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Penitências na Quaresma buscam aproximar católicos de Deus

Prática do jejum, oração e solidariedade marcam o período em que é celebrada a ressurreição de Jesus Cristo

Vito Gemaque

Os 40 dias de preparação para a Páscoa, a Quaresma, são o momento em que os católicos buscam aproximar a vida espiritual dos ensinamentos de Jesus Cristo. O período mais importante na tradição católica,  a Páscoa, movimenta todas as paróquias de Belém. Muitos católicos praticam as penitências, a solidariedade ao próximo e o jejum para libertar o espírito e se sentirem mais próximos de Deus.

O jovem Diego Alves, de 18 anos, coordenador do grupo dos servidores de altar e que auxilia na dinâmica litúrgica da Paróquia de São Miguel, pratica os ensinamentos da Quaresma no tripé de oração, jejum e caridade. “A Quaresma, como o próprio nome diz, representa os 40 dias que Cristo passou no deserto, onde ele passou em jejum e oração. Isso é muito importante, porque representa o espelho do que nós devemos seguir, tanto que a Igreja Católica apresenta o tripé da Quaresma, que são a oração, o jejum e a própria caridade”, detalha.

O jovem buscou como penitência ficar afastado das redes sociais. Diego busca seguir os ensinamentos de São Tomás de Aquino, que, no livro Suma de Teologia, aborda a prática da penitência. “Uma das formas da penitência que a gente busca a conversão é através da virtude. E a virtude de entender os nossos pecados e, a partir deles, buscar uma penitência, que não é o sofrimento, não é só a abdicação da carne física, mas buscar entender os nossos pecados e abdicá-los. O sentido espiritual da penitência é buscar a conversão”, destacou.

“A minha penitência para a Quaresma de preparação foi largar um pouco a dependência das redes sociais, porque, de certo modo, isso é uma prática que a maioria dos jovens e dos adultos têm esse vício de ficar nas telas e nas redes sociais, algo que pode afastá-lo de Deus com o tempo”, atesta.

O pároco da Paróquia de São Miguel, no bairro da Cremação, Cônego José Gonçalo Vieira, reforça que os cristãos são convidados na Quaresma à abstinência e ao jejum. “A abstinência é não comer carne nos dias de Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa, e o jejum é nos abstermos do pecado. Daquilo que alimenta em nosso coração o pecado”, conta.

Durante a Quaresma, há dois momentos: o tempo de mudança de vida e reconciliação, e na Páscoa, o gesto concreto. “Neste ano, a Campanha da Fraternidade nos fala sobre moradia. Jesus veio para morar. A primeira morada de Jesus é no nosso coração; se não temos Jesus hospedado na nossa vida, nos tornamos mesquinhos, arrogantes, cheios de pecados e não sabemos partilhar”, afirma.

O cônego José Gonçalo ressalta o maior ensinamento de Cristo com a frase ‘Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei’. “Jesus morre por amor; ele se entrega por amor. Ele é Deus, mas ensina a moldar a simplicidade, a humildade. Sendo ele Deus, esvaziou-se de tudo para nos ensinar a sermos boas pessoas, simples e humildes. Por isso, a Páscoa é uma renovação constante da nossa vida”, aponta.

Para a coordenadora dos ministros da Paróquia de São Miguel, Socorro Cardoso, de 67 anos, é reconfortante visitar e ajudar os irmãos que precisam. “A Quaresma é conversão. A gente procura, através do nosso dia a dia, levar o nosso melhor para os nossos irmãos que precisam. Mostrar o rosto de Cristo, realmente como Cristo é, através da palavra e da eucaristia. E, nas famílias, também a gente faz a mesma coisa. Conversão é mudança de vida. Nós não somos perfeitos, mas tentamos levar o melhor da gente para os nossos irmãos”, reforça.