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Professores destacam a profundidade e relevância do tema da redação do Enem 2025

Para a professora de redação Jessica Maria, a escolha revela a intenção da banca avaliadora de testar a capacidade dos candidatos de olhar para o Brasil real, para além das questões estritamente urbanas

O Liberal

A professora de redação Jessica Maria avaliou como “excelente” o tema escolhido pelo Inep para a prova de redação do Enem 2025 aplicada, neste domingo (30), em Belém, Ananindeua e Marituba: “A valorização dos trabalhadores rurais no Brasil”. Para ela, a proposta está alinhada ao padrão do exame, que tradicionalmente aborda temas sociais, amplos e ligados a grupos historicamente invisibilizados. “É um assunto atual, pouco explorado pelos estudantes e que permite discutir direitos trabalhistas, políticas públicas e desenvolvimento nacional”, destacou.

Segundo Jessica, a escolha revela a intenção da banca avaliadora de testar a capacidade dos candidatos de olhar para o Brasil real, para além das questões estritamente urbanas. Ela afirma que a proposta exige que o aluno reconheça a importância estratégica dos trabalhadores rurais para o país e consiga relacionar fatores como desenvolvimento econômico, segurança alimentar, desigualdade social e políticas públicas voltadas ao campo.

A professora aponta que há diversos caminhos argumentativos sólidos que podem ser utilizados pelos estudantes. Entre eles, estão a discussão sobre o papel desses trabalhadores na sustentação da economia e da alimentação do país, a falta de direitos e infraestrutura, o contraste entre a modernização do agronegócio e a precarização da mão de obra, além da necessidade de políticas de valorização, educação do campo e assistência técnica. Impactos sociais da desvalorização, como o êxodo rural e a insegurança alimentar, também podem fortalecer a argumentação.

Jessica alerta, porém, que o tema pode levar alguns candidatos a erros comuns, como cair em clichês ou generalizações superficiais do tipo “o campo é importante” sem aprofundar a análise. Ela também ressalta que é equivocado tratar o trabalhador rural como sinônimo de grande produtor ou limitar o texto a uma defesa genérica do agronegócio. Outro ponto crítico é a apresentação de propostas de intervenção incompletas, já que o Enem exige detalhamento e viabilidade das soluções.

Para construir uma redação consistente, a professora recomenda que os alunos mobilizem conhecimentos sobre a formação agrária brasileira, concentração de terras, desigualdade no campo, informalidade, exploração do trabalho rural e dados sobre produção agrícola e segurança alimentar. Políticas públicas como o Estatuto da Terra, o PRONAF e iniciativas de educação do campo também podem ajudar a fundamentar o texto. Além disso, ela destaca que aspectos culturais e o papel da agricultura familiar enriquecem a argumentação.

“Com esses pontos, dá para montar uma redação sólida e bem fundamentada. Estou surpresa, porém muito feliz e confiante com o recorte escolhido para nossa aplicação”, concluiu Jessica Maria.

​Relevância social e amazônica

A professora de redação Cláudia Pessoa também analisou o tema da redação do Enem 2025​ aplicado na Grande Belém e destacou que a proposta é “muito pertinente e bem a cara do Enem”. Para ela, o assunto aborda questões centrais como trabalho, desigualdade e direitos, ao mesmo tempo em que coloca em evidência um grupo essencial para o país, mas historicamente esquecido. ​“É aquele tipo de tema que permite ao estudante argumentar, criticar e propor soluções, exatamente como o Enem espera”, afirmou.

Cláudia ressalta que já imaginava que a prova pudesse trazer um recorte social ligado à região amazônica, ond​e o trabalho rural e ribeirinho está fortemente presente no cotidiano. Ela destaca que a escolha pode ter sido influenciada pelo desejo de aproximar o exame das realidades vividas pelos estudantes da região.

Na avaliação da professora, a banca pretende verificar se o candidato consegue perceber as desigualdades entre o campo e a cidade, reconhecer a importância da agricultura familiar e compreender o papel do Estado na implementação de políticas públicas que garantam direitos aos trabalhadores do campo. Esse olhar mais amplo, segundo ela, é fundamental para um bom desempenho.

Sobre os caminhos argumentativos, Cláudia aponta que o estudante pode explorar desafios como a falta de políticas públicas, a desvalorização da agricultura familiar, a informalidade e o baixo reconhecimento social desses trabalhadores. “Também dá para pensar no trabalho informal e nas desigualdades”, acrescentou.

A professora afirma ainda que conhecimentos históricos sobre a formação agrária do Brasil e a concentração de terras podem ajudar o aluno a contextualizar as desigualdades. Aspectos sociais e econômicos, como o papel do trabalhador rural e ribeirinho na economia e as diferenças entre campo e cidade, também fortalecem o texto.

Cláudia faz um alerta importante: os candidatos devem evitar a romantização do campo e as generalizações. “O recorte é específico: ‘trabalhador rural’, não apenas trabalhador”, reforçou. Para ela, abordar os problemas reais enfrentados por essa população é essencial para construir uma redação consistente e alinhada ao que a banca espera.