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Reforma da praça Brasil gera temor de descaracterização e insegurança entre moradores, em Belém

Entre os principais receios estão a retirada da vegetação e a perda da arborização, em um dos pontos de área verde da capital

O Liberal

Após o anúncio da reforma da praça Brasil, localizada no bairro do Umarizal, que deve ser transformada em um parque urbano, moradores, frequentadores e comerciantes do entorno manifestam preocupação com a possível descaracterização do espaço. Entre os principais receios estão a retirada da vegetação e a perda da arborização, em um dos pontos de área verde da capital. Já os vendedores temem ser removidos do local e perder seus postos de trabalho. A falta de diálogo sobre o projeto também é motivo de questionamento.

A vendedora ambulante Maria Nilvalda Farias, de 72 anos, trabalha diariamente na praça Brasil, desde 2014, de onde tira o seu sustento. Moradora do bairro Guamá, ela depende do espaço para armazenar e vender suas mercadorias, e teme que a reforma da praça comprometa tanto a renda quanto a organização atual do local, já que não recebeu informações sobre realocação, cadastro ou garantia de permanência.

Maria pontua que deve procurar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), que fiscaliza e gerencia o trabalho dos comerciantes na capital, para verificar como deve ficar a situação dos ambulantes na praça. Por outro lado, ela diz que as obras já iniciaram há pouco mais de uma semana e comenta que teme a retirada das árvores do espaço, que são símbolos da praça. 

”Acho que é preciso ter preocupação com a preservação, porque essa obra deve afetar muita coisa aqui. Não queríamos que retirassem, pelo menos, as árvores, nem que prejudicassem nosso dia a dia. Eles chegaram, pararam aí, e ninguém explicou nada. O prefeito disse que não vai prejudicar ninguém, mas sabemos como é: a palavra dele não garante tudo.”, comenta.

“Desde 2014 sou ambulante. Estou preocupada com essa reforma porque não sei se terei um box. Ninguém veio me notificar sobre nada. Hoje, inclusive, pretendo ir até lá para saber o que vão me informar. Acredito que eles deveriam vir aqui pela manhã, à tarde e à noite, porque cada pessoa trabalha em um horário.

Impacto na rotina 

Ela também demonstra preocupação com o impacto da obra na própria característica da praça, hoje um tradicional espaço de vendas. Segundo ela avalia, a reforma, caso não seja realizada de forma adequada, pode comprometer a renda dos trabalhadores, especialmente diante da possibilidade de serem instalados 30 boxes muito próximos uns dos outros. Falta diálogo. Se alguém viesse conversar comigo e dissesse: ‘Olha, dona Nilvalda, vamos fazer assim, assim’, já seria alguma coisa. Mas até agora não apareceu ninguém”, comenta.

“No meu caso, se precisarem do lugar onde guardo minhas coisas, não terei onde colocar. Minha casa é distante. Como vou deixar minha mercadoria? Não posso vir de ônibus todos os dias levando tudo, e também não tenho carro. Estou realmente muito preocupada, porque é o meu sustento”, completa.

Insegurança

Para a aposentada Nazaré Nicolau, 72, que frequenta a praça Brasil todos os dias para realizar exercícios físicos, a reforma pode trazer melhorias, mas afirma que também há insegurança sobre a retirada da vegetação. Inclusive, chama atenção para o maior cuidado, uma vez que já ocorreram quedas de árvores no espaço. “Acho que eles teriam que ter cuidado para verificar a situação das árvores, mas, para mim, a reforma não vai impactar. A reforma é sempre para o bem, desde que não descaracterize”, relata.

O histórico de reclamações na praça é antigo, segundo Nazaré. A segurança é um dos desafios atuais. “O que me preocupa é a segurança. No caso, de madrugada arrebentam tudo, quebram tudo. É muito triste isso, porque é dinheiro público investido. Precisa ter vigilância. Antigamente tinha guarda municipal. De madrugada, algumas pessoas arrancam as pedras todinhas, essas pedras portuguesas, e ficam jogando nos carros, nas casas”, diz.

Posicionamento

Em nota, a Prefeitura de Belém informou que o projeto de transformação da Praça Brasil em um parque urbano tem como diretriz fundamental o respeito e a preservação do patrimônio histórico e da identidade cultural do espaço, conciliando a conservação com a modernização de suas instalações. "A Prefeitura reforça que o espaço não ficará sem árvores. Pelo contrário, a preservação da cobertura vegetal e da arborização local é uma prioridade do projeto de revitalização, além de contemplar todos os trabalhadores do entorno, seguindo uma reorganização estrutural planejada", finaliza o comunicado.