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Pirarucus e tambaquis se destacam nos lagos da Praça Batista Campos, em Belém

Comunidade ajuda na conservação da fauna aquática, embora pontos da manutenção ainda precisem de atenção

Dilson Pimentel

A fauna aquática dos lagos da Praça Batista Campos, em Belém, tem se destacado como um dos atrativos mais encantadores do espaço público. Espécies como pirarucus, tambaquis e ciclídeos ornamentais embelezam o local e desempenham um papel importante na manutenção do equilíbrio ambiental e no controle de mosquitos. Desde 2019, a Associação dos Amigos da Praça Batista Campos tem trabalhado para preservar essa diversidade e manter o equilíbrio ambiental da fauna e flora locais, garantindo, assim, que os lagos permaneçam como um atrativo educativo e turístico para moradores e visitantes.

Mas, apesar dos esforços da associação, a manutenção da praça ainda enfrenta desafios estruturais e de gestão, que podem comprometer a experiência completa do público e o bem-estar dos peixes. O zootecnista Guilherme Minssen, integrante daquela associação, explicou como surgiu a iniciativa. “Nos preocupamos em manter um ambiente equilibrado, não só para garças e outras aves, mas também para os peixes. Trouxemos 33 pirarucus de um criatório oficial”, disse. “Durante a pandemia, quando a praça estava fechada, eles foram roubados com arpões por várias pessoas que chegaram em quatro a cinco carros. Restaram apenas oito pirarucus. Desde então, preservamos esses peixes e incluímos novas espécies, como 85 ciclídeos (que são ornamentais e se reproduzem rápido) de cinco espécies diferentes, garantindo um ecossistema diversificado”, afirmou.

Ainda segundo Guilherme Minssen, o trabalho da associação também envolve a comunidade. Os visitantes podem adquirir ração especial nas barracas de venda de coco próximas aos lagos e alimentar os peixes, ajudando não apenas na manutenção da fauna, mas também no controle de mosquitos, uma vez que alguns peixes consomem larvas que se reproduzem na água parada.

Porém, o trabalho da prefeitura de Belém é alvo de críticas dos membros da Associação dos Amigos da Praça Batista Campos. Guilherme Minssen destacou que a atuação do poder público é “bastante ineficaz”, e muitas ações são executadas sem preparo adequado. “Colocam pessoas para roçar sem orientação, árvores que nós replantamos são mal cuidadas, pedras foram colocadas apenas com areia, sem cimento, gerando buracos e riscos de acidentes. Além disso, muito lixo. No ano passado, tivemos uma última limpeza total dos lagos. São quatro lagos. Mas a prefeitura tem de 5 a 6 secretarias que coordenam aqui - fauna, flora, parte elétrica, piso. Mas nenhuma conversa conosco”, afirmou.

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Presidente da associação, José Olímpio Bastos, disse que a história dos peixes na praça começou com os pirarucus: “Em maio de 2019, recebemos mais de 30 alevinos de pirarucus que ganhamos de uma empresa que veio fazer uma exposição. E doaram pra nós. Alguns morreram. Soltamos na praça os peixes e começamos buscar informações com o pessoal da Embrapa. Fomos dando alimentação. A gente faz coleta e compra alimentação adequada. E os peixes foram crescendo”, disse. A estimativa é que os oito pirarucus pesem uns 75 quilos. “Também colocamos tambaquis pequenos, que estão no mesmo lago e cresceram e se dão bem com os pirarucus. Tem 9 deles”, contou.

José Olímpio Bastos também criticou a manutenção da praça pela prefeitura, apontando problemas estruturais e de segurança. A associação pleiteou e conseguiu a implantação de chafarizes, que oxigenam a água, que volta mais pura para os peixes. “Isso é muito bom e dá sentido de mais limpeza. Os peixes ficam mais bonitos para serem vistos, porque a água fica mais transparente. A gente tem tentado com a prefeitura para que eles sejam ligados. Os chafarizes que oxigenam a água foram instalados, mas não funcionam. Nem que seja à noite, durante um certo tempo”, disse.

Frequentadores gostam de ver os peixes

Os frequentadores da praça reforçam a importância do trabalho da associação e destacam a beleza e o valor educativo dos lagos. A dona de casa Patrícia Costa, 34 anos, estava na praça na manhã desta terça-feira (31): “É incrível. A natureza, os peixes. Isso é muito importante para a comunidade”, disse. “É uma atração privilegiada. Eles estão aqui, mas são de ‘rio grande’, da Amazônia”, disse. “É ter eles aqui é ótimo pra gente. É bem gratificante”, afirmou. “Eu acho que eles são bem cuidados e bem tratados. O local é organizado e limpo”, disse Patrícia. “A gente trouxe a ração da nossa cachorrinha e deu para eles”, comentou.

O advogado Luiz Cerqueira, 70 anos, advogado e frequentador antigo da praça, reforçou o valor histórico e ambiental do local. “É lindo. É uma coisa que nos atrai. Venho aqui há mais de 40 anos, trazendo meus filhos e agora meus netos”, disse, enquanto passeava com seu netinho. “É um espaço educativo e agradável. As pessoas param, têm a preocupação de trazer alimentos para os peixes”, afirmou.

Mas ele percebe altos e baixos na manutenção. “A água, agora, parece que está um pouco mais suja. Às vezes a água não está suficientemente oxigenada, e a gente nota os peixes sofrendo um pouco. A própria limpeza, a própria manutenção. Na nossa região é difícil a manutenção, pois chove muito”, contou.

Mais informações sobre os peixes nos lagos

Em gestões passadas, há cerca de 30 anos, a prefeitura introduziu as tilápias nos 4 lagos da praça.

Compete à prefeitura a manutenção dos lagos, mas, com a “ausência” do poder público municipal, a Associação dos Amigos da Praça Batista Campos assumiu o povoamento com outras espécies.

Sobre a alimentação dos peixes: não existe este controle público. Vários usuários da praça trazem pães e outros para esta alimentação e nos finais de semana pipocas e biscoitos são ofertados.

A associação tem para comercialização, em duas barracas de coco, a oferta de ração própria que é extrusada (e por isso não afunda) com alto teor de proteína para os pirarucus que também se alimentam dos alevinos de outras espécies.

Espécies existentes nos lagos:

Pirarucus, tambaquis, tilápias, coridoras, jaraquis, tucunarés, ‘cachorra do padre’, acarás, lebistes e diferentes bagres.

Fonte: Guilherme Minssen, zootecnista