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Mutirão com foco na saúde feminina atende quase 2 mil pessoas em Belém

Mobilização nacional oferece consultas e procedimentos especializados para pacientes que já aguardavam na fila do SUS

Gabriel da Mota

Quase duas mil pessoas recebem assistência médica especializada em Belém, neste sábado (21), durante o Dia “E” – Ebserh em Ação. A mobilização nacional, coordenada pelo Ministério da Saúde, ocorre simultaneamente nos hospitais João de Barros Barreto (HUJBB) e Bettina Ferro de Souza (HUBFS) para acelerar diagnósticos e cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com foco prioritário na saúde da mulher, a ação abrange diversas especialidades e integra uma estratégia contínua para reduzir o tempo de espera na rede pública.

No Bettina Ferro, que compõe o Complexo Hospitalar da UFPA (CHU-UFPA), o atendimento prioriza as áreas de oftalmologia e otorrinolaringologia. De acordo com a médica Lorena Rodrigues, o objetivo é atender com agilidade os pacientes que já estavam inseridos no sistema de regulação. "Nos dois hospitais estamos fazendo 2.900 atendimentos e aqui no Hospital Bettina em torno de 900 entre cirurgias, consultas e exames", detalhou a especialista, reforçando que a unidade é referência nos centros de audição e visão.

Aposentada relata espera de um ano por acompanhamento de glaucoma

A aposentada Maria da Conceição Ramos, de 63 anos, faz tratamento de glaucoma há 15 anos e relatou dificuldades para manter a regularidade das consultas. Segundo ela, o intervalo de atendimento, que antes era trimestral, chegou a um ano de interrupção por falta de vagas.

"Minha consulta passou de três para seis meses [de intervalo] e, agora, já fazia um ano que eu não vinha aqui. Consegui pelo mutirão. O médico mudou meu colírio e agora vou entrar na fila para a cirurgia", afirmou a paciente.

image Maria da Conceição Ramos, aposentada (Igor Mota / O Liberal)

Também no Hospital Bettina Ferro, Benedita Oliveira, de 82 anos, realizou seu primeiro exame de audiometria neste sábado (21). A moradora do bairro da Terra Firme convive com a perda progressiva da audição há cerca de três anos, mas vinha adiando a procura por um médico devido ao medo de realizar o procedimento. Após passar por uma consulta médica nesta semana, ela foi prontamente encaminhada para o mutirão.

"Eu chorava para não ter que fazer isso, mas minhas filhas insistiram. Agora eu creio que vou voltar a escutar a ‘zoada’ da chuva", celebrou a aposentada.

image Benedita Oliveira, aposentada (Igor Mota / O Liberal)

Ministério da Saúde planeja novas ações

A mobilização faz parte do programa Mais Especialistas e prioriza o público feminino neste mês de março. Segundo a assessora do Ministério da Saúde, Lena Peres, cerca de 90% dos atendimentos deste final de semana são voltados para mulheres.

"A gente quer fazer com que essa fila ande para que o diagnóstico chegue no tempo correto", explicou. 

image Lena Peres, assessora do Ministério da Saúde (Igor Mota / O Liberal)

O cronograma de mutirões deve seguir ao longo de 2026, com novas mobilizações previstas ainda neste semestre e no segundo. No Pará, o esforço deste sábado se estende a mais de 30 hospitais, com uma estimativa de 13 mil procedimentos realizados em cidades como Santarém, Redenção e Uruará.