Tapetes de serragem em Belém: procissão de Corpus Christi percorre ruas históricas da capital
A programação teve início às 8h, com missa na Catedral Metropolitana de Belém, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Julio Endi Akamine
Centenas de fiéis participaram, na manhã desta quinta-feira (4), da tradicional procissão de Corpus Christi pelas ruas do centro histórico de Belém. A celebração, considerada uma das mais importantes do calendário litúrgico da Igreja Católica, foi marcada por momentos de oração, devoção e homenagens à Eucaristia. Ao longo do percurso, o Santíssimo Sacramento foi conduzido em cortejo pelas vias da Cidade Velha, acompanhado por religiosos, ministros, coroinhas e centenas de fiéis.
A programação teve início às 8h, com missa na Catedral Metropolitana de Belém, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Julio Endi Akamine. Após a celebração, os participantes seguiram em procissão pelas ruas do centro histórico. As imagens registraram o momento em que o ostensório com a hóstia consagrada deixou a Catedral e percorreu diferentes trechos da cidade, passando por ruas estreitas cercadas por construções históricas e pelo casario que marca a paisagem da capital paraense.
Tapetes de serragem
Durante o trajeto, os fiéis acompanharam a passagem do Santíssimo sob um pálio ornamentado em vermelho e dourado. Também chamaram atenção os tapetes confeccionados especialmente para a celebração, com desenhos religiosos que retratavam símbolos da Eucaristia, cálices, cruzes, espigas de trigo, cachos de uva, pombas e imagens ligadas à tradição cristã. As obras coloridas tomaram parte das ruas próximas à Catedral, formando um caminho de fé para a passagem da procissão.
A caminhada foi marcada por cânticos, orações e demonstrações de devoção dos participantes. Famílias inteiras, idosos, jovens e integrantes de diversas pastorais acompanharam o cortejo religioso, muitos registrando o momento com celulares e câmeras. Em alguns pontos do percurso, a multidão ocupou completamente as vias, reforçando o caráter comunitário da celebração.
Família reunida
O missionário Roberto Basile, de 44 anos, participou da celebração acompanhado da esposa e dos dois filhos. Presente todos os anos na programação de Corpus Christi, ele destacou que o momento representa uma oportunidade de reunir a família em torno da fé e da devoção à Eucaristia.
Para Roberto, estar na procissão ao lado dos familiares é uma forma de fortalecer os laços espirituais e colocar a família sob a proteção de Cristo. “É uma alegria, porque é colocar nossa família aos pés de Jesus, Jesus Eucarístico, seu corpo santo.”.
Ele também afirmou que costuma participar das demais programações promovidas pela Igreja e ressaltou a importância da celebração como um momento de encontro entre os fiéis. Segundo ele, a grande presença de pessoas demonstra a força da fé católica e da espiritualidade compartilhada pela comunidade.
Ao observar a multidão reunida nas ruas do centro histórico de Belém, Roberto definiu a procissão como uma expressão coletiva de valores que vão além da vida cotidiana. “É uma manifestação de fé e esperança, de paz também. Saber que todo mundo tem um princípio e propósito do além do que não é para esse mundo.”.
Emoção
A emoção marcou a participação da aposentada Maria da Conceição Piquereu, de 80 anos, que acompanhou a passagem da procissão das proximidades da Catedral Metropolitana. Com lágrimas nos olhos, ela se emocionou ao rever o cortejo religioso, tradição que acompanhou durante boa parte da vida. Atualmente, devido às dificuldades de locomoção, Maria já não consegue percorrer o trajeto, mas faz questão de estar presente para assistir à passagem do Santíssimo Sacramento.
Ao lado dela estava a cuidadora Solange Tavares, que a acompanha há cerca de três anos. Segundo Solange, mesmo sem conseguir participar da caminhada como fazia antigamente, Maria mantém a devoção e aguarda todos os anos a celebração de Corpus Christi para acompanhar o momento de fé. A cuidadora destacou que assistir à procissão é uma experiência especial e carregada de significado religioso para ambas. “É muito gratificante, muito bonito.”.
A Solenidade
A Solenidade de Corpus Christi é celebrada sempre na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade e tem como principal objetivo reafirmar a crença da Igreja Católica na presença real de Cristo na Eucaristia. A data também é tradicionalmente marcada pela confecção de tapetes decorativos produzidos por comunidades católicas para a passagem da procissão. Na Arquidiocese de Belém, são realizadas celebrações com missa e procissão nas paróquias em Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara.
Dom Julio Endi Akamine explicou que a procissão de Corpus Christi é uma forma de a Igreja manifestar publicamente a fé na presença de Cristo na Eucaristia. Segundo ele, embora a instituição da Eucaristia seja celebrada na Quinta-Feira Santa, a proximidade com a Sexta-Feira da Paixão impede que toda a alegria da celebração seja expressa naquele momento. Por isso, a Igreja reservou uma data específica para destacar esse mistério da fé e reafirmar a união dos cristãos com Cristo.
“A igreja instituiu, escolheu uma data específica para que a gente possa também manifestar publicamente essa nossa fé no Cristo presente na Eucaristia e de que nós somos o corpo de Cristo”, afirmou.
O arcebispo ressaltou ainda que o centro da solenidade não são os tradicionais tapetes decorativos, mas a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, representada pelo pão e vinho consagrados. Segundo ele, os tapetes existem como uma homenagem ao Santíssimo Sacramento e ajudam a expressar a devoção dos fiéis. “Às vezes as pessoas levam em conta somente o tapete. Mas o tapete está em função, exatamente, da honra que nós queremos prestar a Cristo que está presente”, destacou.
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