo fez com que ele entregasse a própria vida para que mais pessoas pudessem conhecê-lo, amá-lo e servi-lo”, destacou o monsenhor.

Após a missa, ocorreu a tradicional carreata pelas ruas do bairro da Sacramenta, com a participação de dezenas de carros que acompanharam a imagem de São Sebastião em um cortejo pelas principais avenidas e vias da região. Ao longo do trajeto, casas enfeitadas e fiéis manifestavam gratidão ao santo pelas graças alcançadas ao longo do ano.

Às 12h, será celebrada missa presidida pelo cônego Roberto Cavalli, reitor do Seminário São Pio X, com a concelebração dos padres da Região Episcopal Santa Cruz. Às 13h, haverá a novena do padroeiro. O encerramento da festividade ocorre às 19h, com Missa Solene presidida por dom Julio Endi Akamine, arcebispo de Belém, seguida da Procissão Luminosa pelo entorno da paróquia, com percurso pela avenida Senador Lemos, passagem São Sebastião, travessa Alferes Costa e retorno à igreja.

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