Museu das Amazônias ganha mural em realidade aumentada no Complexo Porto Futuro, em Belém
Obra interativa assinada por artista de Cametá transforma a fachada do MAZ em experiência imersiva e simboliza o novo ciclo expositivo do museu em Belém
O Museu das Amazônias (MAZ), localizado no Complexo Porto Futuro, em Belém, recebeu a pintura de um grande painel artístico em realidade aumentada na área externa do prédio. A obra, com cerca de dois metros de altura por cinco metros de largura, é assinada pelo artista visual paraense Luan Rodrigues, conhecido como Kambô Art, natural de Cametá, e simboliza o novo ciclo expositivo do espaço.
De acordo com o artista, o mural traz como elemento central uma cobra grande, representando a boitatá, um dos símbolos do museu. A proposta é que a composição seja interativa. “Aqui vai ter uma cobra grande, uma boitatá, que é um dos símbolos do Museu das Amazônias. E essa pintura, essa composição, vai ser uma composição interativa, onde o espectador vai poder chegar e, além de visualizar, curtir ela visualmente, através de um aplicativo no celular, você pode apontar pro mural e aí a cobra vai interagir com o espectador, causando uma nova possibilidade de apreensão pública”, explicou.
Kambô Art destacou que a complexidade do trabalho está justamente na integração entre técnicas tradicionais e recursos digitais. Segundo ele, trata-se de uma produção multimídia que envolve o muralismo - técnica analógica ancestral, praticada desde os tempos das pinturas rupestres nas cavernas - aliada à tecnologia contemporânea. “O trabalho por si só, pela questão de ser um trabalho multimídia, de envolver a técnica de muralismo, que é uma técnica analógica ancestral, que os homens das cavernas vinham pintando as cavernas, as paredes das cavernas há tempos atrás, a intenção, hoje em dia, é utilizar a tecnologia, sabe, com esse advento da tecnologia digital, né, pra fazer essa mescla de arte artesanal, de arte tradicional, né, com a tecnologia digital para dar essa apreensão pro público”, afirmou.
Para o artista, o principal desafio é promover essa transição do analógico para o digital de forma harmônica. “Essa complexidade de sair do analógico pro digital, eu acho que é o ponto crucial pra que se consiga ter uma composição harmônica e interessante, assim, no final”, ressaltou.
Natural de Cametá, Kambô Art tem 38 anos e atua desde 2007 desenvolvendo trabalhos que unem visualidades tradicionais do cotidiano amazônico com tecnologia digital contemporânea. Ele afirma que sua proposta é mostrar que não é preciso estar nos grandes centros urbanos para criar expressões de vanguarda. “Eu venho trabalhando dentro dessa perspectiva de fazer uma mescla da arte tradicional, das visualidades tradicionais do cotidiano amazônico com a tecnologia digital contemporânea que, enfim, que a gente tem acesso à internet pra mostrar que você não precisa estar nos grandes centros urbanos pra desenvolver essas linhas de expressões que eu chamo de Avant-garde (vanguarda) né, que são linhas de expressões de vanguarda”, disse.
Segundo o artista, o fluxo do seu trabalho está justamente nessa interseção entre o tradicional e o digital, buscando causar um espetáculo visual e ampliar as formas de interação com o público. Ele também destacou a importância da iniciativa para a população. “Todo mundo tem celular hoje na mão, né? Todo mundo tá linkado com a tecnologia, então a forma que a gente puder usar a tecnologia para que a gente saia do trivial apenas de consumir conteúdo e começar a interagir com o conteúdo, isso daí é uma semente que se abre em novas possibilidades de criação, de expressão, de referência, de interação e, bom, instiga muito os jovens a produzir, a pesquisar e a entrar nessa linha de trabalho também”, concluiu.
Novo marco visual
O painel integra o momento de transição vivido pelo MAZ. Desde o início de fevereiro, a visitação interna está pausada devido ao processo de troca das exposições em cartaz. As novas mostras devem ser apresentadas ao público no final do primeiro semestre de 2026. Nesse período, o museu reforça o diálogo com a população por meio de intervenções artísticas visíveis e acessíveis na área externa. A proposta de permitir que o público acompanhe cada etapa da criação do painel dialoga com as transformações internas em curso.
“O Museu das Amazônias está em um processo de renovação profunda, e tornar esse movimento visível ao público é uma escolha conceitual. Ao convidar as pessoas a acompanharem a criação dessa obra na fachada, reforçamos a ideia de um museu vivo, em constante construção, aberto ao território, às narrativas amazônicas e aos artistas da região”, disse a gerente técnica do museu, Grazielle Giacomo.
A expectativa é que o painel em realidade aumentada se consolide como um novo marco visual do museu durante o período de transição expositiva, ampliando a experiência de quem visita o espaço e fortalecendo a relação entre arte contemporânea, cidade e Amazônia. Após a conclusão da pintura, a obra permanecerá disponível para apreciação e interação do público na fachada do MAZ.
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