MENU

BUSCA

Moradores cobram políticas públicas e denunciam avanço da violência na Cidade Velha, em Belém

'Abraço Pela Paz' aconteceu na Praça Dom Pedro II neste sábado (11)

Gabi Gutierrez

Moradores do bairro da Cidade Velha realizaram um protesto na manhã deste sábado (11), no centro de Belém, para cobrar políticas públicas voltadas à segurança e à população em situação de rua nas redondezas. A mobilização, nomeada 'Abraço Pela Paz', aconteceu na Praça Dom Pedro II e seguiu em direção a prédios públicos. O ato buscou chamar a atenção para o aumento da violência em Belém, especialmente na região histórica da capital.


Aumento da violência e sensação de insegurança

Os participantes afirmam que a sensação de insegurança tem crescido nos últimos anos e que as medidas adotadas até agora não têm sido suficientes para resolver o problema da segurança pública na Cidade Velha.

A advogada Carla Barbosa, moradora do bairro há cerca de 15 anos, destaca que a situação tem se agravado, principalmente para mulheres. “Temos observado um crescimento nos casos de assaltos, especialmente envolvendo mulheres. Estamos aqui para cobrar mais segurança e assistência dos órgãos públicos”, afirmou. Segundo ela, o cenário é ainda mais preocupante diante do aumento de casos de violência de gênero.

Problema vai além do policiamento

Apesar das críticas à situação atual, moradores reconhecem a atuação da Polícia Militar, mas reforçam que o enfrentamento da violência exige mais do que policiamento ostensivo.

Moradora da Cidade Velha desde a infância e uma das organizadoras do movimento, Angela Vasconcelos relembra que a mobilização por melhorias na segurança em Belém não é recente. “Desde 2008 estamos lutando por melhorias. Tivemos apoio da Polícia Militar ao longo dos anos, mas isso mostra que segurança pública não se faz só com polícia. Se fosse, o problema já estaria resolvido”, declarou.

Ela defende a união entre diferentes setores da sociedade. “Estamos pedindo mais policiamento, sim, mas também políticas públicas que envolvam governo, prefeitura, ONGs e a sociedade civil”, disse.

População em situação de rua e vulnerabilidade social

Outro ponto central do protesto é a necessidade de políticas públicas voltadas à população em situação de rua, considerada pelos moradores parte essencial da solução para a crise na região.

Diácono da Catedral Metropoliana de Belém, Sílvio Ataíde afirma que a falta de políticas eficazes tem impacto direto no cotidiano da população. “A população da Cidade Velha já está sentindo na pele a violência causada pelo descaso das autoridades. Existem políticas públicas, mas elas não estão atingindo o objetivo. As pessoas continuam nas ruas, muitas envolvidas com drogas, o que prejudica o ir e vir dos moradores”, afirmou.

Ele destaca que muitas dessas pessoas estão em situação de vulnerabilidade por falta de apoio do poder público. “A gente precisa de políticas voltadas para essas pessoas em situação de rua. A igreja tenta ajudar, mas isso precisa ser feito em conjunto, com apoio do poder público”, completou.

Abandono de espaços públicos e impacto na região

Os moradores também denunciam o abandono de espaços públicos importantes da região central, o que contribui para o aumento da insegurança e da degradação urbana.

“Estamos pedindo um olhar especial para a situação da praça [Dom Pedro II] e do Ver-o-Peso. Precisamos de dignidade tanto para quem está em situação de rua quanto para moradores, comerciantes e turistas”, afirmou Angela Vasconcelos.

Segundo ela, a falta de manutenção e de políticas públicas adequadas afeta diretamente a qualidade de vida e a economia local, além de comprometer a imagem da cidade.

Cobrança por ações integradas

De forma geral, os manifestantes defendem que a solução para a violência na Cidade Velha passa por ações integradas entre segurança pública, assistência social e políticas urbanas.

Eles afirmam que o protesto reforça a necessidade de medidas concretas e duradouras para melhorar a qualidade de vida na região e garantir mais segurança para moradores e frequentadores do centro histórico de Belém.

A reportagem do Grupo Liberal pediu posicionamento da Prefeitura de Belém e da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.