MENU

BUSCA

Paixão pela profissão transforma rotina exigente em realização, em Belém

Profissionais do atendimento ao público relatam rotina exigente, mas destacam satisfação, aprendizado e contato com diferentes culturas como motivação diária

O Liberal

Trabalhar em um ambiente saudável e com aquilo que se gosta é um dos principais fatores para o bem-estar e a qualidade de vida. Na prática, no entanto, essa realidade convive com desafios diários, especialmente em profissões que exigem contato direto com o público, como a de garçom.

Na Estação das Docas, um dos principais pontos turísticos da capital paraense, a rotina de trabalho revela um equilíbrio delicado entre cansaço físico, pressão emocional e satisfação profissional.

Com 15 anos de experiência na área, o garçom Wesley Souza, 30, define o ritmo de trabalho como intenso. A jornada começa cedo e segue até a noite, em uma escala 6x1 que, segundo ele, impacta diretamente a rotina pessoal. “É puxado. A gente passa muito tempo em pé, andando, atendendo, resolvendo demandas. Mesmo no dia de folga, o corpo ainda sente o ritmo da semana”, relata.

Apesar das exigências, ele encontra motivação no contato com diferentes culturas. Trabalhando há nove meses em um restaurante da Estação das Docas, Wesley destaca a troca de experiências com turistas como um dos pontos mais positivos da profissão. “A gente aprende todos os dias. As pessoas que vêm de fora têm outra visão, ficam encantadas com o Brasil. Isso agrega muito”, afirma.

Já para Maurício Costa, 29, a relação com o trabalho vai além da necessidade financeira. Com mais de cinco anos de experiência, ele vê no atendimento ao público uma vocação. “Servir é um prazer enorme. Eu amo o que faço. É algo que eu faço com orgulho”, diz.

A rotina também é intensa: jornadas que começam à tarde e se estendem até a noite, com horários que variam ao longo da semana. Mesmo assim, ele ressalta que a satisfação pessoal compensa os desafios. “É corrido, exige preparo, mas quando você gosta, faz diferença”, pontua.

No entanto, o contato constante com o público também exige equilíbrio emocional. Maurício relata já ter enfrentado situações de desrespeito durante o trabalho. “A gente precisa ter controle emocional. Já fui agredido verbalmente por clientes que ficam estressados com uma aqui, outra ali, mas procuro manter a calma. Não dá para deixar a emoção tomar conta”, afirma.

Mesmo diante dos desafios, os dois profissionais concordam que gostar do que se faz é um fator decisivo para permanecer na área. “Se você não tiver paciência e não gostar de lidar com pessoas, fica muito mais difícil”, resume Wesley.

Maurício reforça: “É uma profissão difícil, mas também pode ser muito gratificante. O mais importante é ter controle emocional e gostar do que faz”.