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Pilotando um monomotor, cearense que quer dar a volta ao mundo passa por Belém em jornada de 6 meses

Alexandre Frota, de 52 anos, pousou na capital paraense nesta terça-feira (17) após sair do Ceará; viagem deve ter passagem por cerca de 45 países

Gabriel Pires

Belém está na rota da viagem do gestor de valores mobiliários Alexandre Frota, de 52 anos, que busca se tornar o primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo sozinho em um avião monomotor. Ele decolou do Ceará no último dia 15 de março e pousou na capital paraense nesta terça-feira (17), após passar por São Luís, no Maranhão, como parte de uma jornada que prevê passagem por cerca de 45 países e aproximadamente de 80 mil quilômetros a bordo da aeronave PT-ZRQ. Toda a expedição será registrada por câmeras instaladas no avião e compartilhada nas redes sociais do piloto, no perfil Frotas pelo Mundo (@frotas_pelo_mundo), também como uma forma de, segundo ele, amenizar a saudade da família e encorajar outras pessoas apaixonadas por aviação.

Foi há apenas oito anos que ele tirou a habilitação para pilotar aviões de pequeno porte, embora sempre tenha sido um entusiasta da aviação. Apaixonado por esse universo, há quatro anos ele estabeleceu como meta dar a volta ao mundo sozinho. E um sonho que, segundo ele, é comum entre pilotos e que o acompanha desde a infância. Como parte da preparação para a jornada, chegou a voar até os Estados Unidos a bordo do avião monomotor para testar a viabilidade da aventura, percorrendo cerca de 15 mil quilômetros entre Fortaleza e a Flórida.

“Esse sonho não é comum, mas é algo considerado normal entre pilotos que não são profissionais, os chamados pilotos amadores. Como voamos por prazer, normalmente fazemos voos mais curtos, para lugares próximos, mas sempre existe o desejo de voar para mais longe. E, como sonhar pequeno ou sonhar grande dá o mesmo trabalho, pensei: já que é para sonhar, por que não ir o mais longe possível? E o mais longe que se pode ir é dar a volta ao mundo. Comecei a planejar isso em 2022”, enfatiza.

Para Alexandre, ele também deseja representar o Brasil ao conquistar esse marco histórico: “Uma das missões, não é a mais importante, mas é uma delas, é tentar trazer esse orgulho para nós aqui da região Norte e Nordeste: ser o primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo solo, ou seja, sozinho, passando pelos cinco continentes. Normalmente, esses recordes ficam com a turma do Sul e do Sudeste. Não que eu seja bairrista, mas é bom a gente também trazer, de vez em quando, um reconhecimento”, relata.

Segurança de voo

E todo esse tempo de planejamento foi necessário para garantir a segurança durante o voo, que deve durar seis meses, conforme a estimativa de Alexandre. “Desde então, de 2022 para cá, já se passaram quatro anos desenvolvendo esse projeto. Entramos em contato com aeroportos ao redor do mundo e organizamos o abastecimento de combustível para áreas onde ele não está disponível. É um projeto logístico bastante complexo, mas tudo está correndo bem. Finalmente decolamos no dia 15 de março, saindo de Fortaleza”, comenta Alexandre.

“Tudo começou quando cheguei ao meu escritório, escrevi um e-mail para mim mesmo, enviei, recebi e imprimi. Esse e-mail está fixado lá até hoje e só será retirado quando eu voltar da viagem, com a missão cumprida. Nele, detalhei tudo o que eu sabia na época sobre o que seria necessário para dar a volta ao mundo. Hoje percebo que era muito pouco, mas já era alguma coisa: patrocinadores, câmeras, rota, combustível, continentes”, acrescenta o piloto.

Planejamento

E para seguir viagem e com toda a segurança possível, é necessário um planejamento prévio, que foi feito ao longo dos anos de preparação, como relembra Frota. “É um processo muito complexo. Precisei mandar milhares de e-mails para aeroportos, para FBOs, que são as empresas dentro dos aeroportos que recebem as aeronaves. Também é preciso entrar em contato com as companhias de abastecimento que fornecem combustível para esses aeroportos, além de verificar questões geopolíticas, vistos, permissões de voo para alguns países e permissões de pouso em outros. Uma aeronave pequena exige um pouco mais de cuidado, principalmente com a parte meteorológica. Por ser muito leve, ela é mais suscetível à ação do vento, à chuva e a tempestades”, explica.

“Por isso, muito do trabalho está no planejamento prévio ao voo. É muito melhor perder bastante tempo planejando antes de decolar do que decolar e depois querer estar no chão. Então, grande parte é justamente tentar buscar essa previsibilidade para fazer esse planejamento. Mesmo assim, há situações imprevisíveis. Para voar agora aqui para o Norte do Brasil, nesta época do ano, por exemplo, é comum enfrentar muito mau tempo. De São Luís para cá mesmo, peguei muita chuva e precisei voar mais baixo para não perder as referências visuais. Ainda assim, é um desafio: cada voo é um desafio”, acrescenta.

Durante todo o percurso, o maior atrativo será conhecer as particularidades de cada lugar, que será compartilhado nas redes sociais criadas por ele. ‘Essa viagem é muito mais do que uma viagem sobre aviação. Ela envolve cultura, comida local, música e pontos turísticos. Em Belém, por exemplo, a gente deve sair para comer algum prato típico da região e mostrar isso nas nossas redes sociais, compartilhando a experiência com o público. Essa é a proposta da viagem. Serão 45 países, mais de 110 cidades, nos cinco continentes.”, conta.

“Pretendo sobrevoar alguns dos principais pontos turísticos do mundo. Entre eles estão a Estátua da Liberdade, as Pirâmides do Egito e o Taj Mahal, na Índia. Então vai ser como uma espécie de novelinha, com episódios diários. Desde criança, a gente morava perto do aeroporto velho de Fortaleza. Eu sempre fazia meus aviões de madeira e ficava brincando com eles. Com 5 ou 6 anos eu já fazia meus aviões de madeira e brincava. A aviação sempre esteve presente na minha vida, mas, por motivos financeiros, passei a vida toda trabalhando e juntando dinheiro para realizar esse sonho”, completa Alexandre.

Até terça-feira (17), Alexandre já havia percorrido pouco mais de 1.600 km quando chegou a Belém. Na quarta-feira (18), ele deve seguir para Macapá, passando por Boa Vista e, depois, para outros países rumo à conclusão da grande missão. A viagem terminará no Uruguai. “Decolei no dia 15 de março de Fortaleza. Eu tinha combustível para ir direto para o Caribe, mas preferi parar em todas as capitais possíveis ao norte de Fortaleza para conversar, dar entrevistas e divulgar o nosso projeto, tentando impactar o maior número de pessoas com a nossa aventura”, comenta Alexandre.

Saudade da família

O planejamento foi necessário também para o maior desafio: ficar longe da família e da gestão da própria empresa. “No trabalho, passei dois anos preparando a empresa para a minha ausência. A gente formou meus sucessores porque é um setor muito regulamentado. Foi necessário formar outro gestor e habilitá-lo. Foram dois anos de processo para que eu pudesse ficar esses seis meses afastado sem que nada mudasse na empresa. Com relação à família, esse também é o ponto mais doloroso. Já estou sentindo isso, mas eles vão me encontrar duas vezes ao longo do trajeto”, diz Alexandre.

Onde acompanhar a aventura de Alexandre?

Instagram: @frotas_pelo_mundo

YouTube: Frotas Pelo Mundo

Site:frotaspelomundo.com.br