Moradores criticam alertas da Defesa Civil e cobram soluções para alagamentos em Belém
A comunidade diz que a área não teve obras de infraestrutura e drenagem.
Moradores de Belém afirmam que os alertas meteorológicos enviados pela Defesa Civil para os celulares foram banalizados e se tornaram pouco efetivos para quem convive diariamente com os impactos das chuvas. Em áreas marcadas por alagamentos recorrentes, os avisos, segundo a população, costumam chegar quando as ruas já estão inundadas ou até mesmo depois dos transtornos causados pelas fortes precipitações. No bairro Curió-Utinga, a comunidade critica o prefeito Igor Normando e diz que foi esquecida, não tendo sido realizadas obras de infraestrutura e drenagem na região.
Em uma das áreas mais afetadas pelas enchentes na capital, no Curió-Utinga, moradores relatam que vias como a Passagem Coronel Moisés, Passagem Ana Deusa, Rua Segundo Ramal do Utinga, Passagem Juninho e Viela Cruzeiro ficam frequentemente debaixo d'água.
A equipe de O Liberal esteve na Passagem Coronel Moisés, uma das vias citadas pelos moradores, e recebeu relatos sobre o acúmulo de água, dificuldades de mobilidade, problemas de saneamento e também da falta de respostas efetivas do poder público.
Morador da área há anos, Alex Barbosa da Silva, de 36 anos, afirma que os alertas não ajudam quem já está enfrentando os efeitos da chuva. “A gente passa aqui quando chove e alaga tudo. Quando bate o alerta de chuva no celular, já está tudo cheio, a rua todinha. É de um lado ao outro que a rua enche”, relatou.
Segundo ele, o problema não se limita a um único ponto e afeta várias vias da comunidade. “Esse alagamento começa aqui na Coronel Moisés e vai até a Passagem Ana Deusa. Quando chove forte, a água bate na cintura. Tem dia que a gente não consegue nem sair de casa", disse Alex.
O morador conta que famílias inteiras têm a rotina comprometida pelos alagamentos. “A vizinha aqui tem dificuldade até para sair com a netinha dela. Todo dia fica cheio de água. Não dá tempo nem de chegar o alerta de chuva ou enchente porque já está tudo alagado”, afirmou.
Alex também cobrou atenção da Prefeitura de Belém. “A gente queria uma resposta do prefeito para vir aqui e fazer essa reforma. Parece que só olham para outras ruas e esquecem da gente. Quando esse lago enche, enche tudo. A água toma conta da rua inteira”, declarou.
Problema crônico
Líder comunitário da região, Igor Carlos Santos da Silva afirma que o problema se arrasta há mais de uma década e meia.
“Aqui nós estamos passando por uma grande dificuldade. Esse alagamento existe há mais de 16 anos. Já fizemos diversas solicitações aos órgãos competentes e esperamos que o prefeito Igor Normando possa olhar para essa situação. Falta desentupir, trocar a tubulação toda da rua”, disse.
Ele destaca que a falta de infraestrutura afeta principalmente pessoas em situação de maior vulnerabilidade. “Temos uma igreja a menos de 100 metros daqui e esse alagamento dificulta o acesso de crianças, idosos, pessoas com deficiência e mulheres grávidas. Existe o risco de quedas e acidentes. É uma situação preocupante”, afirmou.
Segundo Igor, os próprios moradores têm buscado alternativas para amenizar os problemas. “A população tem feito a sua parte. Esse é um bairro unido. Foram os próprios moradores que fizeram parte desse aterramento para tentar melhorar a passagem das pessoas. Mas isso não resolve o problema definitivamente”, explicou.
Constrangimento
Sobre os alertas meteorológicos, ele questiona a utilidade prática da ferramenta diante da realidade enfrentada pela comunidade. “O alerta da Defesa Civil não inibe o constrangimento que nós passamos. Aqui nem precisa chover muito para alagar. Quando a mensagem chega, muitas vezes nós já passamos dez ou vinte vezes por essa rua cheia de água", afirmou.
Segundo ele, os impactos vão além da mobilidade e atingem diretamente a saúde dos moradores.
"A comunidade precisa se cuidar diariamente. As pessoas têm que redobrar a higiene porque convivem com essa água parada. O alerta não muda o nosso dia a dia nem resolve o problema que enfrentamos", completou.
Prejuízos
Morador da área, Elpidio Ferreira Corrêa, de 45 anos, relata que os prejuízos provocados pelas enchentes são frequentes. “Muitas pessoas já sofreram acidentes aqui porque o chão fica liso por causa da enchente. A água transborda e entra nas casas dos moradores”, contou.
Segundo ele, algumas famílias precisaram fazer adaptações para tentar reduzir os danos. “Tem gente que fez batente nas portas e levantou o piso das casas porque a água entrava direto. Mesmo assim, quando chove forte, continua entrando água e causando prejuízos”, disse.
Elpidio afirma que há registros de perdas materiais em diversas residências. “Já teve morador que perdeu móveis e objetos pessoais. Quando alaga, a água chega até o meio da parede em algumas casas”, relatou.
Ele também descreve as dificuldades de locomoção durante os períodos de chuva intensa. “Tem hora que a gente não consegue sair de casa. Já teve situação de pessoas usarem canoa para atravessar a área alagada. Fica tudo tomado pela água”, afirmou.
Na avaliação do morador, um dos principais problemas está relacionado à drenagem da região. “Os bueiros estão entupidos e a tubulação cedeu em alguns pontos. A água fica acumulada porque não consegue escoar. Ela demora muito para baixar e as pessoas acabam ficando presas dentro de casa”, concluiu.
Posicionamento
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) comunicou que enviaria uma equipe ao local. “A Sezel enviará, na tarde desta terça (9), uma equipe da Superintendência de Drenagem Urbana e Saneamento Integrado para identificar o problema e solucioná-lo, a fim de encerrar os alagamentos no local”, comunicou.
A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento à Defesa Civil de Belém sobre os alertas meteorológicos. A reportagem questionou qual a necessidade dos alertas, qual motivo faz os avisos serem disparados à população e qual o balanço desde que teve início o envio dos alertas no Pará. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
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