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Treinos feitos de forma errada levantam alerta para risco de lesões

Na prática, quem vive a rotina de academia confirma a importância desses cuidados

Bruna Lima

As cenas de treinos improvisados pela  participante Samira no Big Brother Brasil 26 viralizaram e abriram um debate que vai além do entretenimento, pois gera o debate de que  até que ponto a falta de orientação pode comprometer a saúde de quem está começando na academia.  A repercussão chamou a atenção de especialistas e reacendeu o alerta sobre erros comuns, riscos de lesões e a importância do acompanhamento profissional.

Para o gerente de academia Álvaro Tavares, que também é personal trainer, a orientação adequada é um dos pilares para garantir resultados. Segundo ele, sem acompanhamento, o aluno tende a executar exercícios de forma inadequada, o que pode gerar lesões e até impedir a evolução esperada. “A gente trabalha para que o aluno tenha um treino individualizado, com acompanhamento durante todo o período na academia”, explica.

Entre os erros mais comuns, Álvaro destaca o excesso de carga. Muitos iniciantes, por vergonha ou falta de conhecimento, acabam pegando mais peso do que deveriam. “Isso compromete a execução e pode causar lesão. Além disso, a postura é um ponto crítico. Muita gente chega sem noção de alinhamento corporal, e isso precisa ser ajustado desde o início”, afirma.

Outro aspecto essencial é a avaliação física. De acordo com o profissional, ela permite identificar particularidades de cada aluno, como desvios posturais ou limitações específicas. “Os alunos têm objetivos e perfis diferentes. A avaliação direciona o treino para que ele seja seguro e eficiente”, reforça.

Na prática, quem vive a rotina de academia confirma a importância desses cuidados. A autônoma Edilene Costa, de 27 anos, começou a treinar há cerca de dois anos e relata mudanças significativas na qualidade de vida. “A musculação me faz bem, melhora até a respiração. Eu amo treinar”, conta. Mesmo sem personal trainer atualmente, ela busca orientação sempre que tem dúvidas. “Às vezes pergunto para os professores se estou fazendo certo. O principla é sentir a musculatura”, diz.

Já a estudante de direito Marina Marques, de 23 anos, está retomando os treinos após uma lesão. No caso dela, o problema não surgiu diretamente da academia, mas exigiu cuidados redobrados no retorno. “Eu sempre me preocupo com a execução. Os professores ajudam bastante, e agora tenho que evitar cardio muito intenso e fazer alongamentos”, explica.

Embora a musculação traga benefícios, o professor Álvaro destaca que a prática sem orientação pode trazer riscos, exatamente o ponto evidenciado pelo caso de Samira no reality. A popularização dos treinos nas redes sociais, apesar de positiva em alguns aspectos, também contribui para a disseminação de informações equivocadas, especialmente entre iniciantes.

Adolescentes chegam mais cedo às academias e exigem atenção redobrada

A presença de adolescentes nas academias tem crescido nos últimos anos, impulsionada tanto pelas redes sociais quanto pela busca por saúde e estética. O personal pontua que esse público exige cuidados específicos.

Segundo Álvaro Tavares, jovens costumam chegar com muitas referências da internet, nem sempre adequadas à sua realidade. “A gente precisa direcionar, porque muitas informações não são corretas ou não são para o nível deles”, explica. Ele destaca que, hoje, já não há o mesmo tabu sobre musculação precoce. “Os estudos mais recentes mostram que, com orientação, é seguro começar por volta dos 12 a 14 anos”.

Apesar disso, há diferenças importantes entre adolescentes e adultos. A principal está na coordenação e na consciência corporal. “O jovem ainda está aprendendo os movimentos, tem mais dificuldade de entender onde fazer força. Por isso, o treino precisa ser adaptado”, ressalta.

A estudante Linda Graziela, de 18 anos, começou a treinar aos 16, incentivada pela mãe. No início, o processo foi gradual. “Eu comecei devagarzinho, porque era muito nova. Tinha muita vergonha e ficava preocupada se estava fazendo certo”, lembra. Com o tempo, ganhou confiança e mantém uma rotina de cinco treinos por semana.

Para ela, os benefícios vão além do físico. “Foi muito importante para minha saúde mental. Eu estava passando por um momento difícil, e a academia me ajudou a relaxar e melhorar psicologicamente”, relata.

 

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