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Pintura em pets exige cuidados e orientação profissional para evitar riscos à saúde dos animais

Pet groomer, Samuel Amaral destaca que o uso de produtos impróprios, especialmente os destinados a humanos, pode riscos aos animais

Gabriel Pires

Com a popularização de vídeos de cães e gatos com pelos coloridos nas redes sociais, especialistas acendem um alerta para os riscos da prática quando feita sem orientação adequada. O pet groomer Samuel Amaral destaca que o uso de produtos impróprios, especialmente os destinados a humanos, pode causar irritações, alergias e até intoxicações nos animais. Segundo ele, mesmo quando há intenção estética, é fundamental que os tutores priorizem o bem-estar dos pets, optando apenas por produtos específicos e procedimentos realizados por profissionais qualificados.

Segundo o pet groomer, alguns tutores, de forma inadequada, utilizam tintas em spray e outros produtos inadequados, o que aumenta significativamente os riscos para a saúde dos animais. Ele explica que a intoxicação pode ocorrer tanto pelo cheiro forte quanto pela ingestão do produto, já que os pets podem lamber a pelagem após a aplicação. “Existe muito risco de intoxicação, problemas de pele e até problemas mais sérios, como dermatites. Em casos mais graves, o animal pode até vir a óbito”, afirma.

Samuel destaca ainda que muitas tintas de uso humano possuem substâncias agressivas, como amônia, que são altamente prejudiciais aos animais. Por isso, o pet groomer reforça que qualquer procedimento estético deve ser feito exclusivamente com produtos específicos e por profissionais qualificados. Ele orienta que os tutores busquem avaliar o local, o currículo do profissional e se os produtos utilizados são de uso veterinário antes de submeter o animal à pintura.

Alternativas seguras

Por outro lado, ele ressalta que existem alternativas seguras no mercado, desenvolvidas especialmente para pets. Ainda assim, o cuidado deve ser mantido durante todo o processo, com acompanhamento profissional. “Hoje já existem tintas próprias para animais, produzidas pela indústria de cosméticos, que são veganas e não agridem a pele nem o pelo”, explica Samuel.

A prática, segundo Samuel, tem ganhado espaço entre alguns tutores, principalmente pela possibilidade de criar desenhos e personagens na pelagem dos animais, como o caso do pet Arrascaeta, que recebeu o serviço de pintura na pelagem. “Os tutores pedem pinturas com desenhos, relevos, personagens. É um trabalho artístico que vem crescendo, inclusive com competições específicas. A tinta não sai de imediato, pode levar meses, então é fundamental usar produtos que não agridam e que não ofereçam risco caso o animal lamba”, alerta Samuel.

Riscos à saúde

A médica veterinária Renata Cabral reforça também que a pintura em animais com produtos inadequados pode causar riscos à saúde, como irritações na pele, alergias, intoxicação por ingestão, devido ao hábito de se lamberem, problemas respiratórios e até danos ao fígado e aos rins. Ela ressalta que, mesmo com o uso de produtos específicos para pets, é fundamental seguir corretamente as instruções, realizar testes prévios de alergia e evitar o contato com olhos e boca.

“É importante ficar atento aos sinais de alerta. Os tutores devem ficar atentos a coceira, arranhões, perda de pelo, vômito, tremores ou dificuldade para respirar. E há diferença entre cães e gatos. Gatos são mais sensíveis e têm maior risco de intoxicação por grooming excessivo. Cães podem ser mais tolerantes, mas não é garantia", recomenda a médica.

Ainda de acordo com a médica veterinária Renata Cabral, há efeitos a longo prazo, podendo causar alergias, intoxicações crônicas e problemas de pele. "Para o bem-estar animal, pode ser prejudicial se não for feito com cuidado e produtos adequados. Em casos de negligência, pode ser considerado maus-tratos. Lembrando que a tintura em animais é um fator estético para o tutor; o cão ou gato não se importam com a cor do pelo, sendo, portanto, mais para a estética do tutor", pontua Renata.

“Como uma opinião pessoal, eu não sou a favor. O cão ou gato se estressa com muito manuseio, e um procedimento desse tipo demora bastante e envolve muitos riscos. Nem sempre o animal quer, então eu não aconselho e, sempre que posso, peço que não façam”, acrescenta a médica veterinária.

Veja os cuidados essenciais para pintura em pets

Priorize o bem-estar do animal:

A pintura é estética e não traz benefícios ao pet. Avalie se o procedimento é realmente necessário.

Use apenas produtos específicos para pets:

Nunca utilize tintas humanas ou sprays. Produtos inadequados podem causar alergias, irritações e intoxicação.

Procure um profissional qualificado:

O procedimento deve ser feito por groomers capacitados, com experiência e uso de produtos veterinários.

Faça teste de alergia antes:

Mesmo produtos próprios para animais podem causar reações. Testes prévios são indispensáveis.

Evite contato com olhos, boca e vias respiratórias:

A inalação ou ingestão pode causar problemas respiratórios e intoxicação.

Atenção ao comportamento do animal:

Se houver estresse, agitação ou desconforto, o procedimento deve ser interrompido.

Fique atento aos sinais de alerta:

Coceira, queda de pelo, vômito, tremores e dificuldade para respirar indicam possíveis reações adversas.

Cuidado redobrado com gatos:

Eles são mais sensíveis e têm maior risco de intoxicação ao lamberem a pelagem.

Considere os efeitos a longo prazo:

A prática pode causar dermatites, alergias e até intoxicações crônicas.

Evite procedimentos demorados:

O excesso de manuseio pode gerar estresse e comprometer o bem-estar do animal.

Fonte: Pet groomer Samuel Amaral e médica veterinária Renata Cabral