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Pais que se envolvem nas brincadeiras com os filhos impulsionam desenvolvimento infantil

O envolvimento dos pais, segundo a especialista, é decisivo nesse processo.

Bruna Lima

Muitas famílias têm buscado alternativas simples e criativas para resgatar o brincar longe das telas. Mais do que entretenimento, essas brincadeiras se tornam oportunidades de convivência, aprendizado e fortalecimento dos laços entre pais e filhos.

A professora de Educação Infantil Francielle Ramos, mãe de Carlos Eduardo, de 7 anos, é uma dessas mães que fazem questão de incluir o brincar na rotina do filho. Para ela, a importância da brincadeira vai muito além da diversão.

“Hoje, com o avanço do uso das telas, a gente precisa colocar as crianças para se libertar, sair desse mundo só de dentro do quarto. A brincadeira permite que a criança interaja, socialize e use a imaginação”, destaca.

Sendo filho único, Carlos Eduardo encontra nas brincadeiras ao ar livre uma forma de socialização e de gastar energia. Francielle explica que a família mantém uma rotina organizada, que inclui momentos de estudo, atividades escolares e esportivas, mas também tempo livre para brincar. “A gente vai à praça, ao parque, para ele liberar essas energias e brincar do jeito que ele gosta. Até o livre brincar é fundamental, nem sempre precisa ser algo direcionado”, afirma.

Essa convivência também é prioridade para o pai, Rossi Silva, que busca aproveitar o tempo ao lado do filho com brincadeiras simples e longe do mundo digital. Para ele, mais do que uma escolha, brincar junto é uma necessidade.

“Com a correria do dia a dia, os pais acabam terceirizando muito esse tempo. A gente procura priorizar o que eu chamo de tempo personalizado, com brincadeiras que não envolvam nada on-line”, explica.

Entre as atividades estão andar de bicicleta, jogar futebol, correr na praça, brincar de esconde-esconde e até construir brinquedos juntos. Um exemplo é a perna de pau feita em parceria com o filho. “Ele participou de todo o processo, lixar, pintar, montar. A ideia é mostrar que o legal não está só na tela, mas em criar, construir, viver a experiência. Isso gera memórias afetivas que ficam para a vida toda”, relata.

Segundo a pedagoga e psicóloga Elayne Nazaré de Souza Oliveira, as brincadeiras criativas têm papel fundamental no desenvolvimento infantil. “Elas estimulam o desenvolvimento cognitivo e emocional. Trabalham a imaginação, a memória, o raciocínio lógico e diversas áreas neurológicas, desde que adequadas à faixa etária da criança”, explica.

No aspecto emocional e social, Elayne destaca que o brincar ensina a criança a conviver. “A criança aprende a dividir, a ganhar, a perder, a lidar com frustrações, a trabalhar a autoestima e os sentimentos. Brincar em grupo e com a família fortalece essas habilidades”, afirma.

O envolvimento dos pais, segundo a especialista, é decisivo nesse processo. “Quando os pais participam das brincadeiras, a criança se sente pertencente ao núcleo familiar. Isso fortalece o vínculo, aumenta a autoestima e traz mais segurança emocional. A criança passa a confiar mais nos pais e se sente acolhida”, ressalta.

Elayne também lembra que não é necessário investir em brinquedos caros. Brincadeiras tradicionais, como pular corda, amarelinha, jogos de memória, quebra-cabeça, corridas e atividades ao ar livre já são suficientes para estimular o desenvolvimento psicomotor, cognitivo e emocional. “O mais importante é o tempo de qualidade e a presença dos pais. Muitas vezes, o simples brincar junto já faz toda a diferença”, conclui.

A profissional acrescenta que resgatar brincadeiras simples pode ser um caminho poderoso para fortalecer os laços familiares, promover o desenvolvimento infantil e criar memórias afetivas que acompanham a criança por toda a vida.

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