No 4º domingo da Quaresma, Missa no Grupo Liberal reflete sobre o olhar da fé no dia a dia
Padre Cláudio Pighin comenta o Evangelho da cura do cego de nascença e destaca a importância de enxergar a vida com os “olhos da fé”, colocando o ser humano acima das normas.
Na missa do quarto domingo (15) da Quaresma, na sede do Grupo Liberal, no bairro do Marco, o padre Cláudio Pighin refletiu sobre o Evangelho da cura do cego de nascença, que propõe uma reflexão sobre fé e a presença de Deus na vida cotidiana. A passagem, do livro de João, destaca o contraste entre a atitude de Jesus, que prioriza o ser humano, e a dos fariseus, que colocam a lei acima das pessoas, convidando os fiéis a enxergar a realidade também com os “olhos da fé”.
A cena faz imaginar, segundo padre, a alegria de alguém que, depois de viver sem enxergar, passa a ver toda a realidade ao seu redor. No entanto, enquanto Jesus devolve a visão e a dignidade ao homem, os fariseus reagem com hostilidade, pois o milagre aconteceu em um sábado, dia em que, segundo a lei, não se podia realizar qualquer trabalho.
E ainda, esse episódio revela o contraste entre duas posturas: Jesus, que coloca a pessoa humana em primeiro lugar, e os fariseus, que priorizam rigidamente a observância das normas, como destaca o sacerdote. “O que nos ensina a palavra de Deus? Que ela tenta sempre resgatar o ser humano. O ser humano, afastando-se de Deus, se perde. E a cegueira desse cego aí representa, simboliza um pouquinho toda a nossa cegueira para discernir essa presença de Deus que quer resgatar a nossa humanidade”, diz o padre.
“Isso mostrou que praticamente, quando faz o milagre, Jesus quer promover o ser humano. No entanto, os chefes da religião daquele tempo querem salvar as leis. Para os chefes da religião daquele tempo, os fariseus, os escribas, o que é importante é a lei para Jesus. Importante é o ser humano”, acrescenta o padre.
A narrativa também sugere que, de certo modo, todos são “cegos”, pois a humanidade enxerga apenas a realidade material. E, muitas vezes, faltam os olhos da fé, ainda segundo o sacerdote. E é essa fé, segundo Pighin, que permite perceber a presença de Deus e a promessa da vida eterna.
A leitura ainda convida a refletir sobre a própria caminhada cristã no dia a dia: quem é Jesus e até que ponto se está disposto a reconhecê-lo e segui-lo de verdade. “E isto mostra como Deus não pensa com a gente. Ele quer o nosso bem. O ser humano tem dúvidas. Então a palavra de Deus sempre nos questiona isso. Se estamos com Deus ou com os interesses humanos”, pontua.
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