MENU

BUSCA

Tutores em Belém dizem que adoção de pets é como 'investir em amor'

Investimento é pago com carinho e companheirismo, mas alertam sobre o compromisso e responsabilidade que a adoção exige

Gabi Gutierrez

Adotar um animal de estimação pode começar com amor à primeira vista, mas a decisão envolve mais do que isso. Companhia, rotina, custos e responsabilidade entram no cálculo de quem decide levar um cachorro ou gato para casa. Em Belém, tutores dizem que o investimento é pago com carinho e companheirismo, que fazem a diferença na rotina, mas alertam sobre o compromisso e responsabilidade que a adoção exige.

Juliana Souza é tutora de dois cachorros e, agora, em uma feira de adoção em um supermercado da capital paraense, se interessou em adotar uma gata. A professora reconhece que manter um animal envolve gastos e planejamento. Ainda assim, considera que a companhia e o carinho, fazem tudo valer a pena.

“Esses custos passam despercebidos para mim. Não que eu tenha muito dinheiro, mas é porque eu gosto. Para mim, é um prazer ter a companhia deles”, afirmou.

Ela define a adoção como “um investimento de amor” e resume: “O que faz valer a pena é o amor”.

A atendente de loja Ana Carolina Torres concorda com a máxima de Juliana. Ela se apaixonou à primeira vista por uma das gatas que estavam em uma feira de adoção neste sábado (28), no bairro do Marco, em Belém, e fala que considera que este, inclusive, é um investimento para a formação moral dos filhos.

Ela conta que, ao longo da vida, sempre criou animais, e hoje, sendo mãe de duas crianças, acredita que a convivência com animais ajuda na formação do caráter dos pequenos. “É o melhor ambiente para criar uma criança. Aprendemos desde cedo a respeitar, cuidar, sentir empatia, aprender a amar”, disse. Para ela, o contato com animais ensina responsabilidade e empatia .

Apesar do afeto envolvido, Ana reconhece que a adoção exige compromisso contínuo. “É uma responsabilidade muito grande. Tem que ter paciência, cuidar quando adoece e tratar com respeito”, afirmou.
 

Companhia e reciprocidade

Auxiliar de mercearia, Pueblo Patrick destacou a importância para ele de conviver com pets, ressaltando o impacto emocional na rotina. “Às vezes a pessoa está triste, para baixo. Às vezes o pet é a melhor companhia que a gente tem”, disse.

Segundo ele, sobretudo para quem passa muito tempo fora de casa pela rotina de trabalho, a presença do animal se torna central no dia a dia. “Quando a gente chega, a melhor companhia que a gente tem é nosso animalzinho nos esperando”, diz.

Patrick também chamou atenção para a forma como o animal deve ser tratado. “Tem que tratar com muito respeito, porque existe um retorno. O animal te respeita, tem carinho”, afirmou. Para ele, a relação é construída na reciprocidade e no cuidado diário.

 

Animal não é brinquedo

Responsável por um abrigo em Outeiro e pela intermediação das adoções, Dilma dos Santos reforça que a decisão precisa ser consciente.

“Que a pessoa tenha responsabilidade e venha cuidar realmente deles, porque não é brinquedo. Não é brinquedo”, afirmou.

Ela relata que já houve devoluções pouco tempo depois da adoção. “A gente não doa para depois a pessoa vir com 24 horas devolver, como já aconteceu. É preciso ter paciência e respeitar o tempo deles, né?”, disse.

Segundo Dilma, o adotante precisa avaliar se tem estrutura adequada. “Antes aquele que que tem interesse precisa pensar se cabe no orçamento e se o seu espaço tem o que um animal precisa”, ressaltou.

Ela também reforça o vínculo criado na convivência. “O animal tem um carinho muito grande pela pessoa. Ele se apega muito. Então é importante levar em consideração o amor e a dependência que eles criam com a gente”, afirmou.