Santo Alexandre: exemplo de fé nas entranhas de Belém
Complexo homônimo, na Cidade Velha, abriga igreja e museu de arte sacra, expressando a fé e cultura dos paraenses
O Dia de Santo Alexandre transcorre neste 26 de fevereiro. Belém não possui uma relação direta de devoção a esse santo, mas conta com o Complexo de Santo Alexandre no bairro histórico da Cidade Velha, fato esse que instiga belenenses e outros cidadãos a conhecerem um pouco mais sobre a vida desse personagem da Igreja Católica, inclusive, a coragem e fé demonstradas por ele.
No Complexo de Santo Alexandre estão uma igreja dedicada a ele e o Museu de Arte Sacra (MAS), administrado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult). No espaço, está uma imagem do santo.
O cônego Ronaldo Menezes, pároco de São Geraldo Magela, do bairro de Val-de-Cans, informa que este santo nasceu em Alexandria, no Egito, onde também morreu no dia 26 de fevereiro do ano 326, “depois de um cansativo mas importantíssimo labor apostólico em defesa da fé cristã”. “Para estes dias em que a pessoa e a doutrina de Jesus Cristo são postas em xeque ou passam por um visível processo de indiferentismo, a sua vida e os seus embates devem servir de exemplo aos vacilantes, a fim de que não negociem o que não pode ser negociado, como a fé, sem a qual a vida perde o seu sentido”, pontua o cônego.
Santo Alexandre nasceu em Alexandria, por volta do ano 250; possuía uma profunda cultura e estava a par dos grandes acontecimentos do seu tempo. Foi eleito bispo da sua cidade em 312. Alexandria era o mais importante centro cultural e religioso no Oriente. “Foi da sua Sé Episcopal que ele travou uma das mais célebres e importantes, senão a maior, batalha em defesa da fé cristã, enfrentando a heresia ariana, doutrina que não reconhecia a divindade de Jesus Cristo”, ressalta Ronaldo Menezes.
Ao seu insistente pedido, como pontua o cônego Ronaldo, o papa o imperador romano Constantino convocou um concílio para tratar da questão, o qual se realizou na cidade de Nicéia, em 325. Alexandre já estava enfermo, e tomou, em seu nome, os debates o jovem Atanásio, que depois veio a sucedê-lo na mesma Alexandria. “Esta é uma história bela de se conhecer e, por isso, admirar este santo homem de Deus”, enfatiza o cônego.
Sobre a relação que tem com Santo Alexandre, cônego Ronaldo destaca: “Admiro nele a coragem, a tenacidade, a força com que defendia o que acreditava. Entre as suas preocupações estava o bem do seu povo, do qual era próximo, um pastor zeloso e atencioso. Preocupa-se com os mais pobres, os indigentes, dos quais cuidava com carinho. Mantinha uma enorme proximidade com os seus colaboradores, os sacerdotes, dando-lhes a formação necessária para aqueles exigentes tempos, dentre os quais sobressaiu-se notadamente Santo Atanásio. Foi um homem admirável pelas suas virtudes”.
Museu de Arte Sacra
Quem visita o Museu de Arte Sacra (MAS) no Complexo de Santo Alexandre, em Belém, pode conferir de perto essa relação de expressividade da fé por meio das peças no espaço cultural e histórico. O MAS funciona no antigo Palácio Episcopal, originalmente Colégio Jesuítico de Santo Alexandre, e foi inaugurado em 28 de setembro de 1998. A igreja em homenagem ao santo está integrada ao Museu. Originalmente, ela era a Igreja de São Francisco Xavier, construída pelos padres da Companhia, com participação do trabalho indígena entre o fim do século XVII e início do século XVIII.
No espaço estão mais de 400 peças, entre imagens e objetos sacros dos séculos XVIII ao XX. As coleções no local, antes reunindo peças da própria igreja, receberam obras oriundas de outras igrejas do Estado e de coleções particulares. A coleção da Arquidiocese de Belém reúne 86 peças em comodato, e a coleção Abelardo Santos, adquirida pelo Governo do Estado no momento da criação do Museu de Arte Sacra, abrange 224 peças.
Os dois prédios – da Igreja e Museu – foram construídos para compor um conjunto, no qual a igreja era o centro irradiador, como exemplar da arquitetura jesuítica no Brasil. A igreja teve o início da sua construção por volta de 1698 e inauguração a 21 de março de 1719. É composta por nave única, transepto e oito capelas laterais. A sacristia localiza-se no braço esquerdo da nave. A decoração é caracterizada pela arte barroca, com forte acento tropical, destacando-se as peças produzidas pelos jesuítas e pelos índios. Além da função litúrgica, a igreja também funciona como espaço cênico-musical para espetáculos teatrais e recitais, além de ser objeto museal, fazendo parte do roteiro de visitação do museu.
Nesse espaço, é possível observar uma imagem de Santo Alexandre em madeira, esculpida e policromada, do Século XVIII. Segundo Erika Lima, que conhece de perto as peças do Museu, a imagem de Santo Alexandre é uma das peças mais antigas no espaço e que foi trazida pelos jesuítas quando chegaram em Belém. Na igreja em homenagem ao santo, destacam-se os púlpitos em cedro vermelho e também os retábulos das capelas, nos quais se observa a riqueza do trabalho em madeira.
Ainda em janeiro de 2022, o Governo do Estado entregou as obras de revitalização do MAS: O Museu recebeu intervenções para reconstituição da pintura das fachadas, reparo do telhado, na cimalha toda, além da retirada de infiltrações e goteiras, bem como desentupimento e reconstituição das calhas e outros itens. O investimento feito pelo Governo do Estado foi de quase R$ 1 milhão de reais. O MAS pode ser visitado de terça a domingo, de 9 às 17h.
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