Sobrecarga e falta de manutenção podem ter gerado desabamento no comércio, diz Semcult
A estrutura desmoronou na manhã desta segunda-feira (6), na área do comércio da capital paraense
A falta de manutenção preventiva e a sobrecarga de mercadorias podem ter provocado o desabamento da fachada do prédio histórico localizado na rua 13 de Maio, no bairro da Campina, em Belém. A estrutura desmoronou na manhã desta segunda-feira (6), na área do comércio da capital paraense. A avaliação preliminar foi realizada pelo arquiteto da Secretaria Municipal de Cultura (Semcult), Jorge Martins Pina, que esteve no local da ocorrência.
Segundo o arquiteto, imóveis históricos exigem cuidados constantes para preservar a estrutura. “Esses prédios têm mais de 200 anos e necessitam de manutenção preventiva constante. O que, ao que tudo indica, não estava acontecendo”, afirmou.
Ao chegar ao local, Pina observou indícios de comprometimento na cobertura do imóvel. De acordo com ele, uma calha próxima à esquina estava tombada, o que pode ter favorecido infiltrações. A umidade, explicou, teria enfraquecido as paredes da edificação.
Além disso, o arquiteto apontou que os pavimentos superiores estavam sendo utilizados para armazenar uma quantidade de mercadorias incompatível com a capacidade estrutural do prédio. “No segundo e terceiro pavimentos havia uma sobrecarga de materiais muito acima do que essa estrutura suporta. É uma construção antiga, feita com barrotes e soalho de madeira, sem lajes ou vigas de concreto”, explicou Jorge Martins Pina.
Na avaliação dele, a infiltração somada ao excesso de peso provocou o colapso estrutural. “O problema da cobertura enfraqueceu as paredes e a sobrecarga fez com que ocorresse o desabamento dos barrotes junto com parte da fachada”, disse o arquiteto. Ele ressaltou, porém, que as causas serão confirmadas por laudos técnicos que serão elaborados pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil.
Manutenção e fiscalização
Questionado se uma manutenção preventiva poderia ter evitado o desabamento, mesmo com a grande quantidade de mercadorias armazenadas no imóvel, Pina afirmou que o risco permaneceria. Segundo ele, por se tratar de uma edificação histórica, a estrutura não foi projetada para suportar cargas elevadas. “Mesmo com manutenção, ainda existiria esse risco diante da quantidade de mercadorias que estava armazenada no prédio”, afirmou.
Sobre relatos de que funcionários de uma loja vizinha teriam alertado o proprietário, há cerca de um ano, sobre o risco de desabamento, o arquiteto informou que a Secult não recebeu qualquer comunicação oficial. Segundo ele, caso a secretaria tivesse sido acionada, poderia ter prestado orientação técnica para a preservação do imóvel.
Pina explicou ainda que a Secult mantém uma equipe especializada para prestar assessoria a proprietários e inquilinos de imóveis históricos. De acordo com ele, o atendimento é realizado sempre que solicitado e inclui orientações sobre conservação e restauração. O arquiteto acrescentou que muitos proprietários recorrem ao serviço para obter benefícios previstos na legislação, como desconto no IPTU destinado a imóveis de valor histórico.
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