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Um ano sem Papa Francisco: legado de simplicidade e compromisso social segue vivo, dizem religiosos

Padre Cláudio Pighin destaca ensinamentos do pontífice sobre humildade, justiça social, meio ambiente e uma Igreja mais próxima dos pobres

O Liberal

A morte do Papa Francisco completa um ano nesta terça-feira (21), marcando um período de reflexão sobre o legado de um dos pontífices mais influentes da história recente da Igreja Católica. Reconhecido por sua simplicidade, proximidade com os fiéis e posicionamentos firmes em temas sociais e ambientais, Francisco deixou ensinamentos que, segundo especialistas religiosos, seguem atuais e necessários.

Para o padre Cláudio Pighin, a essência do pontificado de Francisco está na coerência entre discurso e prática, uma característica que, segundo ele, aproximou o Papa das pessoas comuns. “Quem pode esquecer aquele homem vestido de branco, carregando uma bolsa velha, preta, caminhando pelas estradas de Roma? Um homem simples. Ele nos deixou esse ensinamento não tanto pelas palavras, mas pelos fatos. Foi alguém que quis realmente dar seguimento a Pedro, testemunhando o verdadeiro ensino de Jesus: a humildade, a simplicidade e a proximidade com as pessoas. Ele não se apoiava no poder que tinha, mas no testemunho”, afirmou.

Economia a partir dos pobres

Outro aspecto destacado pelo sacerdote foi a contribuição do pontífice para o debate econômico global. De acordo com Pighin, Francisco rompeu com uma lógica tradicional ao propor uma economia centrada nos mais vulneráveis. “Ele promoveu uma economia solidária ao convocar jovens economistas do mundo inteiro para refletir sobre um modelo econômico que parta dos pobres, dos simples, e não dos ricos. Essa proposta representa uma mudança profunda de perspectiva. É olhar o mundo a partir dos últimos”, explicou.

Segundo o padre, essa visão ultrapassa o campo econômico e dialoga diretamente com a política. “Isso também nos ensina sobre a verdadeira política: uma política que deve nascer das necessidades dos mais pobres, favorecendo os últimos e não os poderosos. É uma crítica muito atual ao modelo que ainda persiste na sociedade”, acrescentou.

Defesa da Amazônia e da criação

A preocupação ambiental foi outro pilar do pontificado de Francisco, especialmente no que diz respeito à Amazônia, tema que ganhou destaque internacional durante seu papado. “Ele nos ensinou a resgatar a criação como algo ligado à vida humana, e não como um recurso a ser explorado. A criação deve conviver de forma equilibrada com a humanidade. Nesse sentido, apoiou fortemente a promoção da Amazônia, defendendo que ela seja respeitada, pois pertence à criação de Deus”, destacou Pighin.

Para o sacerdote, essa visão reforça a necessidade de uma convivência mais harmônica entre sociedade e meio ambiente. “Trata-se de construir uma relação pacífica, fraterna e solidária com tudo aquilo que foi criado. Esse é um dos grandes ensinamentos deixados por Francisco”, disse.

Um Papa que olhava para o outro

Ao relembrar o primeiro ano da morte do pontífice, Pighin enfatizou a capacidade de Francisco de comunicar a mensagem cristã de forma acessível e profunda. “Ele conseguiu comunicar de maneira efetiva e afetiva o pensamento e a vida de Jesus. Sempre se preocupou a partir do outro, nunca de si mesmo. O outro era prioridade”, afirmou.

Essa postura, segundo o padre, se refletia em decisões concretas e na forma como o Papa conduzia a Igreja. “Ele buscava sempre compreender e promover aqueles que estavam em situações mais difíceis. Não se preocupava com aparências ou com o poder, mas com a melhor forma de ajudar as pessoas”, pontuou.

Inclusão e reformas na Igreja

Pighin também destacou o caráter inclusivo do pontificado e as mudanças estruturais promovidas por Francisco dentro da Igreja Católica. “Ele nunca pensou em excluir ninguém. Pelo contrário, sempre foi ao encontro de todos. Foi um Papa que abriu portas, que acolheu, que dialogou”, afirmou.

Além disso, o sacerdote ressaltou a coragem do pontífice em implementar reformas consideradas históricas. “Temos que reconhecer que foi o primeiro Papa que teve coragem de promover mudanças na Cúria Romana, algo que muitos não conseguiram fazer. Ele impulsionou uma Igreja mais solidária e mais sinodal, que era o que precisávamos”, disse.

Um legado que permanece

Para o padre Cláudio Pighin, o legado do Papa Francisco permanece vivo não apenas na memória dos fiéis, mas também nas transformações que ele iniciou. “Foi um Papa que nos ajudou a viver de forma mais fiel a mensagem de Jesus. Seu exemplo continua sendo um chamado à humildade, à solidariedade e ao compromisso com o outro”, concluiu.